Aqui você pode pesquisar e adaptar planos já existentes

 


Navegar era impreciso

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Identificar as características dos instrumentos e recursos usados nas antigas navegações

Conteúdo(s) 

Antigas navegações

Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem da Veja:

 

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução
Um horizonte plano, o azul do mar para todos os lados e, para indicar a posição, apenas o Sol sobre a cabeça. Peça aos seus alunos para se imaginarem nessa situação dentro de um barco e tentarem descobrir para que lado ir até chegar à terra. Difícil? E se a existência de solo firme for pouco mais do que uma suposição? A turma pode pensar que aí a questão já sai do plano do descobrimento cientificamente calculado e embrenha-se na aventura, como a dos navegadores do século XV. É verdade, até certo ponto. Mas vale lembrar que alguns conhecimentos já eram dominados por eles. A posição da estrela polar, por exemplo. Mas no hemisfério Sul, onde ela não aparecia, os navegantes dependiam exclusivamente das leituras na bússola, muitas vezes enganadora, e da localização relativa do Sol.

Se determinar direções no mar não era tão complicado, o mesmo não se pode dizer do cálculo das distâncias. A reportagem de VEJA fala de um recurso inventado pelos portugueses, o nó, ainda hoje usado, mas que à época era uma medida um tanto arbitrária. Com esta aula você mostrará como tais medições eram feitas, além de usar esses métodos para abordar um pedaço da História da Ciência.

Encomende uma pesquisa iconográfica, em livros especializados, sobre os principais instrumentos da época das grandes navegações, como astrolábios, balestilhas (instrumentos para medir a altura relativa dos astros), bússolas, e também cartas náuticas, portulanos e roteiros de viagem. Sugira à turma que procure o significado desses termos, se eles forem desconhecidos.

2ª etapa 

Proponha aos alunos que tragam bússolas de casa ou as construam. Peça que comparem a orientação das bússolas com aquela conhecida como geográfica. A orientação geográfica pode ser obtida pelo método de determinação da linha meridiana ou linha norte-sul (método descrito no quadro). Ao comparar, eles vão perceber uma diferença entre as duas linhas. Ajude-os a explicar a razão dessa divergência.

3ª etapa 

O exercício anterior abre a perspectiva para discutir a precisão da localização. Determinar a posição do navio usando instrumentos de medida astronômica nunca foi um recurso preciso porque a embarcação oscila de um lado para o outro. Além disso, e das diferenças entre a orientação das bússolas e das linhas geográficas, as unidades de medida de comprimento não eram comuns a todas as nações. Na França, na Espanha e na Alemanha, a légua tinha valores diferentes hoje ela é padronizada e vale 3000 braças ou 6.600 metros. Outra medida arbitrária de distância era o estádio, com 206,25 metros. Não raro encontramos nos textos do século XVI medidas para o comprimento da Terra que eram de 252.000 estádios, enquanto em outros tratados o valor chegava a 90.000 estádios. As medidas da circunferência da Terra eram feitas com astrolábio. Percorria-se uma certa distância na direção norte até que a diferença entre os dois ângulos de visada da estrela polar fosse de 1 grau. Essa distância equivalia, então, a 17,5 léguas espanholas, que podiam ser 4 milhas, ou 2 milhas ou até 1 milha e meia, dependendo da fonte usada para a transformação de unidades.

4ª etapa 

Uma boa atividade é exercitar com os estudantes as mudanças de uma unidade para outra metro para quilômetro, légua e polegada.

5ª etapa 

Chame a atenção dos alunos para um mapa cartográfico. Ele apresenta linhas que demarcam alguns paralelos. No entanto, os meridianos ainda não eram conhecidos sua determinação só seria possível com cronômetros, que não existiam na época. Medir o tempo com pêndulos dentro de barcos não era uma prática confiável. Apenas no século XVIII foi possível realizar essas medições com relativa precisão, graças à invenção do cronômetro náutico pelo navegador e construtor de relógios inglês John Harrison. Esse fato revolucionou a navegação e auxiliou James Cook a mapear a Austrália e a Nova Zelândia.

Medidas meridianas

Ilustrações: Jardim

A determinação do norte geográfico é feita traçando-se a linha meridiana. Para tanto, finca-se uma haste vertical (AB) no solo e mede-se o tamanho da sombra por ela produzida (BC) num horário qualquer da manhã. Em seguida, traça-se um círculo com centro em B e raio do tamanho desta sombra

 

Ilustrações: Jardim

 

A sombra desloca-se acompanhando o movimento do Sol. Seu tamanho diminui até o meio-dia e volta a crescer à tarde. Quando atingir novamente a circunferência no ponto D obtém-se o segmento BD, que forma um ângulo com o segmento BC. A bissetriz (b) do ângulo CBD indica a direção sul-norte.


Vistas distintas
Mostre aos alunos como o Sol é visto em posições diferentes conforme a localização do observador. Os alunos podem considerar três navegantes que, no mesmo instante e alinhados num só meridiano, ocupam posições distintas no mar no Equador, no Trópico de Câncer e no Trópico de Capricórnio. O Sol passa pelo Equador celeste e cruza o meridiano em que estão os barcos. O quadro A mostra como o observador no Trópico de Câncer vê o Sol: atrás do barco, voltado para o sul, numa linha que forma um ângulo de 23,5 graus com o zênite. Em B, o observador do Equador vê o Sol no zênite, acima de sua cabeça. No quadro C, o observador do Trópico de Capricórnio tem o Sol à sua frente, numa linha que forma 23,5 graus com o zênite, na direção norte.

 

Ilustrações: Jardim

 

 

Mapa antigo da América do Sul: os portolanos, ou cartas de marear, indicavam as rotas marítimas pelas rosas-dos-ventos e os contornos litorâneos com seus acidentes geográficos. Reprodução/Fundação Emílio Odebrecht
Mapa antigo da América do Sul: os portolanos, ou cartas de
marear, indicavam as rotas marítimas pelas rosas-dos-ventos
e os contornos litorâneos com seus acidentes geográficos
 

Veja também:

BIBLIOGRAFIA
Mapas Históricos Brasileiros
, em Grandes Personagens da Nossa História, Abril Cultural

 

Créditos:
Walmir Thomazzi Cardoso
Formação:
Professor de Física da PUC de São Paulo
Autor Nova Escola

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