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Por que somos um país de rodovias?

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

- Analisar as malhas rodoviária e ferroviária no Brasil.
- Comparar nosso sistema ferroviário ao de outros países do mundo.
- Investigar as vantagens e as desvantagens do sistema de rodovias e do sistema de ferrovias em nosso país.
- Compreender por que somos um país de rodovias.

Conteúdo(s) 

- Rodovias e ferrovias brasileiras.
- Sistema rodoviário X sistema ferroviário.
- Infraestrutura de transportes no Brasil.

 

Ano(s) 
Tempo estimado 
Três aulas
Material necessário 

Cópias da reportagem "O golpe do pedágio barato" (Veja, ed. 2243, de 16 de novembro de 2011) para todos os alunos.

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução
Veja desta semana denuncia uma série de contratempos nas obras das rodovias federais do Brasil. O foco da reportagem está nas rodovias que são concessões de várias empresas privadas, responsáveis pela administração e investimentos novos nas estradas, com recursos provenientes da cobrança de pedágios. Os problemas apontados pela revista são mais um capítulo da novela da péssima qualidade das rodovias do Brasil - infraestrutura privilegiada historicamente como o principal meio de transporte de bens econômicos. Privilegiada e quase única, já que a malha de ferrovias não é digna desse nome. Diante desse quadro, já é um senso comum afirmar-se que é um absurdo que um país de extensão continental como o nosso tenha negligenciado de tal forma o transporte ferroviário. Embora muito repetido, esse "chavão" não sensibilizou e não sensibiliza os diversos governos. A obsessão pelas rodovias continua inabalável. De fato, tudo isso faz algum sentido? Discuta o assunto, em sala, com a turma.

Comece explicando aos alunos que nas próximas aulas vocês irão analisar a infraestrutura brasileira de transporte de cargas e de bens que movimentam a economia do país. Tome como ponto de partida o chavão de que "é um absurdo pensar que um país do tamanho do Brasil tenha negligenciado o transporte ferroviário, optando pelas rodovias". Os alunos concordam com essa afirmação? Com base nas respostas e na leitura coletiva da reportagem de Veja, organize uma aula expositiva sobre as distâncias entre os estados brasileiros e o transporte ferroviário X o rodoviário.

O primeiro ponto de discussão refere-se ao funcionamento dos trens em relação às distâncias geográficas: o Brasil é, de fato, um país de enormes distâncias geográficas, portanto, a opção pelas ferrovias seria a mais adequada para a integração econômica e regional. O que vale a pena discutir com a turma é justamente a associação mais ou menos automática que se faz por aqui, em especial nas aulas de Geografia, de que desperdiçamos o potencial ferroviário em detrimento da construção de rodovias.

Os países em que o modo de transporte rodoviário é bastante relevante possuem vários tamanhos e configurações de territórios. Nesta etapa, uma atividade interessante é a de listar alguns deles e pedir que os alunos caracterizem seus territórios, quanto ao tamanho e outras características do meio físico. Um exemplo: o Japão. Neste país asiático o transporte ferroviário é muito disseminado e avançado tecnologicamente. No entanto, seu território mal corresponde à extensão de um estado brasileiro como o Maranhão. Lá, as distâncias não são tão grandes. Por outro lado, o território japonês é muito entrecortado pela sua condição de arquipélago formado por ilhas vulcânicas, seu relevo é bastante irregular e a base geológica é muito instável. Sem contar que o clima é marcado por invernos rigorosos. Nenhum desses fatores geográficos são empecilhos para o funcionamento eficiente das ferrovias japonesas.

Você pode propor aos alunos que estendam a discussão investigando como são as rodovias em outros países: Alemanha, França, Itália, Grã-Bretanha, Rússia, Índia, China. Diversos tamanhos de território, diversas condições naturais, diversas condições socioeconômicas.

O ideal é dividir a turma em grupos, levar os alunos para a biblioteca ou para a sala de informática e reservar um tempo para que pesquisem as informações sob a sua orientação. Espera-se que os alunos percebam a flexibilidade desse meio de transporte em diversas condições territoriais.

Um bom exemplo da eficiência e da flexibilidade do modo ferroviário em diversas condições espaciais é o uso dos trens no meio urbano. A princípio, lugares de pequenas dimensões territoriais, muito edificados e com maior densidade demográfica poderiam mostrar-se incompatíveis com esse meio de transporte de curso fixo e de grande porte.

Mas a realidade mostra que cidades que têm nos trens de superfície ou subterrâneos um meio importante de deslocamento são aquelas em que a circulação da população urbana é de melhor qualidade.

2ª etapa 

Relembre com a turma as informações vistas na aula anterior e continue a discutir com os alunos as vantagens do transporte ferroviário de longas distâncias. Retome a reportagem de Veja, cujo tema é o sistema rodoviário federal. Esse sistema é o nosso principal e quase único meio de transporte de mercadorias em grandes distâncias geográficas. Por isso cabe comparar este sistema com um suposto sistema ferroviário nacional. Liste com a turma, na lousa, as vantagens comparativas que costumam se afirmar sobre o modelo ferroviário.

Questione os alunos sobre o porquê das vantagens, aqui pensadas apenas no que diz respeito ao transporte de bens econômicos e não de passageiros:

1. Os trens podem transportar grandes quantidades de mercadorias, mas também mercadorias de muito peso e de grande volume, tudo de uma só vez, podendo percorrer grandes distâncias. Isso torna o frete (o preço do transporte) mais barato. Pergunte aos alunos se eles conseguem comparar essa situação de transporte de cargas, mas em relação ao transporte rodoviário.

2. Embora a construção de uma ferrovia possa demandar, em um primeiro momento, um maior investimento, o custo de manutenção é muito inferior ao das estradas de rodagem. E a estrada de ferro tem maior durabilidade, tanto do seu leito, quanto dos equipamentos. Isso, se comparados aos empregados nas estradas.

3. As ferrovias são muito menos suscetíveis a congestionamentos. Um sistema bem organizado sempre permitirá um fluxo sem interrupções, com uma programação de tempo muito mais segura. Vale pensar na estrutura rodoviária nesse aspecto. Como ela funciona? A que variáveis está submetida?

4. As ferrovias podem, com muito mais facilidade, usar como fonte de energia a eletricidade. Isso no caso de nosso país é muito vantajoso - tanto pela diminuição significativa de emissão de gases, quanto pelo custo da energia em nosso país e o fato de ela poder vir de fontes renováveis.

5. Todos os tipos de controle necessários à circulação de mercadorias (fiscal, saúde, qualidade do transporte etc.) são facilmente assegurados no transporte ferroviário - diferentemente do que ocorre com os caminhões no sistema rodoviário. Lembre os alunos de que esse dado é muito importante para o regramento das relações econômicas no país.

6. O transporte ferroviário pode ser projetado para ficar associado a uma série de entrepostos no sistema portuário do Brasil, quando tratarmos da exportação de mercadorias. É totalmente viável, no caso de transportes de grãos e minérios, a construção de terminais especiais em portos onde seria possível transferir diretamente a carga dos vagões para os porões dos navios. Como nem sempre isso é viável, uma boa atitude de planejamento seria criar depósitos bem posicionados a partir dos quais os caminhões pudessem completar o transporte para o destino final, sempre em distâncias máximas de 300 km. Muitos acham que nessas condições o transporte via caminhões seria o mais indicado. Mesmo porque, a ferrovia não é um meio que possa realizar o transporte ponto a ponto. Daí a necessidade de um meio de transporte complementar.
Solicite que os alunos anotem os principais pontos discutidos em aula no caderno e informe que, na próxima aula, você falarão mais sobre a malha ferroviária brasileira.

3ª etapa 

Continue a discutir as ferrovias no Brasil com a turma. Lembre que a malha ferroviária do Brasil tem várias carências: cobertura territorial muito insuficiente (como pode ser verificado no mapa abaixo), problemas graves de funcionalidade etc. Uma disfuncionalidade absurda (e das mais citadas) é a falta da padronização das bitolas (largura entre os trilhos, que implica em adaptação dos trens) nas junções das malhas férreas.

Mapa das ferrovias brasileiras. Fonte: THÉRY, Hervé; MELLO-THÉRY, Neli A. Atlas do Brasil: Disparidades e dinâmicas do território. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2005, p. 205
Mapa ferroviário do Brasil. Fonte: THÉRY, Hervé; MELLO-THÉRY, Neli A. Atlas do Brasil: Disparidades e dinâmicas do território. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2005, p. 205.

Pergunte à turma por que isso teria acontecido? Construções em tempos diferentes, falta de projeto um nacional comum e problemas ligados à corrupção são as principais causas desse déficit de eficiência no sistema ferroviário do país.
Porém, a grande questão é: se notoriamente o transporte ferroviário mostra tantas vantagens o que teria impedido o Brasil de ter trilhado esse caminho? Não há discussão a respeito que não envolva a tentativa de esclarecer a opção pelo rodoviarismo.

As rodovias estão nas entranhas do Brasil moderno, tanto nas áreas urbanas, como ao longo do território. Um exemplo contemporâneo mostra a força dessa opção ainda muito presente em nossos dias: com a crise que econômica que se instalou (e ainda está longe de ser debelada) no mundo globalizado (nos EUA, na Europa etc.), o setor industrial automobilístico foi fortemente afetado em várias partes do mundo, mas não no Brasil. Ao contrário, em nosso país, nos momentos mais agudos da crise, as indústrias automobilísticas conseguiram lucros superiores às fases de crescimento econômico da economia global. Isso, porque o governo brasileiro concedeu uma série de benefícios e de isenções fiscais às empresas e aos compradores. Muitos caminhões foram comprados para o transporte de longa distância e o mesmo fenômeno se deu no espaço urbano, onde a automobilização é um modo de vida que ofusca qualquer ação mais efetiva pelo transporte coletivo ferroviário.

Explique aos alunos que a opção pela construção de rodovias no país é evidente em todos os planos e escalas geográficas dos meios de transporte. Não parece ser algo que parte apenas dos meios governamentais. Afinal, todas as iniciativas favoráveis às ferrovias são criticadas de um modo e de outro, por motivos diversos (como por exemplo: construção da Ferrovia Norte-Sul, pretensão da construção do trem bala, preferência governamental e social em construir vias rodoviárias de acesso a aeroportos e não vias ferroviárias etc.).Vale a pena pensar nisso com a turma: o quanto, de fato, a sociedade brasileira - e o setor econômico - reivindicam? O meio ferroviário ou mais rodovias?

Para concluir a análise, retome os grupos divididos na primeira aula e peça que os alunos pesquisem, em casa, alguns aspectos facilitadores do rodoviarismo. Por exemplo:

1. Por que parece mais fácil abrir estradas de rodagem e pô-las em funcionamento? Elas precisam estar inteiramente prontas para começar a funcionar? Uma ferrovia pode ser inaugurada antes de estar pronta?

2. Em um primeiro momento, a estrada de rodagem exige grandes investimentos?

3. Ferrovias exigem grandes investimentos, especialmente, em um país como o Brasil, onde elas nunca foram realizadas ao longo do tempo. O custo do ferroviarismo para nós, hoje, acumula tudo o que precisa ser feito nesse campo, mas também tudo o que nunca foi feito. Esse não é o ponto de partida dos países que têm nas ferrovias seu meio de transporte mais importante, mas é o nosso. Não é muito mais difícil defender essa possibilidade em um país que naturalizou a rodovia (o automóvel, o caminhão, o ônibus) e não tem a experiência e nem a memória da opção ferroviária.

Os resultados da pesquisa devem ser entregues na forma de textos coletivos, elaborados pelos grupos, com a análise do sistema rodoviário brasileiro e a defesa da ampliação desse sistema ou do sistema ferroviário. Os grupos devem justificar suas escolhas.

Avaliação 

Observe se os alunos compreenderam porque somos um país de rodovias, quais as vantagens e desvantagens desse sistema em detrimento do sistema ferroviário. Considere a participação dos alunos em sala, a produção de texto e as pesquisas realizadas pelos grupos. Esses materiais podem ajuda-lo a tirar possíveis dúvidas que ainda restarem nas aulas seguintes.

Autor Nova Escola

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