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A Páscoa e o significado simbólico do chocolate

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Discutir o significado simbólico do chocolate na nossa cultura

Conteúdo(s) 

Introdução

O Guia de VEJA, "Chocolate, Cor e Calorias" traz dados sobre alguns tipos de chocolate, sua composição e seu teor calórico. Que tal ir um pouco mais longe e examinar a trajetória desse doce, desde os rituais sagrados dos astecas até a conquista dos mercados mundiais - além das telas de cinema? Verifique igualmente os caminhos percorridos pelo cacau, da América do Norte à África. Afinal, eles passam pelo sudeste da Bahia, cenário dos amores de Gabriela e de tantos outros personagens de Jorge Amado - uma terra onde, segundo o romancista, o visgo dos frutos prende para sempre os pés do trabalhador "grapiúna". Aproveite que a Páscoa está chegando e use o texto da revista como ponto de partida para uma aula de dar água na boca - e encher os olhos. Providencie cópias do quadro "Os Caminhos do Cacau" (abaixo) e distribua entre os estudantes.

 

Jackson Pollock, imagem criada pelo brasileiro Vik Muniz: o chocolate como matéria-prima sensual. Foto: Divulgação
Jackson Pollock, imagem criada pelo brasileiro Vik Muniz: o chocolate como matéria-prima sensual
 

Pergunte quem se lembra de algum filme cujo nome contenha a palavra chocolate. Talvez alguns mencionem A Fantástica Fábrica de Chocolate e produções como Morango e Chocolate, Chocolate, Como Água para Chocolate e Teia de Chocolate. Explique à turma que esses títulos não foram escolhidos por acaso: de algum modo, a aura de sabor e sedução associada ao produto transparece neles. Conte que o chocolate está presente até mesmo em obras de arte - como as do brasileiro Vik Muniz, que usa o doce como matéria-prima para seus trabalhos. Duas dessas imagens são a homenagem que fez ao pintor Jackson Pollock (abaixo) e na capa do CD Tribalistas, de Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown. Deixe uma pergunta no ar: de que modo o chocolate conquistou o paladar de pessoas de todo o mundo e se tornou um ícone de desejo, prazer e sensualidade?

Lembre que a Páscoa cristã, na qual se comemora a ressurreição de Jesus, tem origem na Páscoa judaica - que celebra a libertação dos hebreus escravizados no Egito. De que modo o coelhinho da Páscoa e os deliciosos ovos de chocolate entraram nesse circuito? Proponha uma pesquisa sobre o assunto. A turma vai verificar, por exemplo, que tanto os roedores felpudos quanto os ovos são símbolos de fertilidade. Pode-se dizer a mesma coisa do chocolate? Peça que os alunos pensem a respeito. Eles podem associar a Páscoa a outras festas do calendário cristão que tiveram seu caráter alterado, transformando-se em datas de grande apelo consumista.

Conte que, no Brasil, chocolate e futebol se uniram pela primeira vez quando a Lacta criou o Diamante Negro, logo após a Copa do Mundo de 1938. O artilheiro do certame tinha sido o brasileiro Leônidas da Silva, chamado pela imprensa francesa de "maravilha negra". Por que uma empresa de chocolate procurou ligar sua marca a um atleta?

Proponha a realização de um estudo sobre as propagandas de chocolate com o objetivo de identificar as características mais valorizadas no produto. Sugira uma pesquisa sobre as transformações do chocolate, desde os tempos em que era uma bebida ritual dos maias e astecas. Os alunos devem destacar o momento da criação do chocolate em barra, entre 1828 e 1847, fato que permitiu novas formas de consumo do alimento. Chame a atenção para a imagem do chocolate. Ele ainda é apresentado como uma guloseima infantil e saborosa, mas causadora de cáries e de alguns quilinhos a mais. No entanto, filmes como Chocolate tendem a mostrá-lo como uma iguaria requintada e sensual. Proponha uma discussão sobre o tema. As duas imagens são verdadeiras? Que fatores contribuem para a nova aura que envolve o chocolate? As pinturas de Vik Muniz podem ser associadas a essa aura?

Após a leitura dos textos que você distribuiu previamente, enfoque a difusão mundial do cacaueiro. Conte que em algumas regiões a planta não se adaptou bem. Nos séculos XVI e XVII, os espanhóis tentaram, sem sucesso, implantá-la na Indonésia e nas Filipinas. Em contrapartida, os pés de cacau se aclimataram perfeitamente no sudeste da Bahia, aonde chegaram em meados do século XVIII, trazidos do Pará. Ensine que, do final do século XIX até a década de 1920, as cidades de Ilhéus e Itabuna foram o eixo da economia cacaueira e de uma cultura muito particular, conhecida como civilização grapiúna. Acrescente que o romancista Jorge Amado, nascido em Itabuna, retrata em muitos de seus livros a realidade da região: o crescimento urbano e econômico, a usurpação das terras pelos latifundiários, o trabalho duro nas fazendas etc. Aprofunde essas questões ao explorar o quadro abaixo.

Divida a classe em quatro grupos e encarregue-os de ler os romances Cacau, Terras do Sem Fim, São Jorge dos Ilhéus e Gabriela, Cravo e Canela, nos quais Jorge Amado enfoca a região cacaueira. Proponha que, em seguida, as equipes montem um painel destacando aspectos da civilização grapiúna.

Diga que as plantações de cacau da Bahia estão decadentes e promova uma pesquisa sobre as razões desse declínio. O site da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, www.ceplac.gov.br/cacau_evolucao1.htm, pode ser uma boa fonte de informações.

 

Para saber mais

Os caminhos do cacau
Originário da América, o cacau foi descoberto pelos espanhóis quando conquistaram o Império Asteca, na região do atual México. O produto consagrou-se como um item de consumo mundial depois de ser levado para a Europa, a África e a Ásia. Na África, adaptou-se tão bem que o continente é hoje o maior produtor do fruto em todo o planeta. Mas não foi só com o cacau que ocorreu tal transmigração. A batata, o milho e o tomate, entre outros, são espécies americanas que se difundiram pelo mundo inteiro. No entanto, além de exportar espécies, a América também as recebeu. É o caso do coqueiro, nativo da Índia, que passou pelo litoral africano e depois foi trazido para o Brasil pelos portugueses.
Esse processo de circulação de espécies esteve associado à expansão marítimo-comercial européia iniciada no século XV. O episódio gerou uma história verdadeiramente global. Pela primeira vez, os continentes foram unidos por laços econômicos permanentes, que acabaram por promover mudanças de hábitos e costumes e a universalização do gosto. Pelo chocolate, por exemplo.

 

Veja também:

Bibliografia
Cacau
, Jorge Amado, Ed. Record, tel. (21) 2585-2000
Terras do Sem Fim, Jorge Amado, Ed. Record
São Jorge dos Ilhéus, Jorge Amado, Ed. Record
Gabriela, Cravo e Canela, Jorge Amado, Ed. Record

 

Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem da Veja:

Créditos:
Marco Antonio Villa
Formação:
Professor de História da Universidade Federal de São Carlos (SP)
Autor Nova Escola

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