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Os desafios para diminuir a poluição e conter o efeito estufa

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

- Compreender a relação entre a poluição do ar e o excesso de automóveis.
- Ler e interpretar gráficos e textos.
- Promover uma reflexão sobre ações que diminuem a poluição.
- Introduzir os conceitos de efeito estufa e de créditos de carbono.

Conteúdo(s) 

- Poluição do ar: causas, consequências e soluções.
- Efeito estufa.
- Créditos de carbono.
- Crescimento desenfreado das cidades.

Ano(s) 
Tempo estimado 
Cinco aulas
Material necessário 

Cópias das figuras 1, 2, 3 e 4 para mostrar à turma; gráfico da evolução da frota de veículos no Brasil; textos de apoio sobre o Dia Mundial sem Carro (disponíveis em http://abr.io/1Tqi e em http://abr.io/1Tqk); textos de apoio sobre o efeito estufa e o dióxido de carbono e infográfico que mostra como se dá o efeito estufa, todos contidos neste plano de aula; além de um computador com acesso à internet para pesquisas em sala.

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução 
O crescimento desenfreado das cidades vem causando uma série de problemas urbanos: congestionamentos, poluição do ar, das águas, excesso de lixo nas ruas, ocupação de áreas de várzeas, falta de saneamento básico, entre outros. Este plano de aula tem como proposta discutir com a turma as causas e consequências da poluição do ar, com foco na emissão de gases de efeito estufa, abordando possíveis soluções para diminuir o problema.

Imagens mostram diferentes situações que causam a poluição do ar (escapamentos de veículos, fumaça das indústrias etc.

Em sentido horário: Figura 1: fumaça saindo de uma chaminé industrial (Foto: Jorge Rosenberg); Figura 2: fumaça saindo do escapamento de um caminhão (Foto: Germano Luders);Figura 3: Avenida 23 de maio, em São Paulo (Foto: Mario Rodrigues) e Fogura 4: lixo acumulado na rua (Foto: Alexande Sant'anna)

Inicie a aula apresentando à turma um conjunto de imagens que representem causam que ampliam a poluição do ar nas grandes cidades: a ação das indústrias, os congestionamentos nas metrópoles, os escapamentos dos automóveis e o excesso de lixo nas cidades (conforme as figuras 1, 2, 3 e 4 acima).

Peça aos alunos que observem as imagens e identifiquem os problemas contidos em cada uma delas. Depois de registrar as repostas dos alunos na lousa comente que o crescimento desordenado das cidades brasileiras tem agravado os problemas registrados nas fotos. Questione seus alunos sobre os motivos que levaram a esse crescimento desordenado e rápido das cidades e informe aos estudantes que cidades como São Paulo e Rio de Janeiro viraram polos de atração populacional, pois ofereciam mais oportunidades de emprego e melhor infraestrutura urbana - como hospitais e escolas. Destaque que essa concentração de pessoas nas cidades é um processo que se intensificou nos últimos 50 anos em função do êxodo rural - que nada mais é do que o deslocamento de pessoas da zona rural (campo) para a zona urbana (cidades).

No Brasil, os dados do Censo Demográfico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que em 1950 a taxa de urbanização era de 36,1%. Em cinquenta anos, entre 1950 e 2000, a taxa de urbanização subiu para 81,2%. O êxodo rural e a intensificação do processo de industrialização contribuíram para esse processo.
Comente que a modernização da agricultura substituiu boa parte da mão de obra pela ação de máquinas agrícolas, como tratores e colheitadeiras. Nossa estrutura fundiária concentra grandes extensões de terra nas mãos de poucos proprietários. Desta forma, os trabalhadores foram, aos poucos, expulsos de suas terras, sendo obrigados a migrar para as cidades em busca de empregos, salários e melhores condições de vida.
O processo de industrialização brasileiro atraiu milhares de migrantes do campo para as cidades, uma vez que era necessária muita mão de obra para trabalhar nas fábricas, na construção civil, no comércio ou nos setores de serviços. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), no ano de 2005 o Brasil tinha uma taxa de urbanização de 84,2% e, de acordo com algumas projeções, até 2050 a porcentagem da população brasileira que vive em centros urbanos deve pular para 93,6%.

Com base nessas informações, é possível relacionar o rápido crescimento das cidades com o surgimento de graves problemas urbanos. Dentre eles destacam-se o desemprego, que obriga muitos trabalhadores a irem para o mercado de trabalho informal; e a falta de moradia, que obriga as pessoas das camadas mais pobres da sociedade a ocupar as várzeas dos rios, dos córregos, as margens das represas e as encostas dos morros. Em decorrência disso, as pessoas passam a residir em habitações como favelas, cortiços ou em bairros de periferia das grandes cidades, que são carentes de infraestrutura e não conseguem oferecer condições de saneamento básico. Isso, sem falar em problemas como o aumento de resíduos sólidos (lixo), o lançamento de esgoto diretamente nos rios e córregos, o aumento dos congestionamentos e da poluição do ar. Um bom exemplo para citar aos alunos é o da região Sudeste, onde se localizam as três das cidades brasileiras com mais de 1 milhão de habitantes (São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte), bem como 50% das cidades com população entre 500 mil e 1 milhão de habitantes.

Ao final dessa discussão é esperado que os alunos compreendam que boa parte dos problemas enfrentados pelas grandes cidades tem origem no processo de urbanização desenfreada.

2ª etapa 

Conte aos alunos que o objetivo desta aula é aprofundar a investigação sobre um dos mais graves problemas urbanos, a poluição do ar. Para tanto, distribua para a turma um resumo da entrevista com Paulo Saldiva, médico especialista em poluição atmosférica.

Entrevista com Paulo Saldiva, médico especialista em poluição atmosférica

Em São Paulo, cerca de 4 mil pessoas morrem anualmente em consequência de problemas causados pela poluição do ar. O custo da poluição para a saúde, somando-se internações, mortalidade e redução da expectativa de vida, chega a US$ 1,5 bilhão de dólares. Amparado em dados como estes, o médico Paulo Saldiva é um crítico feroz da utilização abusiva do automóvel nas grandes cidades. Para Saldiva, o carro é a forma menos eficiente de mobilidade, uma vez que a velocidade que atinge hoje nos centros urbanos não ultrapassa 8 quilômetros por hora ─ metade da alcançada por nossos antepassados conseguiam a cavalo. O que faria se exercesse por algum tempo o poder absoluto? As primeiras deliberações resultariam na redução drástica das áreas destinadas aos automóveis, no aumento do espaço reservado à circulação do transporte público coletivo e na instauração do pedágio urbano. Para o entrevistado, registra-se no mundo inteiro um fenômeno que qualifica de racismo ambiental. "As ilhas de vulnerabilidade ambiental estão associadas às ilhas de pobreza", resume o especialista.

Fonte: Veja.com

Leia também a resenha do livro "Meio Ambiente e Saúde", organizado por Paulo Saldiva e disponivel no site Planeta Sustentável: http://abr.io/1Tqo

Peça aos alunos que façam a leitura silenciosa do texto e solicite que registrem no caderno algumas informações apresentadas, conforme o modelo abaixo:

- Assunto da entrevista
- Local da ocorrência
- O que provoca o problema mencionado pelo médico 
- Quais as consequências do problema

Ao longo da atividade é importante que os alunos percebam que nas grandes cidades, como São Paulo, o excesso de automóveis é o grande causador da poluição do ar. Para complementar a análise apresente o gráfico que mostra a evolução da frota de veículos no Brasil (abaixo) e peça para que os estudantes respondam às seguintes questões:

- Qual era o tamanho da frota de carros no Brasil no ano de 2000?
- Qual era o tamanho da frota de carros no Brasil no ano de 2010?
- O que ocorreu com a frota de carros no Brasil no período de 2000 a 2010?

Gráfico mostra o aumento na frota de veículos no Brasil entre 2000 e 2010. Fonte: Denatran
Gráfico mostra o crescimento da frota de veículos no Brasil entre os anos 2000 e 2010. Fonte: Denatran

É importante destacar que a frota de carros mais do que dobrou nesse período, piorando ainda mais a qualidade do ar que respiramos. Esse ritmo de crescimento no consumo de carros, contudo, é muito superior ao ritmo de crescimento da população brasileira no mesmo período. Então, como explicar ritmo acelerado no consumo de carros no Brasil? A resposta está no aquecimento da economia do país nos últimos anos, resultado da estabilidade econômica e do aumento da renda.

Converse com os alunos sobre a necessidade ou não de utilizar carros nos grandes centros urbanos. Questione a qualidade do transporte público e as alternativas para quem não dispõe de automóveis. Pergunte, então, se eles já ouviram falar a respeito dos efeitos nocivos que o uso dos carros causa à saúde e ao meio ambiente e como poderiam ser minimizados. Registre as principais respostas dos alunos no quadro e, em seguida, proponha a leitura compartilhada do texto disponível em http://abr.io/1Tqk, assinalando as sugestões apresentadas na reportagem. Compare as opiniões dos alunos às indicadas na reportagem. Que fato novo eles aprenderam com essa leitura? Que outras atitudes poderiam ser tomadas para reduzir a emissão de poluentes?

Termine esta aula destacando que os benefícios do uso do automóvel se restringem a poucos usuários, enquanto que os prejuízos afetam toda a população e o meio ambiente. Por isso, é fundamental a participação de todos na redução e no combate ao uso indiscriminado de veículos.

3ª etapa 

Retome as discussões da aula anterior sobre o uso de carros e a poluição do ar. Acrescente que os carros são apontados como vilões do aquecimento global. Eles estão entre os principais responsáveis pela emissão de poluentes como gás carbônico, compostos orgânicos voláteis e óxidos de nitrogênio, entre outros - causas artificiais às quais se atribui o aumento do efeito estufa e da contaminação atmosférica.

Mas a sua turma sabe o que é o efeito estufa? Para ampliar a discussão e introduzir o conceito de efeito estufa, converse com os alunos sobre os gases presentes na fumaça que sai dos escapamentos dos veículos. Explique que além de provocar diversas doenças respiratórias como bronquite, rinite e asma - que têm levado milhares de pessoas, principalmente crianças e idosos, aos hospitais todos os anos - a emissão de gases também contribui para o aquecimento do planeta.

Use os textos de apoio se considerar necessário. Se possível, apresente a ilustração abaixo para facilitar o entendimento do mecanismo de funcionamento do efeito estufa.

Efeito estufa
O efeito estufa é um fenômeno natural responsável pela manutenção da temperatura da Terra. Caso não existisse, o planeta seria muito frio e a vida seria impossível. Isso, porque uma parte da radiação solar é absorvida pelos gases presentes na atmosfera terrestre, retendo o calor no planeta. Sendo assim, a Terra se mantém aquecida o suficiente para que haja vida.

Atualmente, a poluição do ar tem aumentado bastante devido à queima da gasolina e do óleo diesel pelos veículos nas grandes cidades, o que provoca a presença excessiva de gases do efeito estufa: dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), óxido nitroso (N2O), entre outros. Esse aumento dos poluentes tem causado um aquecimento maior a cada ano, comprometendo a vida no planeta.

As principais consequências da elevação da temperatura da Terra são as alterações climáticas e o derretimento das calotas polares.

Dióxido de carbono (CO2)
Este gás é responsável por 63% do efeito estufa total. Além disso, é o gás que mais contribui para o aquecimento global: em 2004, representou 77% das emissões globais.
(...) A concentração de CO2 na atmosfera aumentou 36% no período de 1750 a 2006.

Entre suas principais fontes estão a queima de combustíveis fósseis, como o petróleo, o carvão e o gás natural (82%), e o desmatamento de florestas tropicais (18%). O uso de combustíveis fósseis acontece em grande intensidade no transporte, nos sistemas de aquecimento e resfriamento em construções, na produção de cimento, entre tantas outras atividades.

Fonte: texto adaptado do site www.mudancasclimaticas.andi.org.br/node/661

Efeito estufa

Depois de explicar os conceitos aos alunos, é importante ressaltar que a poluição não têm fronteiras, ou seja, não alcança apenas um lugar, uma vez que o CO2, lançado pelos automóveis, contribui para aumentar o efeito estufa e atingir uma escala planetária.

4ª etapa 

Inicie essa aula dividindo a turma em pequenos grupos, de três ou quatro alunos. Em seguida distribua o mapa abaixo e peça para que os alunos observem e respondam às seguintes questões:
1- Que assunto está apresentado no mapa?
2- Identifique, em ordem decrescente, os locais que mais emitem CO2 no mundo.
3- Quais são os três países que mais emitem CO2?

Imagem mostra a emissão de gás carbônico em todo o mundo
A emissão de gás carbônico em diversos países do globo.

O objetivo é que os alunos identifiquem os Estados Unidos, a China e a Rússia como sendo os principais responsáveis pelas emissões de CO2 e percebam que essa emissão ocorre de forma desigual no mundo. Por isso, a culpa pelo aquecimento global também deverá ser apontada de acordo com a quantidade de gases do efeito estufa que cada país produz.
Converse com a turma sobre o que eles entendem a respeito do gás carbônico. Se necessário, reapresente as imagens da 1ª aula. Pergunte se sabem como o CO2 é gerado e que problemas causa. Anote as principais respostas na lousa.

Depois, explique que o CO2 também pode ser transformado em "valor", na forma de créditos de carbono. Conte que o termo crédito de carbono passou a ser usado depois que os países da Organização das Nações Unidas (ONU) assinaram, em 1997, um acordo estipulando o controle sobre as intervenções humanas no clima, o Protocolo de Kyoto.
Este tratado determina que os países desenvolvidos reduzam as emissões de gases de efeito estufa em 5,2% entre 2008 e 2012, em várias atividades econômicas. Para atingir as metas, os países que assinaram o Protocolo de Kyoto vão ter de tornar os setores de energia e transporte mais eficientes e menos poluidores, utilizando cada vez mais fontes de energia renováveis como a hidrelétrica, a biomassa, a eólica e a solar, além de proteger florestas e outros sumidouros de carbono.

Para garantir que a redução da emissão do gás carbônico não reduza também o crescimento econômico, foi estabelecido que os países podem comprar até 15% da meta de redução da emissão de gases em "créditos de carbono" das regiões que já atingiram seus objetivos.

Para facilitar o entendimento e tornar a aula mais dinâmica, mostre aos alunos o vídeo que explica o que são os Créditos de Carbono, com 2"30 de duração.

5ª etapa 

Nesta etapa, é necessário retomar algumas soluções discutidas pelos alunos nas aulas anteriores: redução drástica das áreas destinadas aos automóveis; aumento do espaço reservado à circulação do transporte público coletivo; instauração do pedágio urbano; melhoria na qualidade do transporte público; utilização de veículos alternativos, como as bicicletas; diminuição das queimadas e aumento do comercio do crédito de carbono.

Com base nas informações, proponha que, em grupos, os alunos confeccionem um mural com imagens e slogans. É importante que o mural da turma apresente as possíveis soluções para diminuição dos gases causadores do efeito estufa. Para este trabalho, os alunos poderão utilizar recortes de revistas, jornais ou produzir desenhos. Sugira como fonte de pesquisa os textos apresentados nessa sequência, o site Planeta Sustentável e os vídeos da entrevista do Paulo Saldiva em http://abr.io/1Tqs

Reserve o tempo da aula para orientar a investigação dos grupos e a confecção dos painéis. O mural poderá ser exposto nos corredores da escola, como forma de conscientizar a comunidade escolar sobre a importância da contenção do aumento do efeito estufa.

Avaliação 

Leve em conta os objetivos definidos no início deste plano de aula e a participação dos alunos individual e coletivamente durante os momentos de leitura, atividades e discussões em sala. Verifique se houve entendimento sobre as causas e consequências da poluição do ar e como ela afeta o organismo humano. Aproveite os debates feitos em sala para perceber se os alunos entenderam a relação entre poluição do ar e efeito estufa, bem como sua relação com a emissão de créditos de carbono. A confecção dos painéis para o mural finaliza a sequência. Se após este trabalho as dúvidas persistirem, reserve alguns minutos da próxima aula para esclarecê-las aos alunos.

Autor Nova Escola
Créditos:
Edinilson Quintiliano dos Santos e Clodoaldo Gomes Alencar Júnior
Formação:
Mestres em Geografia pela PUC de São Paulo

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