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A importância da oralidade para a comunicação

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 
  • Reconhecer na palavra falada uma das formas essenciais da comunicação;
  • Perceber características típicas da oralidade;
  • Diferenciar os limites entre fala e escrita;
  • Vivenciar a nossa identidade por meio da palavra falada
Conteúdo(s) 

Língua Portuguesa, Oralidade.

Ano(s) 
Tempo estimado 
Três aulas
Material necessário 

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução
A psicanalista Betty Milan, em artigo publicado em VEJA, apresenta uma reflexão muito interessante a respeito da importância da palavra para a existência do homem. Ela analisa o filme O Discurso do Rei, ganhador de quatro Oscars, com base na temática da oralidade e seu papel fundamental na constituição das relações humanas. Use este plano para fazer com que a turma experimente e exercite a palavra falada e, assim, compreenda a sua importância.

Texto de apoio ao professor

Nem todas as sociedades do mundo têm escrita, mas todas fazem uso de uma língua oral. A oralidade, portanto, é um produto social. Como um código social, a língua não pode ser modificada arbitrariamente. É preciso obedecer a certas leis combinatórias para se estabelecer comunicação. O agrupamento desordenado de palavras não gera sentido algum. Se cada pessoa combinasse as palavras arbitrariamente, seria difícil estabelecer a comunicação. Entretanto, é possível combinar as palavras de um modo peculiar, pessoal. É possível que cada indivíduo faça uso da língua conforme a sua vontade. Ninguém precisa falar igual ao outro para ser compreendido. Entendida como atividade humana de falar, a linguagem apresenta cinco dimensões universais:

1. Criatividade - porque a linguagem se manifesta como atividade livre e criadora, isto é, como algo que ultrapassa o que aprendeu e não uma simples repetição do que é produzido.

2. Materialidade - porque a linguagem é uma atividade condicionada fisiológica e psiquicamente, pois implica, em relação ao falante, a capacidade de utilizar os órgãos de fonação, produzindo signos fonéticos articulados.

3. Semanticidade - porque a cada forma corresponde um conteúdo significativo, já que na linguagem, sobretudo a oral, tudo significa, tudo é semântico.

4. Alteridade - porque o significar é originariamente um "ser com outros", próprio da natureza político-social do homem, indivíduos que são homens juntos a outros e, por exemplo, como falantes e ouvintes, são sempre co-falantes e co-ouvintes.

5. Historicidade - por que a linguagem se apresenta sempre sob a forma de língua, isto é, de tradição linguística de uma comunidade histórica. Não existe língua desacompanhada de sua referência história: por exemplo, Língua Portuguesa.

A linguagem é sempre um estar no mundo com os outros, não como um indivíduo particular apenas, mas como parte do todo social, de uma comunidade. Cada pessoa expressas as ideias e emoções, a maneira de ver o mundo pelo vocabulário que conhece e domina, pela forma com que seleciona as palavras desse vocabulário e pela combinação que adota para formular o pensamento. Esse processo de uso individual da língua denomina-se fala.

Desenvolvimento

Comece a aula propondo à turma um momento para ouvir a leitura de alguns textos previamente selecionados. Pense em textos que abordem experiências com a língua e também sejam reflexos da oralidade. Organize esses textos em uma caixa ou uma cesta, sorteie-os e leia-os em seguida. Alguns exemplos:

Pronominais

Dê-me um cigarro
Dia a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro

(Oswald de Andrade)

 

Aula de português

A linguagem
na ponta da língua
tão fácil de falar
e de entender.

A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que ela quer dizer?

Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, esquipáticas
atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me.

Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
Do namoro com a prima.

O português são dois; o outro, mistério.

(Carlos Drummond de Andrade)

 

Vício na fala

Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados.

(Oswald de Andrade)

 

[...]
A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada.
[...]

(Manuel Bandeira)

 

Defesa da inventividade popular ("o povo é inventa-línguas", Maiakóvski) contra os burocratas da sensibilidade, que querem impingir ao povo, caritativamente, uma arte oficial, de "boa consciência", ideologicamente retificada, dirigida.

Mas o povo cria, o povo engenha, o povo cavila. O povo é o inventa-línguas, na malícia da mestria, no matreiro da maravilha. O visgo do improviso, tateando a travessia, azeitava o eixo do sol... O povo é o melhor artífice.

(Haroldo de Campos)

É possível utilizar também alguns poemas gravados em CD ou mesmo algumas audições disponíveis na internet. Se preferir, complemente as leituras com poemas ou trechos já gravados (a Literatura de Cordel pode ser uma boa opção).

Em seguida, discuta a recepção das leituras com os alunos e recolha as impressões da turma por meio de um debate reflexivo. Ao final, peça que os alunos pensem em outros textos conhecidos por eles (trechos, poemas, músicas etc.) que sejam marcantes pela sonoridade. Eles devem pesquisá-los e trazê-los como tarefa para a próxima aula.

2ª etapa 

(Para esta aula, providencie um gravador de voz.)
Comece a aula retomando as impressões registradas na aula anterior. Explique as diferenças existentes entre a oralidade e a escrita e cite as particularidades da língua falada. Apresente as dimensões universais da fala e ressalte a importância de reconhecer as suas peculiaridades sem que haja julgamento do que é essencialmente certo ou errado.

Depois, sugira que a turma se organize em um grande círculo. Os alunos devem apresentar as produções pesquisadas e escolhidas por eles em casa. Explique que cada um deve explicar a sua escolha e, em seguida, ler o texto. Use um gravador de voz e grave as leituras. Proponha a audição das leituras feitas pelos próprios alunos e observe as reações da turma. Organize um momento interessante e divertido. Ao final, recolha os textos.

3ª etapa 

Retome a experiência da aula passada e proponha um registro escrito. Providencie folhas de papel branco e lápis de cor para a aula. Distribua aleatoriamente os textos recolhidos da aula anterior de modo que cada aluno receba um texto diferente daquele que pesquisou e escolheu. Cada um deve registrá-lo em forma de ilustração. Peça para que os alunos levem em consideração a experiência da audição e procure registrar, sobretudo, as impressões do que ouviu e como ouviu. Organize as produções e monte um painel com os textos e as respectivas ilustrações.

Avaliação 

Considere a recepção e a análise dos poemas lidos durante as aulas. Avalie a experiência das audições e as reações da turma. Perceba se os alunos compreenderam as diferenças entre oralidade e escrita e se perceberam o quanto a fala é importante para a nossa comunicação. Observe a seleção dos textos pesquisados e lidos pelos alunos, bem como o registro deles. Considere a montagem do painel.

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Autor Nova Escola
Créditos:
Patrícia Rodrigues Alves Lage
Formação:
mestre em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP e professora de Língua Portuguesa na Escola Técnica Walter Belian - Fundação Antonio e Helena Zerrenner

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