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Os muitos eus de Fernando Pessoa

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

- Conhecer alguns tópicos da obra de Fernando Pessoa.
- Relacionar a obra de Fernando Pessoa a outras manifestações culturais.

Conteúdo(s) 

Poema Tabacaria. Drama estático O Marinheiro

Ano(s) 
Tempo estimado 
Quatro aulas
Material necessário 
Desenvolvimento 
1ª etapa 

Inicie a aula escrevendo na lousa o título do poema a ser trabalhado: Tabacaria. Diga aos alunos que o poema é de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa. Pergunte o que esperam do título da obra. Ouça alguns deles.


Em seguida, escreva na lousa os quatro primeiro versos do poema.

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.



Leia-os e peça aos alunos para escreverem o que entenderam desses versos. Solicite a alguns alunos a leitura das observações realizadas. Volte aos versos e comece a discuti-los com os alunos. Pontos a serem assinalados:


a) o caráter sucinto dos versos;


b) a dupla negação, reforçando o caráter negativo. Observe que as partículas de negação - não, nunca, nada - emparedam o sujeito marcado pela desinência dos verbos ser e poder - sou, serei, posso. Atente também para a dimensão visual do poema. O emparedamento, percebido pela audição, é reforçado pela visão.

c) a disposição gráfica dos versos. Eles estão em ordem crescente e sugerem a expansão do conteúdo. Essa expansão alia-se à dimensão temporal: o eu enuncia não ser nada no presente - não sou nada; alude ao futuro - serei - e, no terceiro verso, une os dois tempos: posso (presente) e querer ser (índice de futuro);

d) na expressão à parte isso, o pronome isso enlaça as afirmações anteriores e as atualiza. Nesse verso, as negações dissolvem-se; o eu afirma-se como possuidor de todos os sonhos do mundo. Mencione o jogo entre as negações, fechando as possibilidades do eu, e o sonho, abrindo-as;

e) os quatro versos sugerem a oscilação entre ser e o não ser, indicam um sujeito fora das regras da filosofia clássica, ou seja, acolhem um eu que aceita a cisão, a fissura interna. A cisão anunciada no último verso ocorre também entre o mundo interno, centrado no eu, e o externo - todos os sonhos do mundo.


Em seguida, continue a leitura até a estrofe número cinco e assinale algumas oposições nelas presentes:

a) espaço externo (a rua), espaço interno (o quarto, o eu);

b) e os pensamentos e as sensações;

c) a lealdade à tabacaria do outro lado da rua, coisa real por fora, e as sensações, coisa realpor dentro;.

d) tudo e nada: falhei em tudo (...) talvez tudo fosse nada.

Na quinta estrofe, assinale o uso da adversativa mas, insinuando uma oposição entre a expectativa de encontro de novos grandes propósitos no campo, dada a fuga da aprendizagem recebida, e o malogro dessa expectativa - lá encontrei só ervas e árvores / E quando havia gente era igual à outra.

Para finalizar essa aula, sintetize os aspectos discutidos. A leitura do início do poema Tabacaria aponta dimensões da poesia de Fernando Pessoa: a cisão do eu, o jogo entre opostos, a movência da percepção que oscila junto com a linguagem. Em Tabacaria, diga a seus alunos, essa movência aponta para a percepção do mundo, o impacto causado por ela no sujeito e a desconstrução de possíveis aspirações metafísicas. Peça aos alunos que terminem a leitura do poema em casa e assinalem pontos para a discussão.

2ª etapa 

Inicie a aula lendo os versos iniciais da sexta estrofe

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!


Peça aos alunos que apontem os elementos escolhidos para discussão. Caso não tenham percebido mostre a eles que o poema oscila entre a percepção dos dados externos, a visão da vida cotidiana desenrolando-se na rua - a pequena que come chocolates, o dono da Tabacaria que chega à porta, o Esteves que sai, sem metafísica - e as reflexões do eu que nega a metafísica enrodilhando-se nela. Aponte a reiterada presença da conjunção adversativa mas, prefigurando um eu reflexionante e em constante disjunção:


Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.


A visão da pequena comendo chocolate é o gancho para remissão às quiméricas heroínas literárias sinteticamente apresentadas em seis versos. Peça a seus alunos para observarem o jogo entre as movências sinalizadoras de desestabilizações - o consolo advindo da não existência das heroínas replicada em qualificações idealizadoras e do coração nada idealizado do eu - um balde despejado - que não as suporta.


Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longíngua,
Ou cocotte célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.


Termine a aula explicando a seus alunos que Álvaro de Campos é um heterônimo de Fernando Pessoa. Explique a eles os conceitos de heterônimos e ortônimos e se julgar pertinente problematize a idéia de ortônimo - seria Fernando Pessoa ele mesmo um heterônimo. Diga que a heteronímia apenas não justifica o interesse pela obra de Pessoa. O interesse por sua obra advém da engenhosidade do seu texto e do trabalho com a língua portuguesa.

Os heterônimos não são apenas outros eus, outros nomes; eles possuem características e temáticas peculiares, mostrando um universo realmente plural, um desdobramento constantemente tematizado por seus poemas.

3ª etapa 

Nesta aula, apresente aos alunos o drama estático O Marinheiro publicado por Pessoa na Revista Orpheu, em 1913. Faça um resumo do enredo do drama. Diga aos alunos que as três veladoras não possuem nomes e, como o eu presente em Tabacaria, questionam-se sobre o ser de seus eus. Se possível, leia junto com os alunos o início do texto.

O MARINHEIRO
Drama estático em um quadro


Um quarto que é sem dúvida num castelo antigo. Do quarto vê-se que é circular. Ao centro ergue-se, sobre uma mesa, um caixão com uma donzela, de branco. Quatro tochas aos cantos.
À direita, quase em frente a quem imagina o quarto, há uma única janela, alta e estreita, dando para onde só se vê, entre dois montes longínquos, um pequeno espaço de mar. Do lado da janela velam três donzelas. A primeira está sentada em frente à janela, de costas contra a tocha de cima da direita. As outras duas estão sentadas uma de cada lado da janela. É noite e há como que um resto vago de luar.

PRIMEIRA VELADORA - Ainda não deu hora nenhuma.

SEGUNDA - Não se pode ouvir. Não há relógio aqui perto. Dentro em pouco deve ser dia.

TERCEIRA - Não: o horizonte é negro.

PRIMEIRA - Não desejais, minha irmã, que nos entretenhamos contando o que fomos? É belo e é sempre falso...

SEGUNDA - Não, não falemos nisso. De resto, fomos nós alguma cousa?

PRIMEIRA - Talvez. Eu não sei. Mas, ainda assim, sempre é belo falar do passado... As horas têm caído e nós temos guardado silêncio. Por mim, tenho estado a olhar para a chama daquela vela. Às vezes treme, outras torna-se mais amarela, outras vezes empalidece. Eu não sei por que é que isso se dá. Mas sabemos nós, minhas irmãs, por que se dá qualquer cousa?...

(uma pausa)

A MESMA - Falar do passado ¿ isso deve ser belo, porque é inútil e faz tanta pena...

SEGUNDA - Falemos, se quiserdes, de um passado que não tivéssemos tido.

TERCEIRA - Não. Talvez o tivéssemos tido...

PRIMEIRA - Não dizeis senão palavras. E tão triste falar! É um modo tão falso de nos esquecermos! ... Se passeássemos?...

TERCEIRA - Onde?

PRIMEIRA - Aqui, de um lado para o outro. Às vezes isso vai buscar sonhos.

TERCEIRA - De quê?

PRIMEIRA - Não sei. Porque o havia eu de saber?




Discuta com seus alunos as suspensões temporal e existencial apresentadas nesse início do drama. As três veladoras, seres sem nome, estão num tempo sem hora e cogitam pensar um passado talvez inexistente. Buscar sonhos apresenta-se como uma possibilidade. Após essa leitura, explique o título O Marinheiro. Uma das veladoras conta a suas irmãs um sonho: a história de um marinheiro cujo navio naufragou. Sozinho na ilha, esse Crusoé pessoano, diferente do de Defoe, não recria a civilização ou encontra Sexta-feira; mas começa por relembrar o seu passado, sua infância, sua mocidade, sua cidade, seus pais. Caso seja possível, leia o trecho abaixo com seus alunos:

SEGUNDA - Sonhava de um marinheiro que se houvesse perdido numa ilha longínqua. Nessa ilha havia palmeiras hirtas, poucas, e aves vagas passavam por elas... Não vi se alguma vez pousavam... Desde que, naufragado, se salvara, o marinheiro vivia ali... Como ele não tinha meio de voltar à pátria, e cada vez que se lembrava dela sofria, pôs-se a sonhar uma pátria que nunca tivesse tido: pôs-se a fazer ter sido sua uma outra pátria, uma outra espécie de país com outras espécies de paisagens, e outra gente, e outro feitio de passarem pelas ruas e de se debruçarem das janelas... Cada hora ele construía em sonho esta falsa pátria, e ele nunca deixava de sonhar, de dia à sombra curta das grandes palmeiras, que se recortava, orlada de bicos, no chão areento e quente; de noite, estendido na praia, de costas e não reparando nas estrelas.

PRIMEIRA - Não ter havido uma árvore que mosqueasse sobre as minhas mãos
estendidas à sombra de um sonho como esse!...

TERCEIRA - Deixai-a falar... Não a interrompais... Ela conhece palavras que as sereias lhe ensinaram... Adormeço para a poder escutar... Dizei, minha irmã, dizei... Meu coração dói-me de não ter sido vós quando sonháveis à beira-mar...

SEGUNDA - Durante anos e anos, dia a dia, o marinheiro erguia num sonho contínuo a sua nova terra natal... Todos os dias punha uma pedra de sonho nesse edifício impossível... Breve ele ia tendo um país que já tantas vezes havia percorrido. Milhares de horas lembrava-se já de ter passado ao longo de suas costas. Sabia de que cor soíam ser os crepúsculos numa baía do norte, e como era suave entrar, noite alta, e com a alma recostada no murmúrio da água que o navio abria, num grande porto do sul onde ele passara outrora, feliz talvez, das suas mocidades a suposta...

(uma pausa)

PRIMEIRA - Minha irmã, por que é que vos calais?

SEGUNDA - Não se deve falar demasiado... A vida espreita-nos sempre... Toda a hora é materna para os sonhos, mas é preciso não o saber... Quando falo de mais começo a separar-me de mim e a ouvir-me falar. Isso faz com que me compadeça de mim própria e sinta demasiadamente o coração. Tenho então uma vontade lacrimosa de o ter nos braços para o poder embalar como a um filho... Vede: o horizonte empalideceu... O dia não pode já tardar... Será preciso que eu vos fale ainda mais do meu sonho?

PRIMEIRA - Contai sempre, minha irmã, contai sempre... Não pareis de contar, nem repareis em que dias raiam... O dia nunca raia para quem encosta a cabeça no seio das horas sonhadas... Não torçais as mãos. Isso faz um ruído como o de uma serpente furtiva... Falai-nos muito mais do vosso sonho. Ele é tão verdadeiro que não tem sentido nenhum. Só pensar em ouvir-vos me toca música na alma...

SEGUNDA - Sim, falar-vos-ei mais dele. Mesmo eu preciso de vo-lo contar. À
medida que o vou contando, é a mim também que o conto... São três a escutar... (De repente, olhando para o caixão, e estremecendo). Três não... Não sei... Não sei quantas...

TERCEIRA - Não faleis assim... Contai depressa, contai outra vez... Não faleis em quantos podem ouvir... Nós nunca sabemos quantas coisas realmente vivem e vêem e escutam... Voltai ao vosso sonho... O marinheiro. O que sonhava o marinheiro?

SEGUNDA (mais baixo, numa voz muito lenta) ¿ Ao princípio ele criou as paisagens, depois criou as cidades; criou depois as ruas e as travessas, uma a uma, cinzelando-as na matéria da sua alma ¿ uma a uma as ruas, bairro a bairro, até às muralhas dos cais de onde ele criou depois os portos... Uma a uma as ruas, e a gente que as percorria e que olhava sobre elas das janelas... Passou a conhecer certa gente, como quem a reconhece apenas... Ia-lhes conhecendo as vidas passadas e as conversas, e tudo isto era como quem sonha apenas paisagens e as vai vendo... Depois viajava, recordando, através do país que criara... E assim foi construindo o seu passado... Breve tinha uma outra vida anterior... Tinha já, nessa nova pátria, um lugar onde nascera, os lugares onde passara a juventude, os portos onde embarcara... Ia tendo tido os companheiros da infância e depois os amigos e inimigos da sua idade viril... Tudo era diferente de como ele o tivera ¿ nem o país, nem a gente, nem o seu passado próprio se pareciam com o que haviam sido... Exigis que eu continue?... Causa-me tanta pena falar disto!... Agora, porque vos falo disto, aprazia-me mais estar-vos falando de outros sonhos...

TERCEIRA - Continuai, ainda que não saibais porquê... Quanto mais vos ouço, mais me não pertenço...

PRIMEIRA - Será bom realmente que continueis? Deve qualquer história ter fim? Em todo o caso falai... Importa tão pouco o que dizemos ou não dizemos... Velamos as horas que passam... O nosso mister é inútil como a Vida...

SEGUNDA - Um dia, que chovera muito, e o horizonte estava mais incerto, o marinheiro cansou-se de sonhar... Quis então recordar a sua pátria verdadeira..., mas viu que não se lembrava de nada, que ela não existia para ele... Meninice de que se lembrasse, era a na sua pátria de sonho; adolescência que recordasse, era aquela que se criara... Toda a sua vida tinha sido a sua vida que sonhara... E ele viu que não podia ser que outra vida tivesse existido... Se ele nem de uma rua, nem de uma figura, nem de um gesto materno se lembrava... E da vida que lhe parecia ter sonhado, tudo era real e tinha sido... Nem sequer podia sonhar outro passado, conceber que tivesse tido outro, como todos, um momento, podem crer... Ó minhas irmãs, minhas irmãs... Há qualquer coisa, que não sei o que é, que vos não disse... Qualquer coisa que explicaria isto tudo... A minha alma esfria-me... Mal sei se tenho estado a falar... Falai-me, gritai-me, para que eu acorde, para que eu saiba que estou aqui! ante vós e que há coisas que são apenas sonhos...

PRIMEIRA (numa voz muito baixa) ¿ Não sei que vos diga... Não ouso olhar para as cousas... Esse sonho como continua?...

SEGUNDA - Não sei como era o resto.... Mal sei como era o resto... Por que haverá mais?...

PRIMEIRA - E o que aconteceu depois?

SEGUNDA - Depois? Depois de quê? Depois é alguma cousa?... Veio um dia um barco... Veio um dia um barco... - Sim sim... só podia ter sido assim... - Veio um dia um barco, e passou por essa ilha, e não estava lá o marinheiro.

TERCEIRA - Talvez tivesse regressado à pátria... Mas a qual?

PRIMEIRA - Sim, a qual? E o que teriam feito ao marinheiro? Sabê-lo-ia alguém?


Após a leitura, mostre a seus alunos como a realidade se desdobra no interior do drama. A veladora conta a suas irmãs um sonho, dentro dele há um outro sonho. Esse desdobramento da realidade em sonhos no interior de sonhos nos permite caracterizar a obra de Fernando Pessoa como um intrincado jogo de virtualidades a partir da linguagem.Poeticamente, a linguagem e a chamada realidade são constantemente postas à prova. Para finalizar a aula, aponte o diálogo entre textos na obra de Pessoa. Álvaro de Campos, em um de seus poemas, realiza de forma irônica remissão a Fernando Pessoa e ao seu drama O Marinheiro.

A FERNANDO PESSOA
DEPOIS DE LER O SEU DRAMA ESTÁTICO
"O MARINHEIRO" EM "ORPHEU I"

Depois de doze minutos
Do seu drama O Marinheiro,
Em que os mais ágeis e astutos
Se sentem com sono e brutos,
E de sentido nem cheiro,
Diz uma das veladoras
Com langrosa magia:

De eterno e belo há apenas o sonho. Porque estamos nós falando ainda?

Ora isso mesmo é que eu ia
Perguntar a essas senhoras... 

PESSOA, F. Ficções do Interlúdio. São Paulo: Cia das Letras, 1998, p. 175.

Como tarefa para casa, solicite que os alunos leiam o texto da VEJA sobre o livro de Cavalcanti.

4ª etapa 

Explicar Pessoa? 

Inicie a aula, solicitando a alguns alunos o comentário da resenha lida. Após ouvi-los, diga que o texto de Cavalcanti inscreve-se nas múltiplas tentativas de explicar Fernando Pessoa e sua obra. Elas são muitas e ora flertam com ocultismo ora com os dados biográficos ora com a Psicanálise.

A Psicanálise, por exemplo, disciplina que se firma no início do século XX, portanto contemporânea a Fernando Pessoa, expande a visão de sujeito. Ele é visto não apenas como ser consciente e racional; forças inconscientes o constituem e, segundo Freud, ultrapassam e muito a pequena ponta do iceberg da consciência. Buscar explicar Pessoa por esses elementos redunda em tentativas; algumas interessantes. Respondem, por vezes, a nossa ânsia de conhecer a vida do outro.

Mais importante e interessante, no entanto, é a leitura da obra de Pessoa. Essa nos dá uma dimensão que nenhum texto crítico pode nos oferecer. Há um fato anedótico a respeito da biografia de Freud bastante significativo. Perguntado sobre quais teriam sido seus mestres, ele teria apontado os livros na estante. Leyla Perrone-Moisés, no livro Fernando Pessoa: Aquém do Eu, Além do Outro, afirma não ser a Psicanálise que explica Pessoa, mas Pessoa que nos permite entender a Psicanálise.


Para finalizar esse bloco de aulas, faça menção a outras formas de arte potencializadas pela leitura de Pessoa. As perspectivas do holandês Escher com suas reiteradas perspectivas podem ser um bom exemplo. Picasso também pode ser citado com as suas desconstruções da figura humana. Não contemporâneo de Pessoa, mas não menos interessante, é o quadro As Meninas de Velázquez. A cena a ser captada pelo pintor se desdobra na pintura escondida por trás do cavalete, tema do quadro (ou o próprio?), e no espelho que reflete as imagens ausentes do quadro. Como o sonho do Marinheiro, podemos perguntar: qual dessas imagens é o real?

Avaliação 

Termine a aula, perguntando aos alunos se conhecem filmes, obras literárias ou outras manifestações culturais que podem ser relacionadas aos aspectos analisados em classe da obra de Fernando Pessoa.

Nessa aula proponha aos alunos a leitura do poema abaixo de Fernando Pessoa. Solicite a eles que, a partir dessa leitura e das discussões realizadas nas aulas anteriores, elaborem um comentário do poema.

Pobre velha música!
Não sei por que agrado,
Enche-se de lágrimas
Meu olhar parado.

Recordo outro ouvir-te.
Não sei se te ouvi
Nessa minha infância
Que me lembra em ti.

Com que ânsia tão raiva
Quero aquele outrora!
E eu era feliz? Não sei:
Fui-o outrora agora.

 

Referências bibliográficas

PESSOA, F. Ficções do Interlúdio. São Paulo: Cia das Letras, 1998.
PESSOA, F. O Marinheiro. Disponível em: http://virtualbooks.terra.com.br/freebook/port/download/O_Marinheiro.pdf Acesso em 17 mar. 2011.
PERRONE- MOISÉS, L. Fernando Pessoa, Aquém do Eu, Além do Outro. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
SEABRA, J. A . Fernando Pessoa ou o Poetadrama. São Paulo: Perspectiva, 1991.

 

Créditos:
Conceição Aparecida Bento
Formação:
doutora em Letras pela Universidade de São Paulo (USP)
Autor Nova Escola

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