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Shrek e a paródia dos contos de fadas

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 
  • Revelar a releitura que os filmes da saga Shrek fazem dos contos de fadas
  • entender a paródia como processo principal de identificação dos diálogos que se manifestam na série e os contos de fadas
  • revitalizar a capacidade de ler, ouvir e reconstruir os contos de fadas
Conteúdo(s) 
  • Língua Portuguesa
  • Teoria Literária
  • paródia
  • contos de fadas
  • cinema
Ano(s) 
Tempo estimado 
4 aulas
Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

VEJA desta semana traz uma matéria sobre Shrek para Sempre (2010), último filme da série, que retoma importantes contos de fadas por meio da paródia. Na arte em geral, muitas formas e conteúdos são retomados conforme o tempo passa. Os processos de retomada podem ser variados, mas o recurso da paródia talvez seja o mais usado: primeiro, porque é divertido e salienta o que mais chama atenção do objeto inspirador; segundo, porque é também uma forma de ampliar criticamente a reflexão sobre o assunto tratado. Proponha à turma uma retomada dos contos de fadas, pelas produções artísticas modernas.

Sobre os contos de fadas

O conto de fadas é uma variação do conto popular ou fábula. Partilha com estes o fato de ser uma narrativa curta, transmitida oralmente e no qual o herói ou heroína tem de enfrentar grandes obstáculos para triunfar contra o mal. Envolvem algum tipo de magia, metamorfose ou encantamento e, apesar do nome, animais falantes são muito mais comuns neles do que as fadas propriamente ditas. As histórias giram em torno de uma problemática espiritual/existencial/ética ligada à realização do indivíduo, basicamente por intermédio do amor.

Diferentemente do que se poderia pensar, os contos de fadas não foram escritos para crianças, muito menos para transmitir ensinamentos morais (ao contrário das fábulas). Em sua forma original, os textos traziam doses fortes de adultério, incesto, canibalismo e mortes hediondas.

As versões infantis de contos de fadas, hoje consideradas clássicas, devidamente expurgadas e suavizadas, teriam nascido quase por acaso na França do século 17, pelas mãos de Charles Perrault. Depois de aproximadamente cem anos, na Alemanha, os irmãos Grimm também efetuaram um trabalho de coleta de antigas narrativas populares e as transformaram em contos infantis. O dinamarquês Hans Christian Andersen, imbuído pelo espírito do Romantismo, escreveu cerca de duzentos contos infantis, parte retirados da cultura popular, parte de sua própria lavra. Na segunda metade do século 19, Lewis Carrol, autor de Alice no País das Maravilhas, renova os contos infantis - em lugar do sobrenatural, as narrativas recebem caráter nonsense racionalista.

Sobre a paródia

Paródia é um processo de intertextualização, com a finalidade de desconstruir ou reconstruir um texto. É uma imitação de uma composição literária, na maioria das vezes cômica, por usar a ironia e o deboche. Geralmente, é parecida com a obra de origem e apresenta sentidos diferentes; recupera a forma e modifica o conteúdo. Seu objetivo é adaptar a obra original a um novo contexto, passando diferentes versões para um lado mais despojado e aproveitando o sucesso da obra inspiradora para transmitir um pouco de alegria.

Uma característica peculiar da paródia é que seu conceito é relativo ao leitor, isto é, depende do receptor. Se o leitor não tem conhecimento da obra original, achará na obra parodística apenas uma série de disparates. O que o texto parodístico faz é exatamente uma reapresentação daquilo que havia sido recalcado. É uma forma de a linguagem voltar-se sobre si mesma. É um processo de liberação do discurso.

 

Comece a aula resgatando as lembranças da turma em relação aos contos de fadas já conhecidos, ouvidos em casa e na escola. Promova uma interação em que todos possam se manifestar, expressando o que os contos despertam nas crianças e nos adultos. Em seguida, liste as principais características do gênero em questão:

  1. Começam com uma situação real, mas podem ocorrer acontecimentos impossíveis, graças à interferência de poderes mágicos.
  2. Linguagem simples, já que nasceram como histórias orais.
  3. Presença de seres místicos como fadas e bruxas. Os personagens normalmente pertencem à realeza (príncipes e princesas, reis e rainhas) e o cenário está inserido em um espaço e tempo vagos (Era uma vez... Num reino tão, tão distante...).
  4. Os obstáculos ou provas constituem-se num verdadeiro ritual de iniciação para o herói ou heroína.


Em seguida, leve a turma à biblioteca da escola para pesquisar diferentes contos de fadas. Se a escola não possuir nem biblioteca nem acervo de livros, procure uma biblioteca pública. Escolha diferentes histórias e distribua os livros entre os alunos para que façam a leitura. Sorteie alguns alunos para que leiam em voz alta.

2ª etapa 

Retome as leituras feitas anteriormente e discuta as características comuns presentes nos textos. Em seguida, use o recurso audiovisual para apresentar à turma algumas cenas dos filmes Shrek (procure cenas que recuperam claramente elementos originais dos contos de fadas por meio de falas, situações, personagens e cenários). Discuta com os alunos cada cena, mostrando como retomam os contos por meio da paródia.

Elabore com a turma um painel com o registro das semelhanças e diferenças presentes nas cenas em relação aos contos de fadas estudados. Aproveite esse momento para explicar o conceito de paródia por meio dos exemplos presentes na animação.

3ª etapa 

Na terceira aula, proponha a produção de paródias dos contos de fadas lidos pelos alunos. Tendo as cenas do filme Shrek como exemplo, cada aluno deverá produzir um texto parodístico do conto de fadas que leu e analisou nas duas aulas anteriores. Oriente para que a turma considere as etapas da produção de texto: planejamento, esboço, revisão e primeira versão. Ao final, recolha os textos para as correções.

4ª etapa 

Devolva os textos corrigidos aos alunos para que produzam a versão final das paródias. Faça um círculo com as carteiras da sala para as apresentações. Se preferir, use outro ambiente da escola. Para encerrar, monte um painel com as paródias e os respectivos contos de fadas.

Avaliação 

Considere as leituras dos contos de fadas e as análises feitas das cenas de Shrek levando em consideração a compreensão do conceito de paródia. Observe se a turma conseguiu o uso desse recurso nas obras apresentadas. Avalie o processo de produção dos textos parodísticos dos contos de fadas e as apresentações finais.

Quer saber mais?

COELHO, Nelly Novaes. O conto de fadas: símbolos mitos arquétipos. São Paulo: Divisão Cultural do Livro, 2003.
SANT'ANNA, Affonso Romano. Paródia, Paráfrase e Cia. São Paulo: Editora Ática, 1985.
Assista aos outros filmes: Shrek (2001), Shrek 2 (2004) e Shrek Terceiro (2007).

 

Autor Nova Escola
Créditos:
Patrícia Rodrigues Alves Lage
Formação:
Mestranda em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP e professora de Língua Portuguesa da Escola Técnica Walter Belian - Fundação Antonio e Helena Zerrenner

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