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Os símbolos da escrita chinesa

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 
  • Apresentar os alunos às belezas da cultura chinesa e discutir a hegemonia do Ocidente sobre a nossa visão de mundo
Ano(s) 
Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução
Ao longo do caderno especial de VEJA, encontram-se dados sobre uma das glórias da cultura chinesa: a escrita. "Uma Vitrine para o Mundo", por exemplo, conta que o aeroporto de Pequim, visto do alto, lembra tanto um dragão quanto o ideograma chinês para "humano". A outra reportagem focaliza duas crianças de 9 anos que superaram 3 milhões de concorrentes no campeonato nacional de caligrafia. Eles representam a versão contemporânea dos letrados que, com o passar dos milênios, fizeram da caligrafia chinesa uma síntese harmoniosa de pintura e escrita. Esses e outros elementos apontam para a necessidade de examinar, com seus alunos, o volume de interrogações que os ideogramas nos trazem.

O objetivo deste roteiro é evidenciar que, muitas vezes, tomamos por universal um viés ou uma ideologia dominante discutível. A elegância dos textos manuscritos daquela cultura oriental nos faz lembrar que, em História, Literatura, Arte ou mesmo em linguagem, estudar o Ocidente não significa compreender o mundo.

Atividades
Conte que a preocupação em manter e propagar sistemas de valores fez o homem buscar na tradição memorizada recursos para preservar fielmente sistemas de crença. Por sua vez, a necessidade de representação do mundo e das coisas, em vários momentos históricos e contextos, levou-o à busca de representações visuais, com diferentes instrumentos e sobre materiais diversos. Assim, algumas culturas acabam por dotar-se de sistemas de escrita.

Bastou isso para que, com o advento da ciência da linguagem, o eixo das discussões entre oralidade e escrita viesse a centralizar-se numa tensão entre ambas que destaca a primazia de uma sobre a outra, a depender do foco empunhado como espada nessa luta armada de teóricos. Em seguida, focalize a necessária distinção entre escrita e alfabeto e mostre à garotada certos elementos da escrita chinesa.

Para tanto, distribua cópias dos três quadros deste plano de aula, sobre o alfabeto fenício, alguns ideogramas e os traços básicos da caligrafia chinesa. Sugira ainda que obtenham informações, em livros e na internet, sobre os quatro períodos de variação dessa escrita.

  • Os ossos - oráculo: gravações em carapaças de tartaruga (entre os séculos XV e X a.C.).
  • O selo antigo: escrita em vasos de bronze.
  • O selo mais jovem: antecedente do chinês moderno e ainda usado na caligrafia e na pintura.
  • A escrita lishu, que substituiu todas as outras no século VI a.C.


Explique que a fonte de produção da escrita chinesa são os oito trigramas dispostos em círculo para formar um octógono (é o desenho do bagua do feng shui). Os ideogramas são construídos segundo linhas básicas, traçadas de cima para baixo e da esquerda para a direita. Mostre que não há nada aleatório.

Pergunte, então, se no caso do alfabeto latino também existe uma fonte. Desenhe no quadro-negro um segmento de curva C e um segmento de reta | e demonstre serem eles a base do nosso alfabeto. Compare-o ao alfabeto fenício, "ancestral" do latino.

2ª etapa 

Reafirme que os estudos da linguagem, ao enfatizar que a escrita é apenas um registro imperfeito da fala, dificultaram a reflexão sobre a articulação existente entre a palavra falada e a escrita.

Deixando de lado a concepção tradicional, abra um debate a respeito da incidência que a escrita teve - e tem - sobre atividades culturais e cognitivas. Discuta a relação complementar e dialética que a oralidade e a escrita mantêm.

Leve a classe a perceber os elementos básicos da escrita chinesa: ideogramas, pictogramas e fonogramas. Se necessário, forneça exemplos em que os três elementos estão presentes. O site indicado no final deste roteiro é uma boa fonte de referência.

  • Ideogramas - símbolos gráficos que representam palavras ou conceitos abstratos.
  • Pictogramas - pequenos desenhos ilustrativos de objetos ou conceitos.
  • Fonogramas - signos fonéticos arbitrários.


Relacione a escrita ideogramática com os hieroglifos egípcios e a pictórica com os glifos de determinados grupos indígenas, fazendo a turma ver que, a despeito da aparente diversidade entre as línguas, os princípios que as regem estruturalmente, na fala ou na escrita, tendem a aproximar-se.

Tome alguns ideogramas que simbolizam conceitos abstratos. Vários deles, mostrados na foto da página ao lado, representam 10000 modos diferentes de escrever longevidade em chinês. Pergunte se a escrita converte alguns aspectos da linguagem, como as palavras, em objetos de consciência. É assim que passamos de um pensamento acerca das coisas para um pensamento sobre as representações dessas coisas?

Sugira, a seguir, que os jovens reflitam: a escrita é um mero anexo da fala ou uma forma de "tecnologizar" a palavra porque, ao levá-la do mundo oral a um novo universo visual, transforma a fala e também o pensamento?

Será essa a razão pela qual os chineses cultivam a caligrafia como arte? Será que eles iniciaram o que a imprensa e o computador apenas continuam - a separação da palavra do presente vivo?

Nesse caso, na arte da caligrafia, a escrita gera uma distância que possibilita compreender e contemplar os próprios pensamentos (já que a palavra escrita objetiva o pensamento)? Peça comentários em forma de dissertação.

 

Quer saber mais?

INTERNET

 

Créditos:
Angelo Masson Neto
Formação:
Professor de Lingüística das Faculdades Integradas Alcântara Machado (Fiam), de São Paulo
Autor Nova Escola

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