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Viagem ao centro da Terra

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Entender como são obtidas as informações sobre o que ocorre no interior do planeta;
Discutir a necessidade e a viabilidade de uma viagem ao centro da Terra.

Conteúdo(s) 

 

 

Ano(s) 
Tempo estimado 
Uma aula.
Material necessário 

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

O ser humano sempre teve fascínio por um gênero da ficção científica calcado em viagens a lugares que pareciam impossíveis. Ainda no século 5 a.C., o sábio árabe AbuI Hassan Ali Al-Masudi sonhava com uma viagem ao redor da Terra - que na concepção dele duraria 500 anos. No século 19, quando essa viagem já era possível, o escritor francês Júlio Verne publicou o romance de ficção A volta ao mundo em oitenta dias. E atualmente o percurso nada tem de ficcional, podendo ser feito em menos de um dia. O mesmo aconteceu com as viagens tripuladas à Lua e com o envio de sondas controladas à distância para vários pontos do sistema solar.

De todos os sonhos da ficção científica, um se mantém ainda intransponível: a viagem ao centro da Terra. Reportagem de VEJA mostra que a possibilidade de conhecer de perto o núcleo do planeta está mais perto de se tornar realidade. Aproveite o texto para aprofundar e ampliar com a moçada alguns conhecimentos sobre a Terra.

Comece a aula conversando com a moçada sobre as dificuldades de uma viagem ao centro da Terra - mesmo que seja feita somente por aparelhos. Proponha que a classe leia a reportagem Viagem ao centro da Terra, publicada em VEJA. Em seguida, discuta, por meio dos tópicos abaixo, questões espaciais que envolvem a vida humana.

Diferença entre distância real e relativa
Pergunte aos alunos qual a distância entre a Terra e a Lua. Questione-os também sobre as distâncias entre nosso planeta e outros como Saturno, Netuno e Júpiter. A classe pode pesquisar, mas em uma primeira observação já ficará claro que a distância é muito maior do que o caminho a ser percorrido entre a superfície e o centro da Terra. Comente com a turma que a distância entre a crosta terrestre e o núcleo é de 6.400 Km, (descontando a espessura da crosta). Ir até o centro da Terra seria como percorrer duas vezes o caminho do Rio de Janeiro a Belém, no Pará.

Questione a classe, então, por que o homem já chegou à Lua, mas nunca foi ao centro do nosso planeta. Os alunos devem notar que, por enquanto, a tarefa é impossível. No caso da navegação a outros planetas, há caminhos livres. É necessário apenas ter naves e fontes de energia para abastecê-las. Já para a viagem ao centro do planeta, não há esses caminhos abertos, seria preciso produzi-los - e as condições para tal ação são extremamente complexas.
Mostre à turma que a discussão sobre a viabilidade de um deslocamento não se restringe à ideia de perto e longe. É preciso também levar em conta as condições de acessibilidade. A conclusão parece óbvia no caso dos planetas, mas é importante que a classe perceba que o mesmo raciocínio vale para deslocamentos nos espaços sociais construídos pelos seres humanos. Pergunte aos alunos se conhecem áreas próximas (em termos de distância), mas de difícil acesso. Ou o contrário. Peça que citem alguns exemplos.

Diferenças de espessura da crosta oceânica e da crosta continental
A reportagem da VEJA mostra que o poço mais profundo já perfurado na Terra pelo ser humano encontra-se na Rússia. Trata-se do poço da península de Kola. Ele possui 12.262 km. Comente com a classe que isso não significa que sua extremidade ficou mais perto do manto e pergunte por quê. Dê um tempo para que os alunos pensem e, em seguida, explique que a crosta terrestre é desigual. Em média, ela varia de 35 a 10 km. Nas cadeias montanhosas, porém, pode chegar a uma espessura bem maior.

Questione a turma, então, sobre o melhor lugar para iniciar uma perfuração rumo ao centro da Terra. A classe certamente perceberá que é melhor trabalhar nas áreas menos espessas da crosta. Pergunte quais seriam essas áreas. Para responder, é preciso primeiramente saber que a superfície do nosso planeta é um conjunto formado por dois segmentos bem distintos: a crosta continental e a crosta oceânica. A primeira é bem mais antiga que a segunda - que se formou recentemente, em termos de tempo geológico. A parte da crosta oceânica sobre a qual se instala o Oceano Atlântico, por exemplo, tem apenas 225 milhões de anos, enquanto na crosta continental da América do Sul encontram-se rochas de mais de 3 bilhões de anos.

Para que a turma amplie os conhecimentos sobre o tema, surgira duas pesquisas complementares:

1 Como se deu a formação recente da crosta oceânica? Um caminho seguro a seguir para levantar informações sobre esse processo é a teoria da Deriva Continental (que também é a teoria da formação dos Oceanos que conhecemos atualmente) e da tectônica de placas. Uma pista: os continentes foram se afastando e os intervalos foram preenchidos como?

2 Quais as características básicas desses dois segmentos da crosta (continental e oceânica) em relação aos seguintes aspectos: complexidade da estrutura de rochas e minerais; idade; espessura; densidade. Isso respondido, é possível entender porque a crosta oceânica é a melhor janela para se chegar ao manto terrestre.

As janelas para vermos o interior da Terra
A reportagem de VEJA mostra que sabemos (ou pensamos saber) muita coisa sobre a estrutura interna da Terra. Temos informações sobre as camadas que a compõe, a pressão dentro dela e sua temperatura. Sabemos também algo sobre sua dinâmica. Os passos de uma erupção vulcânica, por exemplo, já fazem parte do nosso repertório: o processo energético movimenta as placas tectônicas e o magma é expelido por condutos até a superfície.

Pergunte à classe como se conseguem todas essas informações se o homem ainda não chegou até o manto terrestre para examiná-lo. Dê um tempo para que os alunos discutam e explique que os dados são obtidos por meio de uma "janela sísmica". O procedimento pode ser comparado a um exame de sangue - no qual se descobre o que acontece no corpo sem ser necessário abri-lo para olhar. A estrutura interna da Terra e sua dinâmica são "vistas" indiretamente por meio da interpretação das ondas sísmicas.
Sua propagação (velocidade, direção, energia) é capaz de mostrar as condições materiais do interior do planeta. Por meio delas, é possível saber quais rochas estão em estado sólido e quais estão parcialmente fundidas. Pode-se saber também a profundidade em que elas se encontram.

Conclua com classe que, estudando a propagação das ondas sísmicas, se pode fazer um mapa do interior da Terra. Comente que a eficiência da sismologia - um campo do saber bastante sofisticado - pode ser uma das razões para que a observação direta do manto terrestre nunca tenha se tornado prioridade.

Para finalizar, peça que a turma debata a seguinte questão: essa janela direta que dará acesso ao manto terrestre, de fato, se justifica? Segundo o cientista consultado por VEJA, as principais intenções do projeto são comprovar ou corrigir o que sabemos por meio da janela sísmica, e melhorar nosso entendimento sobre a dinâmica de terremotos e vulcões. Questione se a classe concorda com tal ponto de vista.

Avaliação 

Observe o envolvimento da turma nas atividades propostas e verifique se entenderam os três tópicos debatidos.

Autor Nova Escola
Créditos:
Jaime Tadeu Oliva
Formação:
geógrafo e autor de livros didáticos.

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