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Leitura e produção de lendas urbanas

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 
  • Aumentar o repertório de lendas conhecidas.
  • Aprimorar a escrita e identificar características das modalidades oral e escrita.
Conteúdo(s) 
 
  • Lendas urbanas.
  • Leitura e produção de texto.
Ano(s) 
Tempo estimado 
7 aulas
Material necessário 
  • Computadores com acesso à internet ou cópias de lendas urbanas para distribuir para os alunos, como Vovó Maria e A Loira do Banheiro, de Heloisa Prieto e O Homem do Saco, de Ana Cláudia Ramos.
  • Gravador ou celular que possua a função de gravação.
 
Desenvolvimento 
1ª etapa 

Leve o "Homem do Saco" e a "Loira do Banheiro" para a sala de aula e trabalhe a leitura e a produção de texto 


Estude o subgênero em detalhes para conhecê-lo e poder trabalhar com os alunos. Algumas leituras podem ajudar na reflexão. São elas:

  • Lendas brasileiras para jovens, de Luis da Câmara Cascudo, Global Editora.
  • A análise da narrativa, de Yves Reuter. Ed. Difel.
  •  Lendas urbanas, Jorge Tadeu, Ed. Planeta do Brasil.
  • Introdução à literatura fantástica, de Tzvetan Todorov, Ed. Perspectiva.
  • Em Busca do Gênero Lenda Urbana, artigo de Carlos Renato Lopes, do Departamento de Letras da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
  • Lendas urbanas da Loira do banheiro e Vovó Maria, de Heloisa Prieto, e do Homem do Saco, de Anna Claudia Ramos disponíveis no site de Nova Escola.
2ª etapa 

Questione quais lendas urbanas os alunos conhecem e peça como tarefa de casa que conversem com os pais, os avós ou conhecidos mais velhos sobre quais lendas do repertório popular assombrava-os quando crianças. Se possível, peça para que eles utilizem um gravador ou mesmo o celular para gravar a narrativa.

3ª etapa 

Organize um momento de socialização para que os estudantes contem o que descobriram. É possível que eles narrem indistintamente lendas folclóricas (Boitatá, Mula-sem-cabeça, Saci-Pererê, etc.) e lendas urbanas (Loira do Banheiro, Homem do Saco, Gangue do Palhaço, A brincadeira do copo, Mensagem secreta no navegador, Amor de mãe, etc.). Alguns podem também apresentar até contos (Barba Azul, Chapeuzinho Vermelho, Três porquinhos, etc.).

Oriente a exposição:

  • Pontue oralmente o que difere as lendas dos contos (observe que as lendas costumam ser mais breves que os contos, seu enredo é mais simples e há menos personagens). Depois, diferencie as lendas folclóricas das urbanas (destaque que as primeiras são histórias mais antigas, enquanto as urbanas exploram aspectos inusitados da vida cotidiana que supostamente aconteceram recentemente).
  • Quem contou a história. Procure saber não apenas quem narrou a lenda para o aluno, mas também quem a contou ao seu familiar ou conhecido, destacando que essas histórias geralmente não são retiradas de livros, mas fazem parte de um repertório da cultura oral.
  • Qual é a personagem principal e como é caracterizada (física e psicologicamente). Enfatize que as lendas costumam ter poucas personagens - a história centra-se no que acontece à vítima ou no que faz o malfeitor, ou ainda na ameaça que determinado objeto representa.
  • Se mais de um aluno apresentar diferentes versões para a mesma lenda aproveite a oportunidade para comentar que essa é uma das características que faz parte do gênero, enfatizando que pequenas alterações são próprias das histórias transmitidas oralmente.
  • Em que lugar se passa a lenda. É provável que alguns deles contem, inclusive, que viram ou conheceram alguém que passou por determinada experiência, sem contar o fato de os seus temores serem atuais (medo de assalto, sequestro, trapaça, etc.).
  • As reações que a lenda provocava em quem ouve. Questione se os alunos têm medo ou se acreditam nas lendas folclóricas e urbanas.
4ª etapa 

Convide a turma a diferenciar aspectos da linguagem oral e escrita. Peça que os alunos transcrevam o áudio com a lenda de forma literal, ou seja, registre as marcas da oralidade, como pausas, repetições, termos coloquiais etc. Em seguida, sinalize que há diferenças entre falar e escrever, como o uso da entonação, ritmo, postura e gestos que complementam o que é dito. Porém, em um texto escrito é necessário substituir essas marcas com recursos gráficos para que sejamos igualmente bem compreendidos. Tal exercício permite que se evidencie o processo pelo qual todos devemos passar ao transpormos de uma modalidade a outra o nosso pensamento. Solicite à classe que aponte os trechos marcadamente presentes na linguagem oral e circule-os no texto. Você também pode sistematizar essas características em uma tabela ao lado do texto.

5ª etapa 

É hora de ampliar o repertório da turma. Entregue para as crianças cópias de algumas lendas urbanas, como as versões de Heloisa Prieto de Vovó Maria e A Loira do Banheiro. Oriente que pesquisem em bibliotecas outros textos. É possível encontrar versões online, mas para solicitar uma pesquisa na internet, selecione previamente os sites que têm bons materiais e sugira como referência para os alunos. Organize um roteiro para guiar a leitura e orientar a turma a fim de que constatem que as lendas urbanas costumam desenvolver-se ao redor de uma única personagem ou de um pequeno grupo de personagens, abordam temas ligados à violência urbana, exploram nomes, lugares e marcas conhecidos etc.

6ª etapa 

Proponha que eles editem os textos que foram transcritos na etapa anterior. Depois de os alunos realizarem uma leitura individual e silenciosa, peça que observem as expressões e maneiras de falar próprias da tradição oral, sinalizando-as no texto e que reescrevam a lenda adequando a linguagem. Explique que a primeira coisa a fazer para garantir a coesão é eliminar as repetições, hesitações ("é...", "hum..." etc.) e conceitos redundantes. Em seguida, peça que façam as modificações necessárias no que se refere à pontuação e à ordenação dos parágrafos. Frise que são necessários ajustes para uma transposição que garanta clareza e resgate o mesmo senso de humor, assombro ou terror que a versão oral trazia. Ressalte a importância do processo de revisão, em especial para que observem se não há problemas de concordância verbal e nominal e se é preciso substituir algumas palavras por outras mais precisas.

7ª etapa 

Recolha as produções para analisá-las. Selecione algumas para serem discutidas com todos – para elegê-las, selecione aquela que represente as dificuldades mais recorrentes apresentadas pela maioria da turma, principalmente as que preservam equivocadamente as marcas de oralidade, omitindo o nome dos autores, para discutir com a classe.
 

Avaliação 

Com as atividades de produção e revisão de texto, verifique se os alunos fazem a transposição da lenda para a linguagem escrita, distinguindo as marcas de oralidade da escrita formal e, durante o processo de elaboração do quadro comparativo.

Autor Nova Escola
Créditos:
Fernanda Müller
Formação:
Professora do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

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