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Literatura na escola - 6º ano: Contos de José J. Veiga

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Estimular o gosto pela leitura;
desenvolver a competência leitora;
desenvolver a sensibilidade estética, a imaginação, a criatividade e o senso crítico;
estabelecer relações entre o lido / vivido ou conhecido (conhecimento de mundo);
conhecer / exercitar alguns elementos básicos da narrativa (foco narrativo, tempo e espaço);
discutir o papel da literatura como fonte de repertório para um imaginário mais rico.

Conteúdo(s) 

Elementos da narrativa: narrador, tempo e espaço;
Conceitos de real e imaginário;
Conceitos de tempo do enunciado e tempo da enunciação.

Ano(s) 
Tempo estimado 
Cinco aulas
Material necessário 

Livro Os cavalinhos de Platiplanto. José J. Veiga. 32 págs, Bertrand Brasil, tel (21) 2585 2000, preço 15,00 reais

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

Esta é a terceira de uma série de 16 sequências didáticas que formam um programa de leitura literária para o Ensino Fundamental II. Veja, ao lado, o conteúdo completo.

Pergunte se os alunos já ouviram falar do escritor José J. Veiga? Conhecem alguma obra que ele publicou? Ouça as repostas e apresente à turma as informações abaixo.

José Jacinto Pereira Veiga (1915-1999) nasceu em Corumbá, uma pequena vila a 150 quilômetros de Goiânia (GO), e dizia dever a escolha de seu nome literário à ajuda de Guimarães Rosa que, com argumentos numerológicos e estilísticos, sugeriu José J. Veiga, na altura da publicação do livro de estreia "Os Cavalinhos de Platiplanto", em 1959.

Faça uma leitura compartilhada do primeiro conto: "A Ilha dos Gatos Pingados”, seguida de troca de impressões gerais.

2ª etapa 

Análise de “A Ilha dos Gatos Pingados” - tempo do enunciado e tempo da enunciação

Retome o enredo do conto com a classe, assim como as impressões gerais – elas são importantes para que o professor possa achar o fio condutor da análise literária. Em seguida, releia com a turma o seguinte trecho:

“Já sei o que vou fazer. Se Cedil não voltar até o fim do ano, vou-me embora para o sítio de minha avó. Lá eu vou ter uma bezerra pra tirar cria, um cavalinho para montar e muitas coisas pra fazer o dia inteiro. É melhor do que ficar aqui feito bobo, pensando toda a vida na ilha, nos brinquedos que a gente brincava, nas coisas que Cedil e Tenisão diziam, e até nos sustos que passávamos, como no dia que a jangada quase afundou com nós três.”(página 1)

Discuta com os alunos:

- Quem é o narrador desse fragmento? Ele participa da história? Como você o caracteriza?

- O fragmento revela que o narrador conta os fatos após algum tempo. Retome o conto, se precisar, e pergunte quanto tempo se passou desde que os fatos narrados ocorreram?
Explique os conceitos de tempo da narração e tempo do narrado (ou tempo da enunciação e tempo do enunciado). Diga à turma que o narrador/personagem conta a história da Ilha dos Gatos Pingados aproximadamente um mês depois de ela ter sido vivida. A experiência dos meninos se revela tão intensa que o narrador parece profundamente transformado e o intervalo entre o tempo da narração e o tempo do narrado aparenta ser bem maior.

- Parece que faz só um mês que o narrador/personagem viveu o que conta? Por quê?

 

3ª etapa 

Análise de “A Ilha dos Gatos Pingados” – o Espaço como ambientação

Releia com a classe o relato a respeito da ilha

“Lá ninguém ia, o mato era fechado na beira da água, mas varando o mato o resto era limpo, dava muito cará e sangue-de-cristo. Não tinha era canoa, a que costumava ter tinham tirado, com certeza justamente pra menino não atravessar. O jeito era fazer uma jangada de toro de bananeira”.

Depois o compare com um relato posterior:

“Eu gostava bem da ilha, mas acho que gostava mais era por causa de Cedil. Ele tinha deixado de falar em afogar ou fugir, decerto porque Zoaldo estava viajando... Mas Cedil não parecia o mesmo, todo dia inventava um brinquedo novo”.

Discuta com a sala os seguintes pontos:

- Onde se passa a história?
- O que acontece com Cedil?
- Por que os meninos decidem montar casa na ilha?
- A ilha é apenas um esconderijo ou representa algo mais para eles?
- A ilha significa a mesma coisa para Cedil e para os outros meninos?

Para ajudar na reposta, leia o trecho abaixo:

Os espaços de “A ilha dos gatos pingados” são de grande importância para a vida dos narradores e dos personagens, são neles que acontecem os eventos mais brutais da vida cotidiana. As narrativas têm como narradores e/ou protagonistas, crianças diante de preocupações e questionamentos sobre a vida e envolvidas em alguma situação de repressão, ou de morte. Oposto a isso, há um outro lugar: mágico, exótico, distante, capaz de fazer esquecer todos os desgostos enfrentados pelas criaturas de papel: tanto o narrador quanto as personagens. É a Ilha dos Gatos Pingados.

 

4ª etapa 

Leitura compartilhada “Os cavalinhos de Platiplanto”

 Reserve um tempo para a leitura compartilhada de “Os cavalinhos de platiplanto”, seguida de troca de impressões gerais.

5ª etapa 

Análise “Os cavalinhos de Platiplanto”: o real e o imaginário

O conto “Os cavalinhos de Platiplanto” se inicia com o seguinte fragmento: 

“O meu primeiro contato com essas simpáticas criaturinhas deu-se quando eu era muito criança.” (p.27)

Percebemos que quem nos conta os fatos é um narrador em 1ª. pessoa que, via memória, recupera os fatos vividos por ele ainda muito criança. Aqui, como em “A Ilha dos Gatos Pingados”, há uma diferença entre o tempo da enunciação e o tempo do enunciado, só que agora a diferença é entre infância e idade adulta.

Destaque o fragmento a seguir e discuta com a turma:

“Quando a gente é menino parece que as coisas nunca saem como a gente quer. Por isso é que eu acho que a gente nunca devia querer as coisas de frente por mais que quisesse, e fazer de conta que só queria mais ou menos. Foi de tanto querer o cavalinho, e querer com força, que eu nunca cheguei a tê-lo.”

O fragmento acima revela um posicionamento de alguém já amadurecido, ou seja, os fatos vividos quando criança são interpretados de outra forma por alguém que, distante no tempo, com uma postura mais reflexiva, resolve rememorá-los. O narrador, diante da impossibilidade de ganhar o cavalinho do avô, sente o gosto amargo da frustração. Porém, para atenuar essa decepção, a criança foge para um mundo imaginário.

Destaque os fragmentos a seguir: 

Eu não entendia por que uma pessoa como meu avô Rubem podia mudar, mas fiquei com medo de perguntar mais; mas uma coisa eu entendi: o meu cavalinho, nunca mais. Foi a única vez que eu chorei por causa dele, não havia consolo que me distraísse.
 
Não sei se foi nesse dia mesmo, ou poucos dias depois, eu fui sozinho numa fazenda nova e muito imponente, de um senhor que tratavam de major. A gente chegava lá indo por uma ponte, mas não era ponte de atravessar, era de subir.

Discuta com a moçada:

- Como o menino vai para a fazenda do major?
- O espaço para o qual o narrador-personagem é transportado é espaço físico (real) ou imaginário? Que elementos o texto nos oferece para afirmar isso?

Explique à turma que o sonho do garoto se inicia com a ida dele a uma fazenda desconhecida. O espaço se apresenta como um lugar novo, reelaborado, idealizado pelo inconsciente, totalmente diferente dos locais que o sonhador está acostumado a frequentar.

A chegada a esse local é feita por uma ponte que não era de atravessar, mas de subir. O símbolo é recorrente nas narrativas de José J. Veiga e indica uma passagem para o distanciamento entre o plano real e o plano imaginário. A presença da ponte para se chegar ao outro lado também pode ser vista como uma passagem difícil a ser superada. Ela coloca o homem sobre uma via estreita onde ele encontra a obrigação de escolher se continua a travessia ou desiste de superar aquele desafio.

Na narrativa “Os cavalinhos de Platiplanto”, o imaginário se torna o espaço onde as frustrações podem ser atenuadas e as vontades realizadas. O desejo que o menino tinha de receber o cavalinho prometido por seu avô aparece realizado nos vários cavalinhos coloridos que se exibem na fazenda do Major, mas que não podem sair de lá.

Pergunte aos alunos por que os cavalinhos não podem nunca sair da fazenda? Destaque o trecho abaixo:

Depois de tudo o que eu tinha visto achei que seria maldade escolher um deles só para mim. Como é que ele ia viver separado dos outros? Com quem ia brincar aquelas brincadeiras tão animadas? Eu disse isso ao major, e ele respondeu que eu não tinha que escolher, todos eram meus.[...] Mas depois fiquei meio triste, porque me lembrei do que o major tinha dito que ninguém podia tirá-los daqui.[...] Eles só existem em Platiplanto.(p. 35)

Conclua com a turma que “Os cavalinhos de Platiplanto” mostram a importância da imaginação para que possamos suportar certas durezas do mundo real. Discuta com os alunos o papel da literatura como fonte de repertório para um imaginário mais rico.

Avaliação 

Em uma aula, individualmente e com consulta, entregue questões dirigidas a outros contos do livro, que contemplem os elementos trabalhados anteriormente – narrador, tempo do enunciado e tempo da enunciação e espaço; real e imaginário – e peça que os alunos respondam por escrito.

Quer saber mais?

Bibliografia
Livro Os cavalinhos de Platiplanto. José J. Veiga. 32 págs, Bertrand Brasil, tel (21) 2585 2000, preço 15,00 reais

Internet
No site do Brasil Escola, você encontra informações sobre os elementos da narrativa
No portal Shvoong, há informações sobre o Espaço na narrativa 

 

Créditos:
Helena Weisz
Formação:
Mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo (USP)
Créditos:
Regiane Magalhães Boainain
Formação:
Mestre em Literatura e Crítica Literária pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC- SP)
Autor Nova Escola

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