Aqui você pode pesquisar e adaptar planos já existentes

 


Protagonistas da independência do Brasil

Publicado por 
novaescola
Conteúdo(s) 

Objetivos
Conhecer a trajetória de alguns atores do processo de independência do Brasil

Conteúdos
Independência do Brasil; intervenção dos homens nos processos históricos,

Tempo estimado
Duas aulas

Introdução
Filmes, séries e novelas para a televisão costumam ter heróis e vilões, protagonistas, coadjuvantes e figurantes. O mesmo acontece no cenário histórico, como evidencia o "livro-reportagem" 1822, do jornalista Laurentino Gomes, um acompanhamento fascinante dos episódios da independência do Brasil. A resenha da obra publicada em VEJA apresenta alguns dos personagens destacados no livro, caracterizados pelo autor como a "princesa triste" Maria Leopoldina, o "homem sábio" José Bonifácio de Andrada e Silva e o almirante Thomas Cochrane, "um escocês louco por dinheiro". Enquanto 1822 não chega às mãos de seus alunos, aproveite a revista e este plano de aula para seguir com a turma a trajetória de diversos atores, individuais e coletivos, da construção de um Brasil soberano.

Desenvolvimento

1ª aula
Peça que os alunos leiam a reportagem "Quando a História é uma delícia", publicada em VEJA. Em seguida, acompanhe com a turma a trajetória de algumas figuras associadas à marcha para a independência do Brasil: os principais representantes brasileiros nas Cortes de Lisboa.

Faça circular para discussão esta pequena cronologia dos acontecimentos de 1822 que conduziram à ruptura entre o Brasil e Portugal.

Cronologia

Janeiro. No dia 9, o "Dia do Fico", D. Pedro decide permanecer no Brasil, sem acatar a decisão das Cortes (Assembleia Constituinte) sobre seu regresso a Portugal.

Fevereiro. Criação do Conselho de Procuradores-Gerais das Províncias do Brasil, encarregado de examinar as medidas das Cortes e a viabilidade de sua aplicação no país.

Abril. D. Pedro decreta que decisões das Cortes só seriam aplicadas no Brasil com a sua concordância expressa.

Junho. No dia 3, D. Pedro convoca uma Constituinte para o Brasil.

Agosto. No dia 1º, é promulgado um decreto considerando inimigas as tropas portuguesas que desembarcassem no Brasil. No mesmo dia, é lançado um manifesto "aos povos deste reino" que menciona abertamente a independência. No dia 6 é lançado outro manifesto, dirigido "às nações amigas", exigindo a independência política do Brasil, "como reino irmão de Portugal".

Setembro.
No dia 23, as Cortes estabelecem a Constituição da nação portuguesa, considerando o Brasil como parte integrante desta. Mas, desde o dia 7, o Brasil já estava formalmente independente.

Entendida a cronologia, detalhe o tema. Para que a moçada compreenda a trama política da época, conte a eles os feitos de alguns coadjuvantes da independência, que mais tarde seriam atores principais no cenário político. Para começar, informe que, das 205 cadeiras das Cortes, 75 estavam reservadas a brasileiros e foram ocupadas umas 50. Pergunte à turma: a desigualdade na representação política permitia a elaboração de um texto constitucional que contemplasse de maneira equitativa os interesses de brasileiros e portugueses e conservasse unidos os dois povos?

Chame a atenção para a presença da Revolução Pernambucana de 1817 na biografia política dos representantes brasileiros (para saber mais sobre esse episódio, acesse os sites ao final deste plano). Quase todos os integrantes da bancada pernambucana haviam tido ligações com esse movimento, e um deles, o padre Francisco Moniz Tavares, ficara muitos meses nos calabouços da Bahia. Outro representante pernambucano, Pedro de Araújo Lima, que tinha em 1821 menos de 28 anos, mais tarde seria regente do Império.

A participação na Revolução Pernambucana também fazia parte do currículo do médico e jornalista Cipriano Barata, da bancada baiana. Federalista e republicano, adepto da ruptura com Portugal, ele havia iniciado sua trajetória revolucionária com o envolvimento na Conjuração Baiana de 1798. Um de seus pronunciamentos nas Cortes de Lisboa tornou-se célebre: "Desde agora protesto que enquanto existir na Bahia um europeu de farda com baioneta ou espada, não assino a Constituição porque me julgo coagido e em guerra".

De volta ao Brasil - sem ter assinado a Constituição portuguesa -, Cipriano Barata fixou-se em Pernambuco. Em 1823 foi eleito pela Bahia para a Constituinte, mas recusou-se a integrar a Assembleia, que exerceria suas funções "cercada por baionetas". No mesmo ano lançou o jornal Sentinela da Liberdade na Guarita de Pernambuco. A partir daí, a publicação mudaria de nome segundo a localização do cárcere de seu editor. Por exemplo, preso depois da Confederação do Equador, em 1824 - da qual não participou -, Barata mudou o nome do jornal para Sentinela da Liberdade na Guarita de Pernambuco Atacada e Presa na Fortaleza do Brum por Ordem da Força Armada e Reunida.

A bancada paulista, por sua vez, salientava-se pela coesão e clareza política. Dois de seus seis integrantes - Nicolau Pereira Vergueiro e o padre Diogo Antônio Feijó - foram mais tarde regentes do Brasil. Tinha como líder Antônio Carlos Ribeiro de Andrada e Silva, irmão de José Bonifácio. Também participante da Insurreição Pernambucana de 1817, Antônio Carlos passou quatro anos na prisão, sendo libertado em decorrência da Revolução do Porto. Foi um dos parlamentares que se recusou a assinar a Carta portuguesa. Foi Constituinte no Brasil em 1823. Quando as tropas de D. Pedro I fecharam a Constituinte, Antônio Carlos saudou ironicamente os canhões, legítimos representantes do imperador. Depois partiu para o exílio com seus irmãos José Bonifácio e Martim Francisco de Andrada e Silva.

Pergunte aos alunos: Quais desses personagens eram os mais apaixonados? Quais os mais devotados à causa da independência? Quais revelavam o equilíbrio característico dos estadistas? Enfatize o alcance da convocação em junho de 1822 de uma Constituinte no Brasil: ela forneceu aos parlamentares brasileiros o melhor argumento para não assinar a Carta portuguesa, pois suas disposições poderiam eventualmente se chocar com as que viessem a ser adotadas pela Constituição brasileira.

Lembre que houve também protagonistas coletivos do processo de independência, como o povo baiano, que reforçou as tropas de D. Pedro na luta contra o general português Madeira de Melo. Conte um pouco sobre a guerra de independência na Bahia, com destaque para a batalha de Pirajá, em novembro de 1822, vencida pelos brasileiros, e figuras das camadas populares como a baiana Maria Quitéria, que participou dos combates usando o nome de "soldado Medeiros".

2ª aula
Na segunda aula, proponha uma discussão em torno da visão histórica do livro de Laurentino Gomes, que fica clara na reportagem de VEJA.

Chame a atenção da moçada para dois trechos da resenha. No primeiro, há uma critica à perspectiva de uma história "despida de seus personagens e episódios fundadores, para dar lugar à visão segundo a qual esta é principalmente fruto de 'processos inexoráveis' (...). Como se os indivíduos não passassem de títeres movidos por engrenagens econômicas e políticas autônomas das vontades e paixões humanas. Trata-se, evidentemente, de um subproduto da ideologia marxista vulgarizada pela universidade brasileira". No segundo, sugere-se que "enquanto nos ambientes universitários a história continua a ser desidratada pelo método marxista, ela volta a ganhar humanidade, com protagonistas corajosos e covardes, ricos e miseráveis, mesquinhos e generosos, em obras como as de um divulgador como Laurentino Gomes".

O que os alunos entendem dessas afirmações? Faz sentido a crítica à vulgarização universitária da ideologia marxista? Será que essa observação se aplica ao próprio Marx? Para que os estudantes possam responder, peça que comparem as seguintes frases:

"As pessoas fazem a história, mas raramente se dão conta do que estão fazendo".

"Os homens fazem a história, mas não sabem que a fazem".

"Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem segundo a sua livre vontade; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado".

Explique que a primeira passagem foi escolhida por Laurentino Gomes como epígrafe de seu livro anterior, 1808; a segunda é uma frase de Karl Marx, e a terceira encontra-se no texto de Marx O 18 Brumário de Luís Bonaparte. As duas primeiras são bem semelhantes; existe uma oposição radical entre elas e a terceira citação?

Dê um tempo para que a turma reflita e explique que, em O 18 Brumário, Marx examina a ascensão de Luís Bonaparte na França depois da Revolução de 1848, contrapondo-a ao processo revolucionário de 1789 - 1794. Sua perspectiva é apresentada na bem conhecida abertura do livro: "Hegel observa em uma de suas obras que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa". Esta passagem irônica, que serve de mote para a comparação entre a epopeia de Napoleão e seu medíocre sobrinho Luís Bonaparte, pode ser tudo, menos "marxismo desidratado". Outro exemplo: "(...) só faltava uma coisa para completar o verdadeiro caráter dessa república: tornar permanente o recesso [da Assembleia Nacional] e substituir a Liberté, Égalité, Fraternité, pelas palavras inequívocas: Infantaria, Cavalaria, Artilharia!". A leitura deste texto vai mostrar aos jovens que a análise marxista pode ser viva e dinâmica, sem nada da insipidez de suas versões universitárias.

Avaliação
Com a discussão sobre as decisões de 9 de janeiro a 7 de setembro de 1822, a classe deve perceber que antes do Grito do Ipiranga o Brasil já estava independente. Uma data emblemática: a convocação de uma Constituinte em 3 de junho de 1822, destinada a organizar politicamente a nação brasileira. Trata-se de um ato de um povo soberano.

Com as discussões sobre os brasileiros nas Cortes de Lisboa, os alunos devem conhecer melhor alguns coadjuvantes dos eventos da independência, que mais tarde seriam atores principais no cenário político, como o padre Feijó. Elas confirmam a tese de que a análise dos fatos históricos deve considerar aspectos como a paixão e a disposição a lutar até o fim por convicções políticas.

Quer saber mais?

Internet

MARX, Karl. O 18 Brumário de Luís Bonaparte.
Acesso em: 3 set. 2010. 

Autor Nova Escola
Créditos:
Carlos Eduardo Matos
Cargo:
Consultoria
Formação:
jornalista e editor de livros didáticos e paradidáticos

COMPARTILHAR

Alguma dúvida? Clique aqui.