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Métodos de produção industrial: taylorismo, fordismo e toyotismo

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 
  • Identificar as características do taylorismo-fordismo e do toyotismo
Conteúdo(s) 
 
  • Taylorismo, fordismo e toyotismo

Reportagem de VEJA:

Ano(s) 
Tempo estimado 
Três aulas
Material necessário 
  • Computador com acesso à internet
  • Projetor de filmes ou DVDs

 

Flexibilização

Para alunos com deficiência auditiva
Nesta aula, o professor pode ir ao pátio com os alunos e aplicar uma dinâmica. Coloque vários objetos de um lado do pátio e os alunos do outro.Peça que cada  estudante atravesse o pátio e vá buscar um objeto do outro lado até que todos sejam transportados.
Em seguida, reorganize a atividade colocando os alunos enfileirados  e fazendo-os transportar os objetos de mão-em-mão sem poder sair do lugar. Tudo deve ser transportado com mair rapidez e menos esforço.  A atividade introduz a ideia do trabalho em série e também ajuda a compreensão dos conceitos expostos no plano. Os outros pontos devem ser explicado com imagens, como o filme "Tempos Modernos",   para que a compreensão do aluno deficiente auditivo seja mais eficiente.

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

Em seu artigo de VEJA, Claudio de Moura Castro tece elogios ao taylorismo, associado à racionalização do trabalho industrial e ao consequente aumento na produtividade do homem e suas máquinas. O texto é um bom ponto de partida para você analisar com seus alunos os esquemas produtivos conhecidos como taylorismo-fordismo e toyotismo, que desde o início do século XX direcionaram a organização do trabalho nas fábricas.

Solicite a leitura do artigo de Claudio de Moura Castro e um rápido levantamento, via internet, de alguns dados biográficos de Frederick W. Taylor (1856-1915) e Henry Ford (1863-1947).

Ressalte como o articulista, quando estudante, observou seus próprios movimentos, ao lavar pratos, descartando gestos desnecessários. Explique que este é um dos pontos básicos do taylorismo: desde 1881 Frederick Taylor preocupou-se com o estudo dos tempos das ações humanas na fábrica, o que conduziu à eliminação dos tempos mortos e dos movimentos desnecessários do operador. As conclusões de suas pesquisas e aspectos da nova abordagem gerencial foram divulgados em artigos como Shop Management [Administração das oficinas], de 1903. Ou seja, em 1911, quando Taylor publicou sua principal obra, The Principles of Scientific Management [Princípios da administração científica], a revolução na organização do trabalho por ele desencadeada já tinha raízes sólidas.

Acrescente que o taylorismo alcançou seu apogeu graças à contribuição de outro pioneiro da racionalização do trabalho industrial: Henry Ford. Entre as datas que balizam a trajetória do empresário estão 1908, ano do surgimento do Ford Modelo T; e 1913-1914, quando foi introduzido um novo processo produtivo, a linha de montagem, na fábrica de Ford em Highland Park, Michigan. Ensine que, pelo novo esquema, os operários ficam junto a uma esteira que transporta a carcaça do automóvel a ser montado; quando ela chega diante deles, os homens intervêm e executam os movimentos racionalmente determinados pela análise taylorista, sem perder um segundo. Foi a feliz união entre a racionalização taylorista dos movimentos e a linha de montagem fordista que levou diversos analistas a falar numa organização do trabalho taylorista-fordista.

Encomende pesquisas acompanhadas de um debate sobre as vantagens e desvantagens do taylorismo-fordismo. O artigo de Veja apresenta argumentos em favor desse processo. Para fornecer outros subsídios à discussão, informe que a racionalização do processo produtivo reduziu de 728 para 93 minutos o tempo de montagem de um automóvel, proporcionando um enorme aumento de produtividade e consequentemente de lucros. Parte desses lucros foi destinada ao pagamento de melhores salários aos operários. Ford passou a pagar, em 1914, US$5 por dia a cada trabalhador, num momento em que o salário médio diário na indústria automobilística era de US$2,34. Ele também reduziu de 9 para 8 horas a jornada de trabalho. Houve ainda uma preocupação permanente com a diminuição dos custos de produção, o que levou o Modelo T, vendido por US$950 em 1908, a ser comercializado por apenas US$290 em 1927. A produção crescente e o preço cada vez menor popularizaram o automóvel enquanto veículo de massa, moldando o mundo contemporâneo.

Quanto aos aspectos negativos, leia para a turma a seguinte passagem do historiador francês Jean-Yves Le Naour: "Última mutação, e não das menores, num capitalismo de métodos basicamente tradicionais: o aparecimento da racionalização do trabalho diretamente importada dos Estados Unidos. Segundo o modelo das fábricas Ford de Detroit, que André Citroën havia visitado, o construtor de automóveis francês introduziu a cadeia de montagem em 1919, sendo logo seguido pela Renault em 1922. A organização científica do trabalho, chamada mais correntemente de taylorismo, constituiu uma pequena revolução: os ganhos de produtividade eram evidentes, os custos baixaram e com eles o preço de venda. Sobretudo, ela criou as condições para uma produção em massa estandardizada - a fábrica Citroën do cais de Javel não parava nunca, funcionava dia e noite, sete dias em sete. Mas parava aí a comparação com o fordismo, pois a ideia de transformar os trabalhadores em consumidores graças ao aumento dos salários ainda não havia penetrado no espírito do capitalismo francês, profundamente maltusiano".

Saliente que essa política não foi exclusiva do patronato francês: em muitos países e regiões, racionalização do trabalho implicava intensificar a exploração da mão de obra, sem uma contrapartida salarial adequada. Nessas fábricas, os trabalhadores não apenas executavam movimentos automatizados, mas eram vistos como máquinas pelos "seres pensantes" - os capatazes, gerentes, engenheiros e patrões. Decorreu daí o ressentimento de alguns sindicatos em relação ao taylorismo-fordismo.

Para a aula seguinte, proponha a organização de um painel sobre linhas de montagem, nos tempos pioneiros de Ford e nas décadas seguintes. Será possível, por exemplo, consultar revistas, livros e a internet para obter fotos sobre as linhas de montagem da indústria automobilística brasileira. Note que em algumas delas existem robôs - o operário perfeito, na visão de muitos tayloristas.

 

2ª etapa 

Em seu artigo Cláudio de Moura Castro observa, exasperado, que os críticos do taylorismo "mostram o filme Tempos Modernos, de Charles Chaplin, com sua versão grotesca das linhas de montagem". Embora a posição do autor faça sentido - e as discussões da aula anterior tenham provavelmente mostrado que os aspectos positivos do taylorismo-fordismo superam amplamente os negativos -, reserve a aula para a exibição, na totalidade ou em parte, de Tempos Modernos, obra-prima do cinema mundial. Será, no mínimo, um bom contraponto ao painel de linhas de montagem que vai ser exposto na classe.

 

3ª etapa 

Conte que será examinado nesta aula um novo processo de organização do trabalho industrial: o toyotismo. Como o nome indica, surgiu na montadora Toyota, do Japão, na segunda metade do século XX, e se difundiu impulsionado pelo próprio processo em curso de globalização.

Chame a atenção para algumas diferenças do toyotismo em relação ao taylorismo-fordismo. A primeira pode ser a escala da produção. Enquanto as fábricas fordistas, reunindo por vezes dezenas de milhares de trabalhadores, tentavam produzir o máximo possível e dominar todo o mercado, a fábrica toyotista é menor, com menos operários, e tem metas aparentemente menos ambiciosas. Ela visa uma produção mais flexível, ajustada à demanda, que lhe garanta a ocupação de nichos de mercado. É o chamado sistema just in time: produzir o necessário, na quantidade necessária e no tempo necessário.

Outra diferença diz respeito à mão de obra. A fábrica fordista reserva as funções manuais aos operários operadores de máquinas, e as intelectuais aos capatazes, gerentes e engenheiros. Já o toyotismo não se baseia na divisão entre trabalho intelectual e manual. Em vez da pirâmide hierárquica fordista, no esquema toyotista existem equipes de produção que atuam em conjunto como os membros de um time esportivo. O operário toyotista deve pensar por si mesmo, saber interpretar um livro de instruções redigido por engenheiros, ler um manual técnico em língua estrangeira e assim por diante. Além disso, essas unidades produtivas podem ser instaladas na mais diversas regiões que ofereçam vantagens competitivas para a produção. Esses aspectos sugerem que a organização toyotista do trabalho industrial é mais adequada a tempos globalizados? Por quê? A insistência das unidades toyotistas na "flexibilização" (mais precisamente, no abandono) das leis trabalhistas também pode ser associada à globalização?

Encarregue a garotada de fazer pesquisas sobre a automação na indústria automobilística. Podem ser examinadas, por exemplo, fotos das instalações produtivas da Ford dos EUA e da Toyota do Japão. Robôs são encontrados nessas unidades emblemáticas do taylorismo-fordismo e do toyotismo? Se a resposta for positiva, o que isso indica? Que a automação é um aspecto da organização do trabalho contemporâneo, seja qual for o modelo utilizado?

Peça investigações via internet sobre esquemas toyotistas de produção utilizados no Brasil. Serão encontrados bem poucos exemplos, entre eles o de uma fábrica de chassis de ônibus e caminhões da Volkswagen situada em Resende, RJ. O que isso quer dizer? Que o toyotismo ainda não chegou ao Brasil? Nesse caso, a organização do trabalho predominante no país baseia-se no taylorismo-fordismo, ou, como observou Claudio de Moura Castro, a racionalização taylorista tampouco chegou a nossa terra?

 

Avaliação 

As atividades vão mostrar que o taylorismo-fordismo, que moldou a sociedade capitalista urbana do século XX, dominada pelo automóvel particular, passou a sofrer a concorrência crescente da organização do trabalho toyotista, destinada a garantir uma produção mais flexível, voltada para a ocupação de nichos de mercado. Ambos têm aspectos positivos e negativos, mas o toyotismo talvez seja mais adequado ao processo em curso de globalização.

Créditos:
Carlos Eduardo Matos
Formação:
Jornalista e editor de livros didáticos e paradidáticos
Créditos:
Rossana Ramos
Formação:
Professora da Universidade de Pernambuco, especialista em Inclusão
Autor Nova Escola

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