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A influência literária de Lorde Byron para o romantismo

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 
  • Perceber a influência de Lorde Byron na literatura mundial;
  • Perceber a influência de Lorde Byron no romantismo no Brasil, nas obras de poetas como Álvares de Azevedo e Castro Alves.
Conteúdo(s) 
  • Literatura de língua inglesa;
  • Romantismo;
  • Fases do romantismo no Brasil.

 

Ano(s) 
Tempo estimado 
1 aula
Material necessário 

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

Motivada pelo lançamento no Brasil da biografia “Byron Apaixonado” (Ed. Bertrand Brasil, 288 págs.) a reportagem de Veja fala sobre o poeta britânico George Gordon Byron, um dos escritores "malditos" do século 19 (em Londres, dizia-se que ele era um homem "louco, ruim e perigoso", fama que o poeta gostava de alimentar). O texto examina, em especial, a atração que ele exercia com sua "combinação irresistível de genialidade e satanismo". E ainda exerce: como informa a revista, o músico e ator inglês David Bowie figura entre os muitos "habitantes do planeta Byron". Mas é evidente que sua obra foi mais impactante entre os literatos do século 19 - desde seus contemporâneos, até os irlandeses Oscar Wilde (autor de "O retrato de Dorian Gray", 1890), e Bram Stoker (que escreveu "Drácula" em 1897). Prossiga por essa trilha e mostre à classe como a ascendência de Lorde Byron não se limitou aos escritores de língua inglesa, influenciando o romantismo em vários países, entre eles o Brasil.

Comece explicando aos alunos que esta aula será dedicada a estudar o romantismo na literatura, mostrando como o poeta inglês Lorde Byron influenciou outros artistas e escritores, inclusive no Brasil.

 

Forneça, como ponto de partida, algumas informações sobre a personalidade e a obra de Byron, como sendo fontes de inspiração para seus contemporâneos. Conte que no verão de 1816, o poeta inglês Percy Shelley, sua mulher Mary Shelley, Byron e o médico John William Polidori se reuniram em uma vila pertencente a Byron, na Suíça. Era uma noite tempestuosa, e todos decidiram escrever histórias de terror. Desse encontro nasceram dois romances clássicos: “Frankenstein”, de Mary Shelley, e “O vampiro”, de Polidori.

 

De acordo com diversos analistas, ambos os romances refletem algo da personalidade de Byron. Essa relação, no entanto, é mais direta em “O vampiro”. O protagonista é um aristocrata inglês dissoluto e sedutor, Lorde Ruthven, o tipo de vampiro psíquico que consome as energias das vítimas, além de cometer crimes. Ressalte que alguns temas tipicamente byronianos despontam na obra, como o mergulho no vício e a atração pela morte.

 

Décadas depois, esses aspectos estariam presentes em obras como “O retrato de Dorian Gray” e “Drácula”. Neste último livro, o autor Bram Stoker soma a figura do vampiro psíquico do romantismo, criada por Polidori, aos relatos sobre seres imortais sedentos de sangue do folclore europeu, criando um personagem inesquecível.

 

Antes de mostrar a reportagem de Veja, pergunte se os estudantes conhecem alguns desses livros ou assistiram a filmes baseados neles. Se isso aconteceu, também podem ser considerados, ainda que indiretamente, "habitantes do planeta Byron".

2ª etapa 

Para que a classe compreenda melhor a obra de Lorde Byron, distribua as cópias da reportagem de Veja e peça que os alunos leiam em silêncio. Em seguida, proponha um exame mais detalhado da corrente artística denominada romantismo.

 

Para dar início a uma discussão, leia a seguinte passagem do livro “Presença da literatura brasileira”, de Antonio Candido e José Aderaldo Castello: "O sentido da aventura e da criação individual é a única lei imposta pelo romantismo [...]. A aura da aventura e do drama pessoal de algumas delas [grandes figuras românticas] e o fato de aparecerem como imagens vivas dos heróis que conceberam, dando às suas obras o aspecto de uma confissão palpitante de suas próprias misérias e grandezas, determinaram os imitadores dos Byron e Musset".

 

Questione de que modo a turma interpreta a citação acima. Depois de um breve debate, explique que as palavras de Antonio Candido retratam alguém que não se contenta em criar um herói: também quer ser um protagonista, e para isso busca a aventura, seja em uma revolução, seja mergulhando no vício, em uma autodestruição deliberada.

3ª etapa 

Pergunte à turma: em que medida Byron encarnava esse ideal do romântico? Na sala de informática, solicite que os alunos façam um levantamento de dados biográficos do poeta, que possam complementar os da reportagem de Veja. Será possível constatar que em 1810 Byron realizou a façanha atribuída ao herói grego Leandro, atravessando a nado o Helesponto (atual estreito de Dardanelos), na Turquia, entre a Europa e a Ásia. Fazia parte do ideal romântico realizar feitos heroicos e depois registrá-los em versos. Foi o que fez Byron em um belo poema sobre a morte de Leandro nas águas do estreito tempestuoso, quando nadava para encontrar sua amada Heros na cidade de Sestos, na margem europeia do Helesponto.

 

Explique aos alunos que essa identificação entre autor e personagem está presente, em boa medida, entre os integrantes da segunda geração do romantismo brasileiro, chamada de "geração byroniana". Álvares de Azevedo, um dos autores mais destacados do período, é listado por Veja como sendo um dos "habitantes do planeta Byron". De fato, além de ter traduzido "Parisina", poema de Byron, o brasileiro menciona o poeta britânico e suas obras em vários poemas.

 

Para ilustrar, cite alguns exemplos tirados do conjunto de poemas "Ideias íntimas", de Álvares de Azevedo. No fragmento II: "[...] A mesa escura cambaleia ao peso/ Do titânio Digesto, e ao lado dele/ Childe-Harold entreaberto ou Lamartine/ Mostra que o romantismo se descuida/ E que a poesia sobrenada sempre/ Ao pesadelo clássico do estudo". E no fragmento VI: "Junto do leito meus poetas dormem/ – o Dante, a Bíblia, Shakespeare e Byron – / Na mesa confundidos. Junto deles/ Meu velho candeeiro se espreguiça [...]".

 

Em seguida, solicite aos alunos uma rápida pesquisa na internet sobre poemas de Álvares de Azevedo em que estejam presentes elementos byronianos – como a vida dissoluta e a mescla de temor e desejo em relação à morte. Um exemplo é o próprio título de livro póstumo de contos do brasileiro, intitulado “Noite na taverna”.

4ª etapa 

Depois de uma breve análise dos poemas, fale para a turma sobre outro representante ilustre do romantismo no Brasil: o poeta baiano Castro Alves. Conte que ele pertenceu à terceira geração romântica, influenciada pelo escritor francês Victor Hugo, que resultou na tendência literária conhecida como “Condoreirismo” (o nome remete ao condor, uma ave que voa alto e se distancia para ter uma visão mais ampla do todo. Caracterizava o movimento de escritores com preocupações sociais).

 

Explique que Lorde Byron, que chegou a pegar em armas na Guerra pela Independência da Grécia (1821-1829), provavelmente se reconheceria no poeta baiano, militante abolicionista que escreveu versos apaixonados contra a escravidão.

 

Lembre também que mesmo em termos poéticos, Byron e Castro Alves também não estavam longe. Para finalizar, leia para a turma o poema "Versos inscritos numa taça feita de um crânio', de Lord Byron, traduzido por Castro Alves, e sugira uma discussão a respeito do romantismo.

 

Versos inscritos numa taça feita de um crânio

Não, não te assustes: não fugiu o meu espírito
Vê em mim um crânio, o único que existe
Do qual, muito ao contrário de uma fronte viva,
Tudo aquilo que flui jamais é triste.

Vivi, amei, bebi, tal como tu; morri;
Que renuncie a terra aos ossos meus
Enche! Não podes injuriar-me; tem o verme
Lábios mais repugnantes do que os teus olhos.

Onde outrora brilhou, talvez, minha razão,
Para ajudar os outros brilhe agora eu;
Substituto haverá mais nobre que o vinho
Se o nosso cérebro já se perdeu?

Bebe enquanto puderes; quando tu e os teus
Já tiverdes partido, uma outra gente
Possa te redimir da terra que abraçar-te,
E festeje com o morto e a própria rima tente.

E por que não? Se as frontes geram tal tristeza
Através da existência – curto dia –,
Redimidas dos vermes e da argila
Ao menos possam ter alguma serventia.

Avaliação 

As explicações e as atividades de leitura e pesquisa devem mostrar aos alunos que a postura dos escritores românticos, de busca da aventura e de identificação com os personagens por eles criados, é tipicamente byroniana. Por meio da pesquisa e da participação dos estudantes na aula, observe se todos compreenderam que a influência do poeta britânico é maior do que muitos imaginam, graças a livros que de alguma forma expressam sua personalidade sombria e sedutora – como “O vampiro”, “O retrato de Dorian Gray” e “Drácula” –, alguns dos quais inspiraram filmes de difusão mundial.

Créditos:
Carlos Eduardo Matos
Formação:
Jornalista e editor de livros didáticos e paradidáticos
Autor Nova Escola

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