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Literatura na escola - 7º ano: Contos de Edgar Allan Poe

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Estimular o gosto pela leitura;
Desenvolver a competência leitora;
Desenvolver a sensibilidade estética, a imaginação, a criatividade e o senso crítico;
Estabelecer relações entre o lido/vivido ou conhecido (conhecimento de mundo);
Exercitar os conhecimentos de foco narrativo na análise literária;
Compreender as particularidades da narrativa fantástica.

Conteúdo(s) 

Foco narrativo;
Análise literária;
Gênero fantástico;
Comentário;
Paródia

 

Ano(s) 
Tempo estimado 
Seis aulas
Material necessário 

Livro Histórias extraordinárias. Edgar Allan Poe, 272 págs, Companhia das Letras, tel (11) 3707-3500, preço 21 reais
Se possível, um computador ligado à Internet.

Desenvolvimento 
1ª etapa 


Pergunte aos alunos se eles já ouviram falar do escritor Edgar Allan Poe e se conhecem alguma obra que ele publicou. Conte à turma a história dele.

Edgar Allan Poe

Edgar Allan Poe. Wikipedia
Edgar Allan Poe. Fonte: Wikipedia

Poe nasceu em 1809 e morreu em 1849. Sua obra é vasta em qualidade artística e transita por diversos gêneros. O autor escreveu desde poemas até novelas, porém os contos são considerados a parte mais relevante de sua obra. "Crimes na rua Morgue", short story de sua autoria, inaugura, em 1841, o gênero policial. No entanto, o autor norte-americano pode ser considerado um escritor fantástico antes de ser contista policial, pois suas obras vão muito além de tramitações de crimes. Os crimes de Edgar Allan Poe costumam ser envoltos em situações sobrenaturais, enigmáticas e misteriosas; causando hesitação, curiosidade e aguçando a perspicácia de seus leitores.

 Saiba mais sobre o autor

 

2ª etapa 

Peça aos alunos que observem o título Histórias extraordinárias e formulem hipóteses em relação a ele. Observe que a capa contém a figura de um gato preto e pergunte à turma o que esse animal sugere.

Faça uma leitura compartilhada do conto "O gato Preto" e depois recolha as impressões gerais.

3ª etapa 

Análise "O gato preto": comentário

Pergunte para a classe por que Edgar A. Poe escolheu um gato preto? Não poderia ser qualquer outro animal?

O próprio narrador explicita, ao longo de sua narrativa, sua adoração pelos animais. Releia para a sala:

"Gostava de modo especial dos animais, e meus pais permitiam-me possuir grande variedade de bichos de estimação. Com eles, gastava a maior parte de meu tempo e nunca me sentia tão feliz como quando lhe dava comida e os acariciava[...]
Casei-me cedo e tive a felicidade de encontrar em minha mulher um caráter não oposto ao meu.[...] Tínhamos pássaros, peixes dourados, um lindo cachorro, coelhos, um macaquinho e um gato. (Poe, E.A, p.70)"

Peça que os alunos formulem hipóteses oralmente para a escolha do gato preto. Depois de discuta o tema com a classe, conte a eles algumas histórias sobre as superstições envolvendo a figura do gato preto.

Gato preto

Gato preto. Foto: LUIS MORAIS
Gato preto. Foto: LUIS MORAIS

O grego Heródoto (484-425 a.C), considerado "o pai da História", afirmava que os egípcios antigos eram "os mais escrupulosamente religiosos de todos os homens". Entre eles, a religião estava presente em qualquer um dos aspectos da vida, e na origem dos deuses encontrava-se razão para divinização de diversos animais, entre os quais o crocodilo, o cão ou o gato, este um animal doméstico que se transformou em cosmopolita porque é o único felino que vive espontaneamente na residência dos homens.

Mas seus hábitos noturnos, decorrentes provavelmente da preferência pela caça não só de ratos, como também de répteis, pequenas aves e até mesmo a apanha de peixes, quando ela é possível, fizeram nascer e crescer na Idade Média a idéia de que ele tinha parte com o demônio, principalmente se fosse preto, porque essa era a cor que simbolizava as trevas onde o diabo vivia. E essa crença chegou a tal ponto que o papa Inocêncio VIII (1432-1492) não hesitou em incluí-lo na lista dos "mais procurados" pelo tribunal eclesiástico conhecido como Inquisição, responsável pela condenação, mutilação e morte de um número indeterminado de homens e mulheres acusados da prática de bruxaria, feitiçaria ou heresia.

São muitas as histórias sobre a fama negativa dos gatos. Numa delas, diz-se que em certa noite de 1560, um deles, de cor negra, foi perseguido a pedradas por algumas pessoas. Machucado, ele procurou refúgio na casa de uma velha senhora que costumava abrigar esses animais sem dono. No dia seguinte, os moradores da Lincolnshire - cidade inglesa onde supostamente ocorreu o caso - perceberam que a anciã também apareceu machucada, surgindo daí a conclusão de que ela era uma bruxa, e de que a forma de gato nada mais era que seu disfarce noturno. Também na França os gatos não tinham boa vida. Mas em 1630 o rei Luis XIII (1601-1643) resolveu amenizar o dia a dia desses felinos proibindo que fossem perseguidos. Uma outra história conta que Charles I (1600-1649), rei da Inglaterra, acreditava que seu gato preto lhe trazia boa sorte, e seu medo de perdê-lo era tanto que o mantinha dia e noite sob vigilância. Um dia depois da morte do gato, ele foi preso e em seguida executado.

Na mitologia escandinava, uma lenda sobre Freia, ou Freija, deusa do amor e patrona da fecundidade, diz que sua carruagem era puxada por dois gatos pretos que depois de servi-la por sete anos transformavam-se em feiticeiras. Tempos depois, já na Idade Média, esses felinos foram associados ao demônio, e por serem animais de atividade predominantemente noturna, criaram em torno de si a ideia de que além de sobrenaturais e servidores de bruxas, ou até mesmo as próprias bruxas, eram também possuidores de poderes apavorantes e personificação do mal e do mistério, daí porque qualquer coisa de ruim que acontecesse, a culpa lhes era sempre atribuída. A história também revela que em tempos passados a punição por determinados crimes incluía a extirpação da língua do condenado, sendo esse órgão dado em seguida aos animais. Quem garante que não tenha se originado daí a frase "O gato comeu sua língua?".

Muito embora os gatos domésticos não sejam mencionados na Bíblia, a lenda assegura que eles foram criados quando em determinado momento a Arca de Noé ficou infestada de ratos. Para resolver o problema, Noé ordenou que o leão espirrasse, e foi desse espirro que se formou o gato.

http://www.fernandodannemann.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=115930

Pergunte à turma se eles sabem o que é "superstição". Tente chegar, junto com os alunos, a uma definição. Ex: Superstições são crenças sobre relações de causa e efeito que não se adequam à lógica formal, nem ao pensamento racional.

4ª etapa 

Análise "O gato preto": foco narrativo

Pergunte à classe: Quem narra a história? É um narrador em 1ª pessoa ou em 3ª? Podemos confiar em tudo que ele diz?

Como vimos, o narrador é também personagem. É do seu ponto de vista que tudo é visto e narrado. Sendo assim, narra de um centro fixo, limitado às suas percepções, pensamentos, sentimentos, crenças, superstições e, quiçá, delírios.

Releia com a classe fragmentos que possam nos levar a desconfiar do narrador, como, por exemplo, a introdução do conto:

"PARA A NARRATIVA MUITO ESTRANHA, embora familiar, que ora começo a escrever, não espero nem peço crédito. Louco, na verdade, seria eu se o esperasse num caso em que meus sentidos rejeitam seu próprio testemunho."

Em "O gato preto", o foco narrativo em 1ª pessoa foi importantíssimo para acentuar o mistério que paira sobre a história. O leitor não dispõe de meios para avaliar a veracidade do depoimento, já que tudo é contado pela ótica do narrador, que, já na introdução do conto, aponta para uma ambivalência de sua história: real ou irreal? Loucura ou verdade? Extraordinário ou doméstico? É essa ambivalência um dos recursos da condução do conto para o gênero fantástico.

 

5ª etapa 

Análise "O gato preto": a narrativa fantástica

Defina o conceito de Fantástico para a turma.

Conceito de Fantástico

O poeta José Paulo Paes (1996), tradutor de Histórias extraordinárias, explica-nos o que vem a ser uma narrativa fantástica:
Se você se der ao trabalho de ir até o dicionário para saber o que quer dizer fantástico, vai verificar que essa palavra designa tudo quanto seja fantasioso, fantasmagórico, mero produto da imaginação. Em suma, o oposto do real. Real, por sua vez, não é apenas aquilo cuja existência pode ser comprovada pelos nossos sentidos, mas sobretudo aquilo que ninguém põe em dúvida seja verdadeiro.

Quando uma narrativa explora a oposição entre o real e o fantástico, diz-se que é uma narrativa fantástica[...]

Num conto fantástico, em nenhum momento o leitor perde a noção da realidade. Por não perdê-la é que lhe causa surpresa o acontecimento ou acontecimentos estranhos, fora do comum ou aparentemente sobrenaturais que de repente parecem desmentir a solidez do mundo real até então descrito no conto. Nesse momento de surpresa e de perplexidade, está o próprio sal da literatura fantástica. Daí um dos seus estudiosos, Tzvetan Todorov, a ter definido como aquela que provoca, no espírito do leitor, uma dúvida insolúvel entre uma explicação natural e uma explicação sobrenatural para os estranhos fatos que ele narra.

In: Edgar Allan Poe ET alii. Histórias fantásticas. São Paulo: Átiva, 1996. P-3-4.

Pergunte a eles: Quais fatos fantásticos aparecem no conto?

Explore a mudança de comportamento narrador-personagem, o incêndio da casa, a marca do gato enforcado na parede, a semelhança entre o novo gato preto e o antigo, o emparedamento da esposa e o surgimento do gato dentro da parede.

 

6ª etapa 

Releituras de "O gato preto"

Se tiver acesso à Internet, assista com a turma a animação "O gato preto". Há, no mesmo site, outras releituras do conto que podem ser mostradas aos alunos.

Avaliação 

Proponha aos estudantes uma avaliação por meio da escrita criativa. Peça que os alunos criem uma paródia do conto "O gato preto", de Edgar Allan Poe, na perspectiva do gato.

Paródia

A paródia é a criação de um texto a partir de um bastante conhecido, ou seja, com base em um texto consagrado alguém utiliza sua forma e rima para criar um novo texto cômico, irônico, humorístico, zombeteiro ou contestador, dando um novo sentido ao texto. Parte da intertextualidade, a paródia é um intertexto, ou seja, é um texto resultante de um texto origem que pode ser escrito ou oral. Essa intertextualidade também pode ocorrer em pinturas, no jornalismo e nas publicidades.
Fonte: http://www.alunosonline.com.br/portugues/parodia/

Objetivos:
a) Desenvolver a habilidade de produzir uma paródia, de forma coesa e coerente;
b) Exercitar a habilidade de usar Foco Narrativo.

Ofereça a eles um fragmento inicial do texto (pode ser o fragmento abaixo ou um de sua própria autoria) e peça que concluam a narrativa.

 A verdade de "O gato preto"

Vou contar uma história - e não se admire por isso, pois os animais falam desde os tempos de Esopo. Não seria eu agora que me calaria diante de fatos tão horrendos. A verdade é que sofri, não só por mim, mas pela minha dona. Que mulher! Você já sabe, não preciso dizer o quanto ela era dócil, o quanto tinha predileção por animais. Em nossa companhia, existiam pássaros, peixes dourados, cachorro, coelhos, um macaquinho. Porém, eu era o seu maior amor. Sim, ela me amava.
- E ele?
Quando fui morar naquele mausoléu, recebi, no início, amor incondicional. Quer dizer, pensava que era. Mal sabia eu que tudo não passava de uma grande cilada.
- Uma cilada?
Sim, fazia parte de seu plano diabólico. Meus pelos se eriçam só de pensar que um dia o amei. Caí na armadilha. Deu-me demonstrações de afeto, eu acreditei. Vivia a seus pés, seguia-o a qualquer parte da casa. E não me diga que era a bebida. Hoje eu sei que ele já era mau. O álcool só lhe deu coragem para concretizar seu plano diabólico.
- Conte-me tudo.

Autor Nova Escola
Créditos:
Helena Weisz
Formação:
Mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo (USP)
Créditos:
Regiane Magalhães Boainain
Formação:
Mestre em Literatura e Crítica Literária pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC- SP)

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