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Motivos da vinda da Família Real portuguesa ao Brasil, em 1808

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Entender os motivos da vinda da família real ao Brasil

Ano(s) 
Material necessário 
Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução 

VEJA traz uma reportagem inusitada sobre o desembarque da Família Real portuguesa no Brasil, na companhia dos cortesãos - 30.000, 4.500 ou apenas 500, não se sabe ao certo quantos eram. O episódio transformou a vida da ex-colônia e sua ex-metrópole. Isso porque, se a elite da nação além-mar veio para cá, o povo de lá não pôde arredar pé e acabou se mobilizando, ao lado dos soldados britânicos, para barrar o avanço das tropas de Napoleão Bonaparte. Use a revista e este plano de aula para investigar com os estudantes esse período conturbado da história luso-brasileira.

Após a leitura da revista, forneça dados complementares para contextualizar a vinda da Família Real. Explique que o bloqueio continental, introduzido pela França em 1807 como forma de pressionar economicamente a Inglaterra, era quase total; faltava apenas a adesão de Portugal. Em novembro daquele ano, mesmo depois de ceder às exigências de Napoleão, o país ibérico encontrava-se sem opções. Tratados entre franceses e espanhóis estabeleciam a divisão do território lusitano. Tropas napoleônicas atravessavam a Espanha e marchavam rumo a Lisboa. O príncipe regente dom João resolveu, então, transferir a sede do império para a colônia mais próspera. Sua primeira medida na América foi abrir os portos ao comércio internacional, o que, na prática, determinava o fim do pacto colonial e o início da dominação econômica britânica no Brasil.

Solicite que os jovens utilizem as informações do quadro "O Impacto da Civilização" como fundamentação para avaliar as conseqüências da presença da corte por aqui. Incentive estudos sobre os desdobramentos políticos das medidas modernizadoras. O objetivo é confirmar que essas iniciativas contribuíram para o surgimento de uma elite esclarecida, grupo que depois pressionou dom Pedro I a declarar o rompimento definitivo entre o Brasil e Portugal.

2ª etapa 

Encarregue a turma de averiguar, na internet e em outras fontes, o que se passou na Península Ibérica nesse período. Todos vão perceber que os franceses, derrotados pelo corpo expedicionário britânico em 1808, assinaram um armistício pelo qual abandonaram Portugal, levando consigo o produto dos saques. Com isso, os anglo-lusitanos retomaram o controle de Lisboa, e os franceses liberaram tropas para controlar um território bem mais rico: a Espanha. É que, ainda naquele ano, Napoleão rompeu o acordo que mantinha com a nação ibérica e a ocupou, colocando seu irmão José Bonaparte no trono do rei Fernando VII. Esse episódio marcou a expansão da Guerra Peninsular, durante a qual guerrilheiros portugueses e espanhóis apoiaram os soldados britânicos na luta contra a França.

Chame a atenção para o segundo ataque francês a Portugal, em 1810. Os ingleses, comandados por Arthur Wellesley (que mais tarde seria conhecido como duque de Wellington), haviam tido tempo de preparar fortes posições defensivas que protegiam Lisboa. Abrigados em Torres Vedras, eles forçaram o inimigo a recuar em 1811. Wellesley passou à ofensiva, expulsando os franceses e transferindo a luta para a Espanha. Em julho de 1812, o britânico obteve uma vitória decisiva na Batalha de Salamanca. O sucesso definitivo era uma questão de tempo.

Conte que, durante a Guerra Peninsular, Portugal atravessou uma séria crise econômica - em boa medida decorrente da abertura dos portos brasileiros à Inglaterra, que levou à ruína muitos comerciantes lusos. Tais dificuldades influenciaram na difusão da ideologia liberal entre os burgueses. A chamada Revolução do Porto eclodiu em 24 de agosto de 1820 e exigiu que dom João VI assinasse uma constituição, pondo fim ao absolutismo. O movimento redundou na volta do rei a Portugal. Os episódios políticos seguintes foram a organização de eleições para as cortes e a marcha do Brasil rumo à independência.

3ª etapa 

Explore a iconografia do período. Para começar, distribua cópias do quadro "Horrores da Guerra" (abaixo) e incentive a realização da atividade nele sugerida.

Encaminhe pesquisas sobre as gravuras de Jean-Baptiste Debret e discuta essas imagens. Conte que Debret era primo e discípulo de Jacques-Louis David, líder da escola neoclássica francesa, e havia produzido obras em homenagem aos feitos de Napoleão. Mais que a derrubada do imperador, em 1815, foi o desconsolo com a morte do filho, no mesmo ano, que motivou sua vinda para os trópicos como integrante da Missão Artística francesa. O pintor desembarcou no Rio de Janeiro em 1816, justamente quando o Brasil foi elevado à condição de Reino Unido. Ele registrou cenas de um país no qual as transformações urbanas e culturais coexistiam com a escravidão.

Esclareça que os trabalhos de Debret se contrapunham à idéia, recorrente na historiografia nacional, de que a monarquia portuguesa no Brasil era frágil, despreparada e decadente. Para o pintor francês, nem dom João VI nem dom Pedro I mereciam desprezo.

Para finalizar a análise iconográfica, exiba para a turma o longa-metragem Carlota Joaquina, Princesa do Brazil, dirigido por Carla Camurati em 1994. Em seguida, pergunte o que são fatos históricos e o que é caricatura nesse filme irônico e perturbador.

Para seus alunos 

Horrores da guerra

Foto:  Museo del Prado Madrid / Divulgação
Foto:  Museo del Prado Madrid / Divulgação

Examine com os colegas a imagem acima, que reproduz o quadro Os Fuzilamentos do Três de Maio, do espanhol Francisco Goya. Notem como, nesse libelo contra a invasão de seu país pelos franceses, o artista individualiza as feições das vítimas, ao passo que os membros do pelotão de fuzilamento são retratados sem rosto. Charles Baudelaire exaltou Goya por "dar à monstruosidade o toque da verdade". O pintor iluminou a cena noturna colocando no chão uma lâmpada que projeta um facho.

Ao fundo, a igreja está escura, como se toda a luz da humanidade estivesse extinta. Cadáveres ensangüentados se lançam em direção ao espectador enquanto uma fila de condenados se estende. As vítimas é que despertam o interesse do autor. Até aquela época, as guerras eram pintadas de modo a enaltecer os soldados e as batalhas. Era um espetáculo glorioso. Goya inverteu tal lógica. Depois de observar o quadro, discutam as sensações e idéias que ele oferece: Goya conseguiu transmitir os horrores da guerra e a indignação de seu povo diante da dominação estrangeira?

 

Quer saber mais?

FILMOGRAFIA
Carlota Joaquina, Princesa do Brazil, Carla Camurati, 1995, Europa Filmes, tel. (11) 2165-9000 

 

Autor Nova Escola
Créditos:
Ricardo Barros
Formação:
Professor de História do Colégio Paulista, de São Paulo

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