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O que define a juventude?

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

- Questionar a noção de juventude
- Compreender e estabelecer uma reflexão crítica de que maneiras os jovens se relacionam com a sociedade de consumo e a produção de cultura

Conteúdo(s) 

Construção da identidade dos jovens

Ano(s) 
Tempo estimado 
Três aulas
Material necessário 

- Cópias do texto de Lya Luft, "A violência não é uma fantasia" (Veja 2357, 29 de janeiro de 2014), para todos os alunos. O texto será usado para uma discussão dirigida na primeira etapa
- Introdução da obra "História dos jovens I: da antiguidade a era moderna", de Giovanni Levi e Jean-Claude Schmitt, 1996. Companhia das Letras, São Paulo

Conteúdo relacionado

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

 

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução
Recentemente, os "rolezinhos" -- reunião de jovens de periferia em shoppings centers, cuja organização acontece principalmente por meio das redes sociais -- chamou a atenção para a questão da juventude no Brasil. Meios de comunicação, especialistas, autoridades e a população em geral foram surpreendidos por essa nova forma de lazer, divertimento e mobilização e, em pouco tempo, surgiram várias análises sobre esse fenômeno jovem. O que esses adolescentes buscam? Quem são eles? Quais suas motivações? Os participantes dos "rolezinhos" são representativos da juventude brasileira ou fazem parte de uma subcultura jovem específica?

Neste plano de aula, com base nessas questões, serão discutidas a noção de juventude e a identidade dos jovens. Os alunos serão estimulados a pensar na ideia de "juventude" sob o ponto de vista conceitual, utilizando exemplos históricos e do seu cotidiano. Serão discutidos também alguns processos de formação da identidade dos jovens, com destaque para o papel do consumo como forma de diferenciação. Finalmente, os alunos serão estimulados a pensar essas questões a partir do exemplo do fenômeno recente dos "rolezinhos".

Inicie a aula com um bate-papo sobre o tema dos "rolezinhos": qual a opinião da turma sobre o assunto? Esse é um fenômeno próximo à realidade da turma ou algo que acompanham apenas pelos noticiários? Para os alunos, quais seriam as motivações dos jovens que organizam e participam dos "rolezinhos"? Eles se identificam com esses jovens? Sim ou não? Por quê? Os "rolezinhos" se parecem com outras reivindicações ou movimentos sociais? Estimule os alunos a apresentarem argumentos e explicações para suas respostas. Esta conversa é importante para você introduzir o tema e verificar a familiaridade da turma com a questão e outras atividades ou movimentos de jovens.

Em seguida, distribua as cópias do texto de Lya Luft, "A violência não é uma fantasia", publicado em Veja. Realize uma leitura dirigida, esclarecendo eventuais dúvidas dos alunos. Após a leitura, retome a discussão. Pergunte quais os trechos que mais chamaram a atenção da turma e se eles concordam com a colunista. Incentive a turma a elaborar seus argumentos. Em particular, procure discutir os seguintes trechos:

"É natural e bom que grupos de jovens queiram se distrair: passear pelos corredores, alegres e divertidos, ir ao cinema, tomar um lanche, fazer compras."
"Bandeiras, faixas, punhos erguidos e cerrados e palavras de ordem não são divertimento, e nada têm a ver com juventude."

Nos trechos acima, são utilizados os termos "jovem" e "juventude". Também são descritas atividades ou comportamentos que são esperados das pessoas que se enquadram nesse perfil, segundo a opinião da colunista. Estimule a turma a pensar sobre essas definições em seus próprios termos e palavras: o que define a juventude? Faixa etária, comportamento ou hábitos de consumo? Qual a postura esperada das pessoas que correspondem ao perfil de "jovem" no Brasil? É possível fazer generalizações sobre o assunto?

2ª etapa 

Nesta etapa você deverá aprofundar a discussão sobre a ideia de juventude. Inicialmente, proponha uma reflexão sobre o caráter essencialmente transitório e de ambivalência da fase da juventude. Convide os alunos a lerem a Introdução do livro "História dos jovens I: da antiguidade a era moderna".

Neste livro, os historiadores Giovanni Levi e Jean-Claude Schmitt afirmam que "pertencer à determinada faixa etária — e à juventude de modo particular — representa para cada indivíduo uma condição provisória. Mais apropriadamente, os indivíduos não pertencem a grupos etários, eles os atravessam".

A citação demonstra um dos traços determinantes da juventude, mesmo em diferentes contextos históricos: independente da visão que uma sociedade possui de sua população jovem ou a autoimagem que os jovens constroem de si mesmos, os jovens sempre serão atores sociais em transição, da infância para a vida adulta.

Essa condição transitória traz, em si, uma forte ambivalência: por um lado, se exige dos adolescentes e jovens uma postura diferente, mais madura e responsável do que aquela que é exigida das crianças. Nesse sentido, a educação dos jovens pode ser vista como uma forma de prepará-los para as atribuições da vida adulta, como o mercado do trabalho e as atividades de produção.

Dedique um tempo a discutir esse conteúdo e a responder eventuais dúvidas da turma. Qual a opinião deles sobre o caráter transitório e ambivalente da juventude? É possível observar essas dimensões em movimentos jovens como, por exemplo, a contracultura dos anos 1960? Como essa percepção difere da opinião da colunista de Veja? Além dessas duas dimensões, os alunos enxergam outros aspectos definidores do jovem contemporâneo?

Divididos em grupos, convide a turma a pesquisar como os jovens eram identificados em diferentes épocas e contextos sociais. Cada grupo poderá pesquisar um grupo de destaque em determinada década, como movimento hippie dos anos 1960, movimento punk nos anos 1970 e 1980, e assim por diante. Os resultados serão apresentados na etapa seguinte. Explique aos alunos quanto tempo deve durar a apresentação e como eles devem organizar as informações e as imagens a serem exibidas.

Além de descrever as principais características de cada grupo, os grupos devem responder às seguintes questões: Quais as principais características do grupo em relação à identidade visual, roupas, preferências musicais? Qual era a visão que a sociedade possuía dos jovens em outros tempos? Como essa visão se assemelha à concepção atual sobre juventude?

3ª etapa 

Esta etapa será dedicada a apresentar alguns processos de formação de identidade dos jovens nos dias de hoje. Após a apresentação dos grupos, conversa com a turma sobre os outros possíveis traços definidores da identidade das pessoas em geral e, mais especificamente, dos jovens.

Estimule os alunos a pensar como a nacionalidade, religião, etnia, gênero e classe social influenciam nossa personalidade e identidade. Para reforçar esse ponto, peça que os alunos reflitam sobre as diferenças de comportamento e identidade, por exemplo, entre um jovem brasileiro e um japonês, ou entre adolescentes de diferentes regiões do Brasil.

Ressalte que mesmo entre jovens de uma mesma família podem existir diferenças de identidade relacionadas com o gênero ou idade. Essas diferenças são decorrentes principalmente dos processos de socialização primária (o aprendizado, durante nossa infância, das regras de conduta, valores, preferências e costumes socialmente aceitos em nossa cultura e no ambiente familiar) e secundária (as normas de condutas que compartilhamos com nossos amigos, colegas de escola ou trabalho).

Discuta com os alunos sobre a ideia de que a identidade dos jovens não é homogênea. Ainda que a juventude possua traços definidores universais (como seu caráter transitório entre infância e vida adulta), o processo de formação de identidade é perpassado por diversas influências.

4ª etapa 

Para encerrar a sequência didática, recapitule os temas abordados até aqui. Procure saber se a turma compreendeu os conteúdos e, se necessário, retome a discussão e esclareça as possíveis dúvidas. Peça que a turma relembre os argumentos da colunista de Veja e a conversa sobre os "rolezinhos". A percepção deles sobre o tema mudou? Eles são capazes de articular o conteúdo abordado para dialogar sobre o tema?

Como forma de avaliação, peça que eles redijam um texto curto (com até quatro parágrafos) sobre o conteúdo apresentado que será enviado à colunista da revista Veja. Certifique-se que os alunos já tenham conhecimento prévio sobre a produção desse gênero textual. Caso contrário, oriente-os sobre as características do texto opinativo.
Para estimulá-los, sugira que os alunos escolham um aspecto do debate para abordar nesse texto:

"rolezinhos" e mídia - como os noticiários e comentários na mídia retratam os jovens envolvidos com essa atividade? Eles apresentam algum perfil dos jovens? Quais os reflexos da representação midiática para a identidade dos jovens? Os jovens dos "rolezinhos" são representativos de todos os jovens de sua classe social?

"rolezinhos" e consumo - Por que os jovens usam os shopping centers como ponto de encontro? Os shoppings costumam ser espaços de sociabilidade ou de consumo? O que motiva os jovens a consumir: necessidade de obter determinado um produto ou uma forma de se identificar com um grupo?

"rolezinho" é movimento social? - existe alguma intenção contestatória nos "rolezinhos" ocorridos até agora? Os jovens utilizam essas ocasiões como uma forma de reivindicação, de confrontar o "mundo adulto" ou estão apenas procurando novas formas de diversão?

Os estudantes podem abordar um ou mais temas, ou escolher outro tema relacionado com os conteúdos abordados. Incentive-os a usar suas próprias palavras e ideias. Certifique-se apenas que eles abordem o conceito de juventude e os processos de formação da identidade dos jovens nos dias de hoje.

Avaliação 

Os alunos serão avaliados por sua participação na aula, domínio do conteúdo apresentado, capacidade de raciocínio crítico e criatividade. Após revisar e corrigir os textos, devolva-os para a turma com comentários e sugestões. Auxilie os alunos que desejarem enviar o texto à colunista sobre os procedimentos para realizar a ação.

Autor Nova Escola
Créditos:
Maiko Rafael Spiess
Formação:
Sociólogo e pesquisador visitante do Departamento de História da Ciência da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos

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