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Paisagens do campo e da cidade: olhares

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

a) Identificar, descrever e comparar os elementos de origem natural e cultural que configuram as diferentes paisagens.
b) Observar, descrever e analisar elementos de paisagens urbanas e rurais em pinturas, fotografias, desenhos e ilustrações.

Conteúdo(s) 

Paisagem, campo, cidade, urbano, rural

Ano(s) 
Tempo estimado 
Duas aulas de uma hora
Material necessário 

Texto de apoio ao professor e figuras sugeridas abaixo.

Pintura 1
Paisagem urbana, de Manuel Martins, 65 x 54 cm, óleo sobre tela, s.d.
(Pode ser substituída por imagem similar)
Manuel Martins (1911-1979). Pintor paulistano. Em sua pintura é possível observar as radicais transformações da paisagem paulistana sem a perda da pureza primitivista em sua obra. Conforme o crítico Mario Schenberg, ¿paradoxalmente, essas paisagens evocadas pela memória do artista transmitem vigorosamente vivências de aqui-agora.¿

Pintura 2
Paisagem rural, de João Batista da Costa, de 1895.
(Pode ser substituída por imagem similar)
João Batista da Costa (1865-1926). Nascido em Itaguaí-RJ. Pintor e professor da Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, que dirigiu de 1915 até o ano de sua morte. Um mestre paisagista, tem com marca registrada a percepção da natureza brasileira. A partir de 1906, elimina progressivamente das telas as figuras humanas e passa a se ocupar, exclusivamente, com a descrição da paisagem rural.

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução 
A paisagem pode ser compreendida como tudo aquilo que a nossa vista alcança, a fração do território que é possível abarcar com a visão. Trata-se de um conjunto heterogêneo de formas naturais e artificiais, em que cada vez mais predominam estes últimos. Tal heterogeneidade é dada pela multiplicidade e diversidade de usos e funções dos objetos e reflete em boa medida as atividades de diferentes períodos que caracterizaram ou caracterizam a vida humana. Desse modo, como assinala o geógrafo Milton Santos, ela é uma combinação de objetos ¿criados em momentos históricos distintos, porém coexistindo no momento atual¿ (SANTOS, 1997).

Por meio da leitura da paisagem, os estudantes poderão observar, identificar, descrever ou comparar os elementos que a compõem e seu arranjo, atribuindo-lhes significado. O ponto de partida são os espaços familiares à criança, em que se imbricam representações, valores e identidades, como os de vivência - a rua, a praça, o bairro ou a escola -, ou aqueles que ela já teve a oportunidade de conhecer ou visitar.

Esta seqüência didática propõe a observação de paisagens do campo e da cidade por meio de obras de arte e fotografias, assim como a sua representação pelos alunos, por meio de desenhos, croquis e painéis ilustrados. Com isso, eles poderão questionar, indagar e formular explicações sobre fenômenos e acontecimentos e refletir sobre variados aspectos de sua realidade cotidiana.

Converse com os alunos sobre os espaços que eles costumam freqüentar, visitar ou usar para brincadeiras. Pergunte quais são os de que mais gostam e o que se pode encontrar nesses locais: árvores, brinquedos como balanço ou gangorra, gramado, campo de futebol, casas e outras edificações etc. Solicite a cada aluno que represente esses espaços por meio de desenhos, deixando-os à vontade também para representar o que gostariam que fosse melhorado em cada um deles.

Em seguida, peça aos alunos que contem para os colegas que outros espaços eles já tiveram a oportunidade de conhecer ou visitar, seja na cidade ou no campo. É importante que eles procurem também mostrar diferenças entre esses espaços e os de sua freqüência ou convivência habitual. Aproveite a oportunidade para saber mais dos alunos quais diferenças eles percebem entre o campo e a cidade e como seria a vida em cada um deles. Ouça os relatos e opiniões e esclareça que nas próximas aulas eles poderão examinar com mais detalhes como eles se organizam, o que poderá ajudá-los a melhor compreender os seus próprios espaços de vida.

Proponha que a turma se organize em duplas ou pequenos grupos para observar as pinturas 1 e 2 (ver Anexos). Considere o roteiro a seguir:

a) Se julgar conveniente, antes de apresentar as imagens mostre o título de cada uma delas e procure saber dos alunos se já ouviram falar dos autores, período e local em que foram produzidas e o que esperam ver retratado nelas;
b) Com as figuras em mãos, peça que observem cada uma delas e descrevam características e detalhes dos objetos, nomeiem e descrevam cada um deles e assinalem sua posição na paisagem. Peça que observem também as cores, formas e volumes dos objetos. Procure saber que sensações a visão de cada uma das paisagens sugere ou provoca no observador;
c) A seguir, solicite que comparem as duas imagens e estabeleçam as diferenças e semelhanças entre elas;
d) Depois, proponha que identifiquem quais elementos são de origem natural e quais foram criados pelos grupos humanos em cada uma delas. Essas informações deverão ser organizadas em um quadro com duas colunas e algumas linhas. Se necessário, desenhe um modelo no quadro-de-giz.

2ª etapa 

Converse com toda a turma sobre os resultados da observação feita na aula anterior. Para a discussão, considere que a observação das duas obras de arte permite considerações sobre alguns conteúdos e características do campo e da cidade. A paisagem urbana é de evidente artificialidade, enquanto a que mostra uma cena do campo deixa à vista elementos de origem natural, ainda que parcialmente modificados pela ação humana. A paisagem urbana mostra elementos inerentes à própria idéia de cidade, como a densidade, diversidade e concentração de pessoas e objetos. Há também contigüidade entre os objetos, se comparados aos que aparecem na figura do meio rural. Vale a pena ressaltar também as diferenças evidentes entre os sistemas de circulação nos espaços retratados.
Questione os estudantes se poderíamos encontrar novos elementos em outras paisagens urbanas e rurais. Por exemplo, a presença de indústrias no campo, atividades que costumam ser encontradas mais frequentemente nos núcleos urbanos. Você pode propor aos estudantes que coletem, observem e comparem outras imagens de paisagens do campo e da cidade para serem observadas, como fotografias, obras de arte, desenhos e ilustrações.
Com a participação de todos, anote as principais conclusões na lousa e solicite que todos anotem no caderno.

A leitura da paisagem
Ao promover a leitura da paisagem é necessário ter em conta que essa é uma atividade que requer alguns procedimentos específicos que precisam ser desenvolvidos nos alunos ao longo de sua vida escolar, como apreensão de informação, seletividade, compreensão etc. Uma imagem de paisagem possibilita o estudo de muitos conceitos, tanto mais complexos quanto maior a maturidade intelectual de quem a observa. Por isso, o trabalho com esse recurso é muito importante para a aprendizagem em Geografia.
Para analisar a paisagem é preciso obedecer a alguns estágios, como:

  • Observação: descrever o que se vê; quanto maior domínio conceitual possuir o observador, maior será a capacidade de discriminação do que é observado.
  • Análise: estabelecer relações entre os objetos presentes na paisagem, sejam naturais ou artificiais.
  • Interpretação: atribuir significado ao aparente caos em que se encontram os objetos na paisagem.
  • Avaliação: avaliar a disposição dos objetos, suas inter-relações e as outras possibilidades de rearranjo espacial.


Fonte: São Paulo (SP). Secretaria Municipal de Educação. Diretoria de Orientação Técnica. Referencial de expectativas para o desenvolvimento da competência leitora e escritora no Ciclo II do Ensino Fundamental: caderno de orientação didática de Geografia. São Paulo: SME/DOT, 2006, p. 58 (texto adaptado).

Avaliação 

Para avaliar a aprendizagens dos alunos, leve em conta toda a produção realizada ao longo da seqüência didática, como os desenhos produzidos e os trabalhos realizados em grupos.

Leve em conta os objetivos previstos inicialmente para avaliar a evolução do aluno no que diz respeito a sua capacidade de expressão, escrita, compreensão do tema e da leitura e interpretação das imagens.

Considere também a participação de todos nos trabalhos individuais e coletivos e nas rodas de conversa, assim como o modo como divisão de trabalho e participação individual nos grupos.

BIBLIOGRAFIA

SANTOS, Milton. Metamorfoses do espaço habitado. São Paulo: Hucitec, 1988.
São Paulo (SP). Secretaria Municipal de Educação. Diretoria de Orientação Técnica. Referencial de expectativas para o desenvolvimento da competência leitora e escritora no Ciclo II do Ensino Fundamental: caderno de orientação didática de Geografia. São Paulo: SME/DOT, 2006.

INTERNET
http://www.pinturabrasileira.com/artistas.asp?cod=24  

 

Créditos:
Roberto Giansanti
Formação:
Professor de Geografia, autor de livros didáticos para Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos e consultor educacional
Autor Nova Escola

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