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Relações entre educação, investimento em tecnologia e desenvolvimento econômico da China

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 
  • Explicar a relação entre educação, investimento em tecnologia e desenvolvimento econômico da China
Ano(s) 
Material necessário 
Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução
O desenvolvimento chinês está voltado principalmente para os setores de ciência e tecnologia. A condição sine qua non do processo é o investimento maciço em educação dirigida a essas áreas. Se por um lado o modelo trouxe benefícios imediatos para a terra dos mandarins, por outro ainda é cedo para identificar as conseqüências a longo prazo. O confronto com as condições do Brasil pode gerar bons debates com a garotada.

Para seus alunos

 

Atividades

Explique que, no mundo atual, marcado por novas formas de produção cultural e de dominação econômica, o progresso científico e a inovação tecnológica são fundamentais. Embora um nem sempre esteja diretamente atrelado ao outro, é difícil distinguir claramente suas fronteiras. Desde o período paleolítico até meados do século XVII, os grandes feitos da humanidade não foram construídos com base em princípios científicos e fórmulas matemáticas, mas por "mestres" que se valiam da experiência prática acumulada. Desde o final do século XVIII, no entanto, e sobretudo após a Revolução Industrial, ciência, tecnologia e sociedade caminham juntas.

Converse com a classe sobre algumas relações entre ciência, cultura e desenvolvimento social. Assinale os pontos extremos - caso da busca da aplicação imediata e o estudo da ciência sem fim prático, em que se destacam alguns exemplos, como o da Matemática pura. Aborde a questão da necessidade de mão-de-obra qualificada e o papel da escolarização para atingir esse objetivo. Discuta a importância da inovação tecnológica e pergunte como ela pode ser incrementada.

Oriente a conversa para o universo dos alunos. Que profissões eles pretendem seguir e por quê? Quais fatores podem influenciar essa decisão: dinheiro, satisfação pessoal, pressão familiar ou de amigos, falta de opção? Suas escolhas são semelhantes às dos estudantes chineses? Faça uma relação das profissões pretendidas e agrupe-as por áreas de estudo (Ciências Humanas, Ciências da Natureza, Matemática e Linguagens e Códigos, por exemplo). Quais delas podem contribuir para o desenvolvimento científico e tecnológico?

2ª etapa 

VEJA afirma que a China vai destinar 2,5% do PIB para a pesquisa em áreas estratégicas de ciência e tecnologia, como nanotecnologia e tecnologia da informação. Encomende uma pesquisa sobre as tecnologias de ponta em áreas estratégicas liste os setores aos quais eles destinariam recursos para pesquisa e desenvolvimento tecnológicos - biotecnologia, tecnologia espacial, robótica, fontes alternativas de energia, meio ambiente etc. Quais seriam os critérios empregados para direcionar tais aportes? Distribua cópias do "Quadro Comparativo entre Brasil e China" (acima) para a turma. Juntamente com os números da revista relativos à educação no Brasil e na China, ele traz informações suficientes para uma boa discussão comparativa dos caminhos adotados pelos dois países. O investimento público em educação é proporcionalmente maior no Brasil, mas os frutos disso são inferiores àqueles obtidos pelos chineses. O que está errado, então?

Em seguida, pergunte como é possível avaliar a produção científica de um laboratório ou de uma nação. Explique que a Organização das Nações Unidas (ONU) baseia-se no Índice de Avanço Tecnológico, que envolve a criação e difusão de tecnologias e capacidade humana para participar nas inovações tecnológicas. Revele que, segundo esse critério, o Brasil encontra-se abaixo da média latino-americana. No Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), exame aplicado a estudantes de 15 anos em cerca de 40 países, os brasileiros ficaram em penúltimo lugar nas provas de Ciências, enquanto os chineses conquistaram a terceira posição em 2003. Que ações a garotada sugere para reverter essa situação vexatória?

Um dos aspectos que se sobressaem na orientação do jovem chinês é o estímulo para estudar fora, sonho compartilhado pela maioria dos pesquisadores brasileiros. Mesmo aqueles que têm seus estudos financiados pelo Estado, em escolas e universidades públicas, buscam realizar cursos de pós-graduação em países desenvolvidos e, quem sabe, ficar por lá. Examine com a classe os aspectos éticos envolvidos nessa opção. Vale a pena investir na formação de indivíduos que vão trabalhar no estrangeiro? Qual o retorno desse investimento para nosso país? Apresente o quadro "Expoentes da Física", (abaixo) para discutir até que ponto isso beneficiou a nação oriental. O que é possível fazer para trazer de volta ao Brasil nossos melhores cientistas, hoje dispersos em universidades e centros de pesquisa internacionais? As estratégias usadas pela China são aplicáveis aqui?

Para seus alunos

Expoentes da Física
Berço de descobertas importantes para a humanidade, a China destacou-se no século XX com nomes ligados à pesquisa científica, sobretudo na área da Física, que acabaram ganhando o Prêmio Nobel. Todos eles, por tradição ou necessidade, estudaram fora do país, mas mantêm, de algum modo, laços com sua origem chinesa.

Fotos: Philippe Caron/Sygma/Corbis/STOCK PHOTOS; Robert Jeager/APA/Corbis/STOCK PHOTOS; Kevin Fleming/Corbis/STOCK PHOTOS; Maiman Rick/Sygma/Corbis/STOCK PHOTOS   Tsung Dao Lee (ao lado) e Chen Ning Yang conquistaram o Nobel de Física de 1957 por pesquisas sobre as Leis da Paridade e pela obtenção de importantes descobertas relativas a partículas elementares. O primeiro é cidadão americano, enquanto Yang leciona na Universidade de Tsinhua, em Pequim
     
Fotos: Philippe Caron/Sygma/Corbis/STOCK PHOTOS; Robert Jeager/APA/Corbis/STOCK PHOTOS; Kevin Fleming/Corbis/STOCK PHOTOS; Maiman Rick/Sygma/Corbis/STOCK PHOTOS   Daniel C. Tsui nasceu e estudou na província de Henan, na China, depois em Hong Kong. Cursou a universidade nos Estados Unidos, onde vive até hoje. Dividiu o Nobel de Física de 1998 com um cientista alemão e outro americano pela descoberta de uma nova forma de fluido quântico
     
Fotos: Philippe Caron/Sygma/Corbis/STOCK PHOTOS; Robert Jeager/APA/Corbis/STOCK PHOTOS; Kevin Fleming/Corbis/STOCK PHOTOS; Maiman Rick/Sygma/Corbis/STOCK PHOTOS   Samuel C. C. Ting nasceu acidentalmente nos Estados Unidos, mas estudou na China até os 20 anos de idade. Depois completou seus estudos em universidades americanas. Recebeu o Nobel de Física de 1976 junto com um americano por trabalhos pioneiros na descoberta de um novo tipo de partículas pesadas


Fotos: Philippe Caron/Sygma/Corbis/STOCK PHOTOS; Robert Jeager/APA/Corbis/STOCK PHOTOS; Kevin Fleming/Corbis/STOCK PHOTOS; Maiman Rick/Sygma/Corbis/STOCK PHOTOS

Também merece destaque o custo ambiental do desenvolvimento tecnológico. Nos anos 1970, durante a ditadura militar, um presidente brasileiro chegou a afirmar que poluição é sinal de progresso. A turma imagina quem foi? Sabemos que a China é, hoje, um dos maiores degradadores da natureza. Converse sobre os riscos ecológicos gerados pelo desenvolvimento desenfreado e como eles podem ser minimizados.

Para seus alunos

Matemática pura
O empenho chinês não está voltado apenas às ciências capazes de dar frutos tecnológicos. No início deste ano, o Asian Journal of Mathematics anunciou a resolução completa da Conjectura de Poincaré (veja a indicação de site abaixo) por dois matemáticos chineses, Zhu Xiping e Cao Huaidong. Enunciado em 1904, esse problema está relacionado a espaços topológicos n-dimensionais. Mesmo sem aplicação prática imediata, a demonstração da conjectura pode valer o prêmio de 1 milhão de dólares estabelecido pelo célebre Instituto Clay de Matemática e ainda ajudar na compreensão da forma do Universo.

O site www.ims.cuhk.edu.hk/~ajm/vol10/10_2.pdf traz a resolução da conjectura de Poincaré

 

Quer saber mais?

INTERNET

 

 

Autor Nova Escola
Créditos:
Gustavo Isaac Killner
Formação:
Professor de Física do Colégio Santa Cruz, de São Paulo

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