Aqui você pode pesquisar e adaptar planos já existentes

 


Intercâmbio de espécies vegetais e animais nos domínios portugueses

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Perceber o intercâmbio de espécies vegetais e animais nos domínios portugueses 

Conteúdo(s) 

Expansão colonial européia, culinária e cultura

 

Ano(s) 
Tempo estimado 
Duas aulas de 50 minutos
Material necessário 

Leia no site do Planeta Sustentável

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução 

Yes, nós temos bananas. E também o coqueiro que dá coco, na tautológica lição de Ary Barroso em Aquarela do Brasil. Mas antes não tínhamos: esses frutos aparentemente tão brasileiros foram trazidos para cá nos navios portugueses, nos primeiros séculos da colonização. "A Invenção do Brasil" informa que chegaram à América, trazidos da Europa, Ásia e África, animais de criação, cereais, temperos, legumes e outras frutas tipicamente brasileiras como a manga. Em contrapartida, esses continentes receberam produtos americanos, logo incorporados à culinária local. Graças a esse intercâmbio, os desbravadores de mares nunca dantes navegados revelaram-se excelentes cozinheiros ou melhor, as servas e escravas que trabalhavam sob suas ordens mostraram ser alquimistas capazes de dosar os produtos regionais com os trazidos de ultramar. Por tudo isso, o texto pode ser um ponto de partida muito gostoso para você examinar com seus alunos as influências culturais recíprocas no interior do império português: os domínios do sarapatel, da feijoada e do caruru.

Antes da leitura da reportagem, peça que os estudantes citem algumas frutas tipicamente brasileiras. Entre os itens mencionados por eles, provavelmente estarão bananas, mangas, jacas, cocos, cajus e maracujás. Proponha então o exame do texto: eles verificarão que apenas as duas últimas são nativas do nosso território. As bananeiras vieram da África, as mangueiras e jaqueiras, da Índia, e os coqueiros foram trazidos do litoral do Índico, depois de aclimatados nas ilhas de Cabo Verde. Paralelamente, muitos produtos americanos como milho, mandioca, tomate, tabaco, pimenta vermelha e cacau se difundiram pelo mundo. Encomende a elaboração de um mapa desse intercâmbio entre a América e os demais continentes, assinalando os principais produtos trazidos para cá e aqueles enviados para fora.

Que tal propor um exercício de redação? Destaque no texto a descrição que o cronista Pero de Magalhães Gandavo faz do caju. A seguir divida a classe em três grupos e encarregue cada um deles de escolher em segredo uma fruta e de descrevê-la, como se ela fosse vista pela primeira vez. No final, pela descrição do grupo, os demais alunos devem identificar a fruta selecionada.

Sugira que os alunos comparem, com base nas informações da revista, a destruição ambiental realizada pelos indígenas antes da colonização e pelos descendentes de europeus, desde o século XVI. Faça-os perceber que a exploração do território pelos luso-brasileiros com vistas ao mercado externo intensificou a derrubada da mata no litoral nordestino, substituída pelos canaviais, e aprofundou práticas nocivas já existentes como as queimadas.

2ª etapa 

Solicite que os jovens leiam o quadro "Brasileira naturalizada" deste plano de aula e executem a atividade nele prevista. Vai ser fácil identificar a origem de alguns ingredientes, como o azeite-de-dendê da cozinha baiana, proveniente da África. Outros vão exigir pesquisas mais aprofundadas. Lembre que o intercâmbio sempre teve mão dupla. Por exemplo, o caruru de Angola, além do quiabo e da abóbora de origem africana, contém tomate e mandioca, vegetais americanos.

Pergunte aos estudantes se algum deles já sentiu dificuldade para se adaptar a determinados pratos ou hábitos alimentares. Com base nas respostas, peça que examinem a seguinte questão: a imposição culinária seria uma forma de dominação? Ela continua existindo? Essa atividade pode ajudá-los a compreender melhor as dificuldades que enfrentaram, no Brasil, os africanos escravizados e os imigrantes europeus e asiáticos.

Leve os alunos a refletir sobre a prática cultural da alimentação. Coloque em discussão os seguintes itens: Quais são as preferências de nosso paladar? Que tabus alimentares temos? Que influências estariam determinando nosso cardápio e os rituais de alimentação? Qual é a origem étnica dos nossos pratos? Que fatores geográficos e culturais determinaram a eleição dos diferentes pratos típicos? Quais são as receitas familiares utilizadas em nossas casas? Até que ponto a indústria e a mídia influenciam nossas escolhas?

Para orientar o debate, conte que, em termos da seleção dos alimentos, do preparo e dos temperos, a culinária nacional soma influências do índio, do português e do negro. No século XIX, quando imigrantes europeus de várias origens começaram a chegar ao Brasil, já existia um paladar bem brasileiro, desenvolvido a partir dessas três contribuições. O tropeiro, ao mesmo tempo comerciante e difusor cultural, teve um papel importante na manifestação desse sabor. Por onde passou com suas tropas de mulas, ele introduziu o gosto pelo feijão, temperado com alho, cebola, toucinho e sal, misturado com farinha de mandioca ou de milho. Assim, além de contribuir para a integração econômica das várias capitanias, o tropeiro representou o elemento unificador da dieta básica do século XVIII. Desse fundamento comum, surgiram as cozinhas regionais. Depois, no século XIX, ocorreram a europeização da culinária, com a vinda da corte lusa para o Brasil, e a difusão de novos hábitos trazidos pelos imigrantes. Hoje, os enlatados e o fast-food refletem a industrialização que muda as técnicas de cultivo, colheita, embalagem, conservação, distribuição e preparo dos alimentos.

Como última atividade, encarregue a turma de elaborar um mapa culinário brasileiro, destacando os principais itens da cozinha de cada região e suas respectivas origens.
Brasileira naturalizada

Examine com seus colegas os ingredientes de uma feijoada bem brasileira. Vocês vão perceber que apenas a farinha de mandioca tem origem local. Depois, façam o mesmo com outros pratos da culinária nacional.

INGREDIENTES DA FEIJOADA

Laranja
Trazida de Portugal, incorporou-se à feijoada brasileira mas está ausente nos outros países que fazem o prato

Arroz
Cereal de origem indiana, foi difundido pelos árabes na Europa durante a Idade Média e chegou ao Brasil no primeiro século da colonização

Couve
Verdura vinda de Portugal, está presente em vários pratos nacionais, com destaque para os da cozinha mineira

Carne de porco
Os porcos e outros animais de criação chegaram ao Brasil com os colonizadores. E logo foram incorporados ao cardápio nativo

Carne-seca
Originária do Nordeste brasileiro, era colocada para secar ao sol em grandes postas

Feijão
Trazido pelos lusitanos e popularizado por tropeiros, o feijão temperado com alho, toucinho e sal tornou-se a base da nossa cozinha

Mandioca
A farinha de mandioca chegou a ser chamada de pão da terra e é muito consumida até hoje. Constitui-se na principal contribuição indígena à culinária brasileira

 

Autor Nova Escola

COMPARTILHAR

Alguma dúvida? Clique aqui.