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O papel da TV e do cinema durante a Guerra Fria

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 
  • Conhecer o uso propagandístico do cinema e da TV no contexto da Guerra Fria.
  • Analisar  filmes que abordam essa temática e desenvolver um olhar mais crítico para a produção imagética.
Conteúdo(s) 
 
  • Guerra Fria
  • História dos Estados Unidos: era Reagan
  • SocialismoxCapitalismo

Reportagem de VEJA:

Ano(s) 
Tempo estimado 
4 aulas
Material necessário 
  • Cópias da reportagem "O novelão redivivo" (VEJA, edição 2275, 27 de junho de 2012)
  • DVDs dos filmes:
    1. O Dia em que a Terra Parou (1951)
    2. Guerra dos Mundos (1953)
    3. Dr. Fantástico (1964)
    4. Corações e Mentes (1974)
    5. Rocky IV (1985)
  • Aparelho de DVD e televisão ou projetor de imagens

Flexibilização

Para alunos com deficiência intelectual
Nestes casos a sugestão é  que o professor comece levando os alunos para o pátio e proponha que os alunos brinquem de cabo de guerra. Divididos em dois grupos, cada um segura a ponta de uma corda que deve ser puxada assim que for dado o sinal. O lado mais forte ganha o jogo. Após a "brincadeira", discuta com os alunos o que sentiram ao disputar poder (força) com o outro grupo. É importante também discutir outras formas de disputa que se evidenciam na sociedade. Peça aos alunos que dêem exemplos do seu cotidiano. Desse modo, a  noção de disputa pelo poder é evidenciada e pode ser exemplificada por alguns dos filmes propostos no plano. Vale lembrar que a aprendizagem do deficiente intelectual é diferente e por isso sua avaliação deve ser subjetiva, considerando seus avanços e não a aprendizagem do grupo em geral

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Inicie explicando o que foi a Guerra Fria. Conte aos alunos que o conflito polarizou o mundo entre os países capitalistas, aliados aos Estados Unidos, e os países socialistas, que se aproximavam da extinta União Soviética. Mostre a eles o que significou este momento histórico, as etapas do conflitos e os principais marcos factuais. Relembre alguns fatos importantes da década de 1940, debatendo noções como "capitalismo" e "comunismo", fundamentais para a compreensão de tudo que será trabalhado posteriormente.
Em seguida, parta para a exposição dos momentos iniciais da Guerra Fria: fale sobre a "Doutrina Truman" e sua importância para a polarização do mundo no pós-guerra; a criação da OTAN e do Pacto de Varsóvia; a Guerra da Coréia; o macartismo e a perseguição aos comunistas nos EUA.

Em seguida, explique aos alunos que um filme ou um programa de TV não são feitos apenas para entreter. Muitas vezes, eles refletem concepções políticas e ideologias em voga na época. Durante a Guerra Fria, muitas obras culturais tinham como objetivo principal persuadir o público a apoiar um dos dois lados do conflito. Lembre os alunos que "persuadir" é o  mesmo levar a acreditar. Ou seja, é a tentativa de levar alguém a acreditar naquilo que você diz. Pergunte aos alunos se já perceberam este comportamento antes. Se ninguém falar a respeito, questione a turma se notam esta tentativa nos anúncios publicitários e quais os artifícios eles acham que  são usados com este objetivo.

 

2ª etapa 

Neste aula, foque no uso do cinema de ficção-científica como catalisador de questões da Guerra Fria. Trabalhe especificamente com duas obras: "O Dia em que a Terra Parou", de 1951, e "Guerra dos Mundos", de 1953.

Utilize os seguintes trechos do primeiro filme:

  1. Diálogo entre o alienígena Klaatu e um militar no hospital (minutagem: 19m até 21m10s);
  2. Diálogo entre Klaatu e a personagem Helen Benson na nave alienígena, acerca do poder sobre a vida e a morte (1h25m até 1h26m50s).

Pergunte o que os alunos acharam. Em seguida, a partir da primeira cena mostrada, trabalhe com os alunos o medo de uma guerra nuclear existente na época e as dificuldades de diálogo entre as nações inimigas (EUA e URSS) explicitado nesse momento do filme. Já quanto à segunda cena, aborde o discurso feito pelo personagem alienígena sobre os poderes que só Deus possui, inserindo essa temática no contexto da Guerra Fria, em que um país cristão (EUA) combatia um país ateu (URSS). Ressalte ainda o fato de Klaatu, o alienígena, se envolver com uma família tipicamente norte-americana, se encantando com aquele modo de vida.

Apresenta também os seguintes trechos de "Guerra dos Mundos":

  1. Sequência que mostra a resistência heróica de várias nações aos invasores marcianos (minutagem: 53m50s até 56m10s);
  2. Cena final do filme, com os personagens rezando numa igreja enquanto os alienígenas são derrotados (minutagem: 1h19m55s até 1h25m10s).

Pergunte o que os alunos notaram. E mostre que, na primeira cena, ressalte a ausência dos russos enquanto nação resistente aos invasores. Já quanto à segunda cena, debata com os alunos o papel da fé e de Deus na derrota imposta aos alienígenas, relembrando o conflito dos norte-americanos com o ateísmo soviético.

Discuta o uso que se fez do gênero ficção-científica no contexto da Guerra Fria, informando que os dois filmes trabalhados foram refilmados recentemente, contando a mesma história, porém, com outras preocupações em seu subtexto: no caso de "O Dia em que a Terra Parou", a questão do aquecimento global; no de "Guerra dos Mundos", o medo do terrorismo no século XXI.

Encerre a aula com a leitura coletiva e comentários do texto "Gibis retratam o conflito entre EUA e URSS"  ressaltando a apropriação da Guerra Fria por outras mídias:

O que explicar para a turma?

 A Guerra Fria foi uma disputa travada durante quase cinco décadas pelas duas superpotências vencedoras da Segunda Guerra Mundial: os Estados Unidos e a União Soviética. Foi um período marcado por muita espionagem e propaganda política, tanto do lado norte-americano quanto do soviético. Não bastasse tudo isso, armas atômicas seriam usadas caso as duas superpotências partissem para o conflito militar direto. Foi durante a Guerra Fria que uma nova onda de super-heróis surgiu nos gibis norte-americanos, especialmente nos da Marvel Comics (hoje a maior editora de quadrinhos do mundo).

Você certamente já ouviu falar dessas personagens, pois várias foram adaptadas para o cinema nos últimos anos, com grande sucesso de bilheteria. Dentre essas personagens, podemos destacar o Homem-Aranha, os X-Men, o Hulk e o Quarteto Fantástico. Aqui, falaremos da relação delas com a Guerra Fria. Afinal, embora sejam fictícias e tenham sido criadas apenas para entretenimento, seus criadores se inspiraram na época que viviam. Começaremos pelo Quarteto Fantástico, o primeiro gibi da Marvel em que o escritor-editor Stan Lee fez parceria com o desenhista Jack Kirby.

O Quarteto Fantástico O primeiro gibi do Quarteto Fantástico foi publicado em novembro de 1961 -ou seja, poucos meses depois de o cosmonauta soviético Yuri Gagarin ter-se tornado o primeiro ser humano a viajar para o espaço, realizando um vôo orbital (12 de abril de 1961), e quase uma década antes de o astronauta norte-americano Neil Armstrong ter sido o primeiro homem a pisar na Lua (20 de julho de 1969). Assim, o Quarteto Fantástico foi lançado na mesma época em que os EUA e a URSS disputavam a corrida espacial. O próprio surgimento desse grupo de heróis faz alusão à Guerra Fria: no início da história, pouco antes de os quatro futuros heróis viajarem para o espaço, a narração menciona que os EUA estão numa "corrida espacial" com "uma potência estrangeira". Claro que a tal "potência estrangeira" era a URSS, mas, diferentemente do que tinha acontecido durante a Segunda Guerra Mundial, os autores dos gibis da Guerra Fria preferiam não dar nome aos bois quando se referiam aos "inimigos da América".

No gibi, o Quarteto Fantástico tem origem um pouquinho diferente daquela contada no filme de 2005: quatro amigos - o cientista Reed Richards; sua noiva, Sue Storm; o irmão adolescente dela, Johnny Storm; e o piloto de foguetes Ben Grimm - embarcam num foguete experimental, voam para o espaço e são bombardeados por raios cósmicos. Ao voltarem para a Terra, descobrem que os raios cósmicos os afetaram, dando-lhes superpoderes. Richards consegue esticar partes de seu corpo e assume o codinome Senhor Fantástico (qualquer semelhança com outro super-herói, o Homem-Borracha, não é mera coincidência); Sue se torna a Garota Invisível (anos depois, mudará o nome para Mulher Invisível, pois em nossos tempos "politicamente corretos" é considerado machismo chamar de "garota" uma mulher adulta); Johnny vira o Tocha Humana; e Ben, o monstruoso Coisa. Os raios cósmicos existem mesmo, mas na vida real eles matam, como seu professor ou professora de ciências poderá lhe explicar.

A corrida espacial não é a única alusão à Guerra Fria que encontramos nos primeiros gibis do Quarteto Fantástico. O principal inimigo do Quarteto era o Doutor Destino, que governava literalmente com mãos de ferro um pequeno país do Leste Europeu, bem na região onde se concentravam os países do bloco socialista. Na tradução feita no Brasil, o nome dado ao país do Doutor Destino era "Latvéria", o que poderia levar a concluir que se tratava de uma terra imaginária. Mas, no original, o nome era "Latvia" - cuja tradução correta para o português é Letônia, na época uma das repúblicas que compunham a URSS. O próprio visual do vilão, com sua armadura de ferro, pode ser referência à "Cortina de Ferro", a expressão popularizada pelo ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill para se referir aos países da Europa oriental que ficaram sob influência da URSS após a Segunda Guerra Mundial. O Incrível Hulk O Incrível Hulk, segunda criação da parceria Stan Lee-Jack Kirby, também refletia o contexto da Guerra Fria.

No primeiro número do gibi, lançado em maio de 1962, ficamos sabendo como o cientista Bruce Banner se tornou o Hulk: ele tenta salvar um adolescente que invadiu o local onde se testará pela primeira vez a "bomba gama" (projetada pelo próprio Banner) e fica exposto aos raios gama quando a bomba é detonada propositalmente por seu assistente, um espião iugoslavo disfarçado. Banner, em vez de morrer de leucemia ou queimaduras radiativas (que é o que aconteceria na vida real), descobre que os raios gama alteraram a química de seu corpo. Agora, sempre que se enfurece, é humilhado ou entra em pânico, ele se transforma no Hulk, um brutamontes capaz de levantar toneladas.

Curiosamente, o Hulk era para ser cinzento, mas falhas de impressão no primeiro número do gibi fizeram que ele aparecesse esverdeado em alguns quadrinhos. Assim, o verde se tornou sua cor definitiva. Até o fato de Banner ser físico nuclear tinha relação com a Guerra Fria. Desde o Projeto Manhattan (o qual desenvolveu as bombas atômicas que foram lançadas sobreHiroshima e Nagasaki), os físicos nucleares tinham "importância estratégica" para o governo dos EUA. Vale recordar que, segundo alguns historiadores, as bombas atômicas usadas contra o Japão marcaram não apenas o fim da Segunda Guerra Mundial, mas o começo da Guerra Fria. Segundo tal interpretação, o ataque a Hiroshima e Nagasaki teria sido a forma que os EUA encontraram de mandar o seguinte recado à URSS: "Cuidado conosco! Nós temos a bomba!" Depois disso, a procura por carreiras científicas, sobretudo em física nuclear, aumentou consideravelmente nas universidades norte-americanas.

Bruce Banner, assim como os físicos do Projeto Manhattan, trabalha para os militares; e a "bomba gama" explode no deserto do Novo México, região dos EUA onde foram mesmo realizados os primeiros testes atômicos. Outro elemento da Guerra Fria presente na saga do Hulk é o espião iugoslavo. Naquela época, histórias de espionagem eram comuns tanto na ficção quanto na realidade. Além disso, a Iugoslávia era um dos países do Leste Europeu onde os comunistas haviam chegado ao poder. (No entanto, os iugoslavos eram um caso à parte: o então governante do país, o marechal Tito, principal líder da resistência contra os invasores alemães durante a Segunda Guerra Mundial, não seguia todos os ditames da União Soviética; por isso, o modelo socialista adotado na Iugoslávia era um pouco diferente daquele que predominava nos outros países do Leste.) Em suas primeiras aventuras, o Hulk enfrentou vários vilões comunistas, mas havia igualmente críticas aos EUA.

Em primeiro lugar, porque o principal inimigo do Hulk era o general Ross, também pai da namorada de Banner. Ou seja, em muitas histórias do Hulk, o inimigo era o próprio Exército norte-americano, sempre perseguindo o gigante verde. E não se deve esquecer que o Hulk era um monstro criado pelo horror atômico. Ao conceberem a história, Stan Lee e Jack Kirby pretenderam transmitir uma lição de moral: Banner é vítima de uma arma que ele mesmo projetou, e o cientista sente remorsos por isso.

(Túlio Vilela - especial para página 3 Pedagogia e Comunicação - publicado no site Uol. Acessado em 26/06/2012)

 

 

3ª etapa 

Esta aula será marcada pela abordagem de obras mais críticas ao comportamento norte-americano durante os anos da Guerra Fria. Introduza o contexto da década de 1960, com destaque para a crise dos mísseis de Cuba; a Guerra do Vietnã e seu impacto na população dos EUA; a luta por direitos civis dentro do solo norte-americano.
Trabalhe, então, com dois filmes: "Dr. Fantástico", de 1964, e "Corações e Mentes", de 1974.
No caso do primeiro, utilize os seguintes trechos:

  1. Conversa no telefone entre os governantes dos EUA e da URSS (minutagem: 40m50s até 45m30s);
  2. Diálogo sobre a "Máquina do Juízo Final" e fala do personagem Dr. Fantástico (minutagem: 49m10s até 53m50s).

A partir dessas duas cenas, debata com os alunos sobre o medo de uma guerra nuclear no contexto pós-crise dos mísseis de Cuba, medo que afetava diretamente as relações entre os governantes das duas grandes potências mundiais.

Em seguida, utilize trecho do filme "Corações e Mentes" no qual militares e ex-militares norte-americanos e civis vietnamitas falam dos bombardeios ao Vietnã (minutagem: 20m40s até 25m). Debata com os estudantes a postura crítica assumida pelo filme em questão, destacando a impacto da Guerra do Vietnã na sociedade norte-americana do período.
 

4ª etapa 

Inicie a última aula apresentando para os alunos a "Era Reagan". Explique os objetivos deste governo, o recrudescimento das tensões com a URSS, a busca por fortalecimento da hegemonia norte-americana no mundo.
Faça uma leitura coletiva da matéria da revista Veja "O novelão redivivo", dando destaque ao papel exercido pela série televisiva "Dallas" no enfraquecimento de governos comunistas do Leste Europeu.
Em seguida, comente sobre a importância dos filmes do ator/diretor Sylvester Stallone para o fortalecimento da ideologia defendida pelo governo de Reagan e exiba um trecho de "Rocky IV", no qual o boxeador norte-americano enfrenta um rival soviético, em Moscou (minutagem: 1h4m até 1h10m). Destaque o discurso do personagem Rocky Balboa após o término da luta (minutagem: 1h24m até 1h26m40s). Relate aos alunos toda a trajetória desse personagem ao longo de sua série de filmes, como ele encarna o "sonho americano" de ascensão social, em contraposição à rigidez da sociedade comunista russa.

Proponha que os alunos, divididos em grupos, pesquisem sobre uma das temáticas abordadas no conteúdo "Guerra Fria" (por exemplo: Guerra do Vietnã, Guerra da Coréia, macartismo, crise dos mísseis de Cuba). Cada tema ficará sob responsabilidade de um grupo, que fará um levantamento hist6óricos dos fatos e dos filmes produzidos com esse tema. Cada grupo deverá apresentar uma resenha sobre sua pesquisa e apresentar na próxima aula para toda a sala. Após as apresentações a turma deverá escolher qual filme, entre aqueles mencionados nos trabalhos. deseja assistir.
 

5ª etapa 

Reserve esta aula para a exibição do filme selecionado pela turma.
 

Avaliação 

Com os comentários e observações dos alunos durante as exposições, observe se compreenderam o conteúdo abordado. A partir das apresentações das resenhas, veja se entenderam como os produtos culturais foram utilizados no período da Guerra Fria. Com as resenhas apresentadas e os debates em sala de aula, os alunos deverão manifestar espírito crítico sobre os programas e filmes debatidos em sala, mostrando o que a indústria cinematográfica usava para prender a atenção e persuadir o espectador.

 
Autor Nova Escola
Créditos:
Wallace Andrioli
Formação:
Doutorando em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF)
Créditos:
Rossana Ramos
Formação:
Professora da Universidade de Pernambuco, especialista em Inclusão

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