Aqui você pode pesquisar e adaptar planos já existentes

 


Jorge Semprún e o nazismo

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Examinar a literatura de Jorge Semprún e alguns relatos sobre o Holocausto

Conteúdo(s) 

Militância e obra de Jorge Semprún; nazismo; Holocausto

Ano(s) 
Tempo estimado 
Duas aulas
Material necessário 
Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

Inspirado pela morte do escritor espanhol Jorge Semprún, o texto de VEJA traça o perfil de um militante e homem de letras que sentiu na própria pele o impacto do totalitarismo, como prisioneiro dos nazistas no campo de concentração de Buchenwald.
O texto traz revelações interessantes, como a angústia de Semprún "por não saber expressar, com a palavra escrita, uma das experiências mais terríveis de um campo de concentração: o permanente cheiro de carne humana queimada". Use a revista como base para apresentar aos alunos a trajetória política e literária de Semprún - e também os aspectos que fazem do Holocausto, segundo a pensadora alemã Hannah Arendt, "a história mais difícil de contar" desde as origens da humanidade.

Encomende o levantamento dos dados biográficos de Semprún, alguns deles mencionados na reportagem, que enfatiza um aspecto importante: a militância na Resistência francesa, no Partido Comunista Espanhol e a prisão em Buchenwald alimentaram a literatura do escritor.

Um exemplo é seu romance A grande viagem, publicado em 1963, que tem como protagonistas dois membros da Resistência francesa - um deles exilado político espanhol -, levados num trem, com centenas de outros prisioneiros, para um campo de concentração na Alemanha. Instigue a discussão: com base nesses dados, pode-se dizer que a experiência do Holocausto ocupa um lugar central na obra de Semprún? Ou nela a desumanidade dos campos de concentração alemães se funde com a luta antinazista (na França) e antifranquista (na Espanha)?

Acrescente que Semprún também escreveu roteiros cinematográficos. Em sua produção para o cinema destacam-se A guerra acabou, filmado por Alain Resnais em 1966, e Z, dirigido por Costa-Gravas, lançado em 1969. Organize a exibição, na sala de aula, desses marcos do cinema político.

Coloque em pauta a frase de Hannah Arendt citada na Introdução deste plano de aula: "Por que é tão difícil contar a história do Holocausto?" Deixe que os estudantes levantem hipóteses a respeito da afirmação e depois ressalte a não-humanidade do processo: o extermínio em massa de judeus, ciganos, eslavos e outras vítimas do nazismo, foi conduzido friamente, em geral sem a manifestação de paixões humanas como o ódio; era antes uma operação em escala industrial, com índices de produtividade que deviam ser alcançados.

Explique que havia campos exclusivamente de extermínio como Treblinka, onde morreram 850 mil judeus, e outros, como o complexo de campos de Auschwitz-Birkenau, que combinavam o massacre organizado com o trabalho escravo. Já Buchenwald, onde Semprún foi prisioneiro, era um campo de concentração, mas não de extermínio. Solicite pesquisas sobre os principais campos de extermínio, o número de mortos e as vítimas preferenciais, que incluíam dos judeus às Testemunhas de Jeová.

2ª etapa 

Examine com os algumas obras que, à diferença dos romances de Semprún, focalizam basicamente o Holocausto. Uma delas é o livro de memórias É isto um homem?, do judeu italiano Primo Levi, lançado em 1947. Sobrevivente de Auschwitz, ele descreve como os prisioneiros eram reduzidos à condição de animais, enquanto seus executores já haviam perdido toda humanidade.

Outra produção importante é o livro de memórias A noite, de Elie Wiesel, publicado em 1958. Ele relata suas experiências depois de ser levado, ainda adolescente, para os campos de Auschwitz e Buchenwald. Encarregue a turma de ler os dois livros ou, pelo menos, boas resenhas sobre eles, e de apontar os aspectos que mais chamaram a atenção.

Estimule o debate: como o povo alemão, altamente educado, aceitou passivamente um crime tão monstruoso como o Holocausto? Depois da apresentação de hipóteses, ensine que parte da resposta é dada por outro sobrevivente dos campos nazistas: o psicólogo naturalizado norte-americano Bruno Bettelheim, judeu nascido na Áustria. Em Surviving and Other Essays (Sobrevivendo e outros ensaios), livro de 1979, ele lista alguns fatores que contribuíram para que os alemães preferissem desviar os olhos do que se passava nos campos. Alguns desses fatores eram puramente materiais. Por exemplo, quando um empresário judeu era perseguido, sua empresa ia para um cidadão alemão, sua casa para outro, seus demais bens eram repartidos por mais dois alemães "arianos". Ou seja, ser cúmplice das perseguições era um bom negócio.

Outros aspectos diziam respeito à intensa propaganda antissemita, à crença do ordeiro povo alemão de que os prisioneiros deviam ter feito "alguma coisa" - caso contrário, não estariam sendo submetidos a castigos tão terríveis - e ao silêncio que envolveu o extermínio em massa de judeus. Um contraste: quando os nazistas começaram a matar nas câmaras de gás os deficientes mentais, houve um forte protesto das igrejas e da opinião pública internacional e o regime de Hitler teve de interromper essa prática. Mas não houve muitos protestos quanto ao extermínio dos judeus,
embora os países neutros, o Vaticano e os governos aliados na II Guerra Mundial estivessem bem informados sobre o que se passava nos campos.

Com base nesses dados, pode-se aprofundar a discussão: a culpa pelo Holocausto foi exclusiva do regime nazista, ou os cidadãos alemães também têm sua parcela de responsabilidade? E o que dizer da omissão de entidades públicas como o Vaticano e os governos dos países democráticos ocidentais?

Avaliação 

As atividades vão mostrar que o Holocausto é um tema forte demais para ser tratado num romance. Contudo, inspirou livros de memórias lancinantes, denúncias inesquecíveis da desumanidade que, na Europa dos anos 1940, atingiu suas vítimas e, ainda mais, os carrascos.
Leve em consideração a participação dos alunos nos debates e empenho nas pesquisas.

 

Quer saber mais?

Bibliografia

É isto um homem? Primo Levi (Ed. Rocco)
A noite, Elie Wiesel. (Ediouro)

 

Créditos:
Carlos Eduardo Matos
Formação:
Jornalista e editor de livros didáticos e paradidáticos
Autor Nova Escola

COMPARTILHAR

Alguma dúvida? Clique aqui.