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Produção do conhecimento histórico

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Perceber aspectos da produção do conhecimento histórico.

Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem da Veja:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

O livro didático que você ou sua escola adotou para ensinar História traz uma interpretação da saga humana - e não uma verdade definitiva, completa, inquestionável. Por isso existem outros livros da disciplina. Eles contam, situam e analisam os mesmos fatos de modo diverso. Em certo sentido, é disso que trata a resenha que Renato Pompeu de Toledo escreveu para VEJA. Esta aula vai despertar em seus alunos um olhar mais crítico sobre o conhecimento histórico.

Marcas do tempo
Foi no século XIX que a História alcançou contornos de disciplina, ofício de especialista, profissão. A partir de então, ela passou a estabelecer objetivos minimamente científicos e didáticos. Surgiram formas mais organizadas de ver, analisar, compreender e interpretar o passado e o presente. O termo "história" ganhou dois significados distintos: o res gatæ, ou a realidade do processo histórico vivido; e o rerum gestarum, ou a reconstrução e a descrição dessa realidade vivida no passado - hoje conhecida como historiografia. É justamente na produção historiográfica que residem a riqueza, a polêmica e as incertezas dessa ciência.

A historiografia carrega as marcas de seu tempo: cada momento histórico e cada geração de historiadores escreve sua própria representação do passado. Assim, as afirmações e verdades construídas em dado período são provisórias. Tratam-se de concepções e afirmações parciais, que podem ser consagradas, reafirmadas, reutilizadas, superadas ou até recusadas posteriormente. Também é verdade que a produção historiográfica de um mesmo período pode - e deve - se contrapor, antagonizar, acumular e lançar diversos olhares sobre o passado. Tome como exemplos os livros de Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e Caio Prado Jr. As concepções históricas são determinadas também por fontes documentais, que podem apresentar adulterações. Cabe ao historiador verificar a autenticidade dessas fontes.

Leia com atenção a resenha "Retratos do Brasil" e o texto de apoio e discuta com a classe por que o jornalista de VEJA ressalta a maleabilidade das teses explicativas sobre o Brasil. Destaque o trecho a seguir: "(...) surge um interessante painel em que uma teoria se contrapõe a outra, ou a completa, ou engole a outra. Ou, como quer o autor, surge uma visão poliédrica do país".

2ª etapa 

Mostre aos alunos o texto abaixo, extraído do ensaio Os Livros que Inventaram o Brasil (Novos Estudos Cebrap nº 37), de Fernando Henrique Cardoso: "(...) se alguém for pensar hoje sobre as contribuições básicas para a interpretação do Brasil, esses três autores [Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Jr. e Gilberto Freyre] estarão no Pantheon dos notáveis. (...) Tratam-se de autores com contribuições muito díspares (...). Embora seus livros principais tenham sido escritos proximamente uns dos outros, especialmente o do Sérgio Buarque e o do Gilberto Freyre (...), e, portanto, estavam reagindo ao mesmo clima intelectual e político, eles analisam o país de ângulos diferentes. Não obstante, surgem numa mesma leva de pensamento e foram motivados pela mesma matriz que originou esse esforço para repensar o Brasil".
O que o autor quis ressaltar com o título do texto? Pergunte aos alunos.
Peça-lhes para analisar a afirmação de que os livros foram escritos na mesma época, partem de uma só matriz histórica mas produzem visões díspares.

3ª etapa 

Divida a turma em três grupos. Cada grupo pesquisará um dos itens abaixo e apresentará suas conclusões na sala de aula.
Como Caio Prado Jr. explica o "sentido" da colonização portuguesa no Brasil? Qual a relação do historiador com a idéia de colonização "tropical"?
Para Gilberto Freyre, a questão da miscigenação cultural e étnica foi determinante para a construção da sociedade brasileria. Essa idéia proporcionou a noção da existência de uma "democracia racial" no país. O grupo deve examinar a postura teórica do autor e a existência dessa democracia.
Sérgio Buarque formulou o conceito do "homem cordial", importante para a compreensão de nossa realidade social. Como o grupo explica a idéia central do conceito? Que relação há entre ela e a organização da sociedade nacional?

4ª etapa 

Mostre à classe a fotografia de Fidel Castro e Augusto Pinochet - não, não é montagem! - no quadro abaixo. Encomende de cada aluno dois comentários sobre o fato ali retratado. O primeiro texto deve levar em conta a época e o contexto em que esse encontro ocorreu. O segundo exige uma certa dose de abstração: peça para os estudantes imaginarem que a foto foi tirada hoje. A cena seria possível? Em que circunstâncias?

DUAS REVIRAVOLTAS DA HISTÓRIA

Chile, 1971: o cubano Fidel Castro visita o socialista Salvador Allende, então presidente chileno, e posa ao lado do general Augusto Pinochet - que daria um golpe em 1973, instituindo uma ditadura de extrema direita no país. Fidel baniu a foto de Cuba

Foto: O Globo

Brasil, 1961: Jânio Quadros condecora o terrorista Ernesto Che Guevara com a Ordem do Cruzeiro do Sul - a mais alta comenda nacional. Após renunciar à presidência, Jânio viveu no exterior e voltou à política para eleger-se prefeito de São Paulo, combatendo a esquerda 

Veja também:

BIBLIOGRAFIA
Raízes do Brasil
, Sérgio Buarque de Holanda, Cia. das Letras, tel.: (11) 866-0801

 

Autor Nova Escola
Créditos:
José Geraldo Vinci de Moraes
Formação:
Historiador e professor da UNESP

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