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Por que é importante estudar?

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 
  • Explorar os conceitos de estratificação e mobilidade social
  • Discutir a importância da formação educacional para os indivíduos
Conteúdo(s) 
  • Socialização escolar
  • Processo de construção da identidade
Ano(s) 
Tempo estimado 
2 aulas
Material necessário 
  • Cópias da reportagem "A Mágica da Educação"  (Veja, 2311, 06 de março de 2013)

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

O texto de Claudio de Moura Castro, "A Mágica da Educação", sugere que a educação é fundamental para a vida profissional. Para ele, a constante busca por novos conhecimentos e aprimoramento pessoal está diretamente relacionada a melhores salários e promoções. Assim, a educação e o aprendizado informal são apresentados como formas de ascensão profissional.

Em um sentido mais amplo, a educação pode ser vista não apenas como uma forma de conseguir bons empregos e salários elevados, mas também como um meio para compreender o mundo e entender nossa posição na sociedade. Por isso, constitui uma ferramenta de mobilidade social. Nesse plano de aula, a discussão sobre a educação é o ponto de partida para apresentar os conceitos sociológicos de estratificação e mobilidade social.

Distribua cópias do artigo "A mágica da Educação", publicado em Veja, para a turma e conduza uma leitura coletiva. Em seguida, discuta o texto com os alunos. Se preciso, utilize as questões abaixo para conduzir o bate-papo:

  • Qual a opinião do autor sobre a educação? Ela é importante no momento de conseguir um bom emprego?
  • Que tipo de educação o autor menciona? Qual a opinião dele sobre a educação informal?
  • Qual a diferença entre "educação" e "conhecimento"?
  • A educação serve apenas para ter um bom emprego?
  • Quais os efeitos da educação formal em outras áreas da vida pessoal?
  • Estudar e concluir uma faculdade ajuda a "subir na vida"?
  • A educação é importante para compreender a política e a sociedade?


Procure expandir a discussão, utilizando as situações citadas pelos alunos. Faça com que eles reflitam sobre as mudanças que a educação pode trazer na vida afetiva, nas atividades de lazer ou no engajamento político das pessoas. Por fim encerre essa etapa com uma última questão: como a educação pode mudar a vida das pessoas? Peça que os estudantes escrevam um parágrafo com a resposta e alerte que esse pequeno texto será usado nas etapas seguintes.

2ª etapa 

Inicie com uma rápida revisão da leitura e das anotações dos alunos. Certifique-se que todos tenham compreendido a ideia central proposta por Claudio de Moura Castro. Em especial, faça com que a ideia da "educação como forma de ascensão social" esteja clara. Ela será fundamental para os próximos passos.

Utilize o texto abaixo para preparar uma exposição sobre o tema. Ou, se preferir, conduza uma leitura com os alunos e peça que levantem questões a partir da atividade.

Tipos de mobilidade social

educação é frequentemente associada com a possibilidade de mobilidade social ascendente (também conhecida como mobilidade vertical ou, mais simplesmente, como ascensão social). Isto é, com mudanças significativas na posição ou status social de um indivíduo, seja em relação aos membros de seu grupo social, em relação aos seus pais ou gerações anteriores ou ainda em comparação com outros em situação semelhante.

Para compreender completamente esse fenômeno, no entanto, é preciso entender o conceito de estratificação social. Os grupos possuem variadas formas de organização e distribuição de papéis, que determinam a posição social dos indivíduos, isto é, os estratos sociais. Na literatura sociológica, existem três tipos de estratificação social: casta, estamento e classe.

Nas sociedades estratificadas por castas, a posição do indivíduo é fixa desde o nascimento, ou seja, a mobilidade social é mínima. Um bom exemplo é o da Índia. Lá, historicamente, membros de diferentes castas interagem minimamente e alguns são obrigados a conviver exclusivamente com seus pares. As pessoas nascem, crescem e morrem sem poderem alterar sua posição social.

A sociedade medieval é um exemplo de estamento. Nesses casos, o contato entre diferentes camadas sociais é permitido, como a relação entre nobreza, clero e servos na Idade Média. No entanto, a mobilidade é ainda mínima. A reprodução por meio de casamentos e nascimentos ocorria apenas entre membros do mesmo estamento: nobres casavam com nobres e servos com servos. O clero, formado por religiosos que não podiam contrair matrimônio segundo as leis da Igreja, recrutava membros dos outros estamentos para se manter, mas a condição dos ingressantes era determinada por sua origem. Os altos cargos da igreja eram sempre ocupados por nobres.

Sociedades de castas ou estamentos são consideradas como sistemas de mobilidade restrita.

Com a modernidade, esse sistema entrou em decadência. Em seu lugar, surgiu o sistema de classes. Para pensadores como Karl Marx, o capitalismo comporta apenas duas classes: a burguesia, que possui os meios de produção (dinheiro, ferramentas, fábricas etc) e o proletariado, que vende sua força de trabalho para os burgueses.

Para outros sociólogos, como o alemão Max Weber, a classe social é um fenômeno muito mais complexo, e envolve não apenas os recursos financeiros, mas a cultura, a educação e o poder político. De acordo com essa vertente, é mais comum pensar em classes baixas, médias e altas.

Nas sociedades modernas a mobilidade social é um fenômeno possível, principalmente por não existirem regras que impeçam as pessoas de mudarem de estrato ou camada. Por isso, a sociedade atual é considerada como um sistema de mobilidade aberta. A mobilidade nas sociedades capitalistas modernas pode ser classificada de acordo com os seguintes tipos:

Mobilidade horizontal: se refere à mudança de posição dentro da mesma camada social. Ex: mudança de ocupação profissional.
Mobilidade vertical: acontece quando uma pessoa muda de classe social. . Costuma ocorrer por acúmulo ou perda de bens e finanças, mas também é decorrente de mudanças no status social de um indivíduo. Ou seja, alguém pode continuar com o mesmo dinheiro, mas perder prestígio e legitimação social.
Mobilidade estrutural: é o termo utilizado para descrever o impacto de mudanças mais amplas na posição de indivíduos ou grupos.

A educação é geralmente vista como um mecanismo para a mobilidade social ascendente, pois proporciona ao indivíduo o conhecimento, as práticas e o vocabulário necessários para o trabalho e a vida nas camadas sociais mais altas. Nesse sentido, seria tanto a "porta de entrada" como também a forma de manutenção do novo status social.

Muitos sociólogos, no entanto, analisam essa perspectiva com certa desconfiança: a ideia da educação como motor da ascensão social pressupõe que todas as pessoas possuem condições iguais e que o esforço individual determina o sucesso ou fracasso. Para certos especialistas, essa ideia é falsa: os membros das classes baixas sempre estarão em desvantagem na competição por ascensão social, pois foram criados e educados em ambientes menos favoráveis.
(Maiko Rafael Spiess)

Após apresentar o texto, discuta com a turma os conceitos de estratificação e mobilidade, esclarecendo quaisquer dúvidas. Se preferir, utilize exemplos da literatura e filmes para demonstrar os diferentes tipos mencionados.

3ª etapa 

Em relação aos processos de mobilidade social, faça a turma a refletir sobre o papel da educação de forma mais ampla: como nos posicionamos em relação ao mundo e as outras pessoas quando aprendemos coisas novas? Qual a importância de continuar se especializando? Como uma pessoa analfabeta e com pouca instrução vê o mundo, em termos de oportunidades e obstáculos?

Para essa etapa, escreva as seguintes frases no quadro:

1. "O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele."
Immanuel Kant (filósofo alemão)

2. "Quem tem imaginação, mas não tem cultura, possui asas, mas não tem pés."
Joseph Joubert (escritor francês)

3. "A experiência escolar não pode ser a mesma para o filho de um executivo de nível superior que encontra necessariamente em seu entorno social, e mesmo em sua família, os estudos superiores como um destino banal e cotidiano, e para os filhos de um operário que só conhece os estudos e os estudantes através de outras pessoas e por meios indiretos. O primeiro sempre terá vantagem sobre o segundo."
adapt. de "Os herdeiros: os estudantes e a cultura" (Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron (sociólogos franceses)

4. "Quando o homem compreende a sua realidade, pode levantar hipóteses sobre o desafio dessa realidade e procurar soluções. Assim, pode transformá-la e o seu trabalho pode criar um mundo próprio, seu Eu e as suas circunstâncias." 
Paulo Freire (educador brasileiro)

Discuta os trechos acima com a turma. Note que cada um dos fragmentos representa uma visão distinta sobre o papel da educação na vida das pessoas.

Logo após, peça que os alunos utilizem as anotações feitas em sala de aula e as frases sugeridas para elaborar uma redação (algo entre 5 e 6 parágrafos) sobre a relação entre educação e mobilidade social. Como forma de direcionamento, sugira o seguinte tema: "Para que serve a educação: conhecer o mundo e questioná-lo ou ascender socialmente?"

Avaliação 

Analise se cada um dos estudantes alcançou os objetivos desta sequência didática. Ao final das etapas eles deverão ter analisado e discutido o que significa mobilidade social, o que é educação e qual seu real papel na vida das pessoas. Você pode verificar se eles alcançaram esses conhecimentos a partir das discussões, da participação em sala e do texto solicitado.

Autor Nova Escola
Créditos:
Maiko Rafael Spiess
Formação:
Sociólogo e pesquisador visitante do Departamento de História da Ciência da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos

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