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Iluminismo: o século das luzes

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Perceber o impacto das ideias iluministas na Europa e na América

Conteúdo(s) 

O Iluminismo e sua influência na vida sociocultural e política do Ocidente


Tempo estimado

 

Ano(s) 
Tempo estimado 
Duas aulas
Material necessário 

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução 

Reportagem de VEJA focaliza as opiniões do historiador americano Tobert Darnton, diretor da Biblioteca de Harvard e autor de A Questão dos Livros, recém-lançado no Brasil. Use esses conceitos como pontos de referência apresentados na reportagem para mapear, com seus alunos, um período estratégico da vida sociocultural e política do Ocidente: o século 18, o tempo dos pensadores iluministas e dos elogios à razão e aos princípios da Revolução Francesa.

Comece a aula pedindo que os alunos leiam a reportagem "A república digital das letras", publicada em VEJA. O texto começa pela menção ao ideal iluminista de tornar os livros acessíveis a todos. Chame a atenção da turma para o que foi o Iluminismo ou Esclarecimento, movimento intelectual europeu do século 18 baseado na crença na razão, que libertaria os homens das trevas da ignorância e da superstição. Comente que o século dos iluministas também é conhecido como século das Luzes.

Coloque em discussão as seguintes palavras do filósofo alemão Immanuel Kant, no folheto O que É o Esclarecimento, de 1783:

"Esclarecimento é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo. O homem é o próprio culpado dessa menoridade se a causa dela não se encontra na falta de entendimento, mas na falta de decisão e coragem de servir-se de si mesmo sem a direção de outrem. Sapere aude! Tem coragem de fazer uso de teu próprio entendimento, tal é o lema do esclarecimento".

Proponha que a moçada interprete a frase. O que o autor queria dizer? Em seguida, peça que a turma atente para o trecho da reportagem de VEJA em que o diretor da Biblioteca de Harvard, Tobert Darnton, refere-se à República das Letras como um país desprovido de fronteiras, no qual todos, leitores e autores, poderiam discutir e trocar ideias sem censura ou restrições. Pergunte à turma se essa ideia é nova na história europeia. Relembre os alunos que já tinha havido outro momento de superação das fronteiras nacionais pelo diálogo intelectual: a transição da Idade Média para a Idade Moderna, com o movimento humanista. Pergunte o que a turma sabe sobre a internacional humanista, na qual se destacaram figuras como Erasmo de Rotterdã (1466-1536), e peça que apontem semelhanças e diferenças entre o humanismo e o Iluminismo.

Dê um tempo para que os alunos apresentem suas hipóteses e conclua com a moçada que os dois movimentos pregavam a fraternidade humana, o diálogo supranacional e faziam a crítica aos conceitos religiosos. No entanto, os humanistas empreendiam uma crítica construtiva e permaneciam fieis aos preceitos cristãos, enquanto os philosophes, com sua crença na razão, chegaram à beira da ruptura com as religiões estabelecidas. Um tema para investigação e debate: em que medida a Reforma de Lutero e Calvino ajudou a desfazer a internacional humanista, ao afastar os pensadores católicos dos protestantes?

Destaque, em seguida, outro trecho da reportagem, que menciona o Iluminismo como negócio e faz referência ao mercado livreiro na França do século 18. Destaque que esse movimento teve como pano de fundo o avanço do capitalismo na Europa, com o início da Revolução Industrial na Inglaterra. Ocorreu uma dupla ofensiva: o modo de produção capitalista dissolvia formas existentes e pouco produtivas de atividade econômica, assim como os iluministas investiam contra instituições tradicionais ligadas à nobreza, à hierarquia eclesiástica e ao absolutismo real, submetendo-as à crítica da razão.

Para finalizar, divida os alunos em grupos e encarregue-os de pesquisar o evento do mercado livreiro que sintetizou a dimensão do Iluminismo como negócio: o lançamento da Enciclopédia, colossal obra de 35 volumes publicados entre 1751 e 1780. Os trabalhos eram dirigidos por dois representantes do pensamento iluminista: o filósofo Denis Diderot (1713-1784) e o filósofo e matemático Jean d'Alembert (1717-1783). A obra recebeu contribuições de Voltaire (1694-1778), Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) e outros intelectuais da mesma corrente.

2ª etapa 

Peça que os alunos se reúnam nos grupos, apresentem e discutam os resultados da pesquisa realizada em casa. Em seguida, examine com os estudantes a dimensão política das propostas iluministas e seus resquícios nos dias de hoje. Ressalte que, apesar da influência dos pensadores iluministas na Revolução Francesa, nem todos tinham uma proposta radical: muitas sugestões dos philosophes foram encaminhadas e aceitas pelos chamados déspotas esclarecidos, que governavam seus Estados com mão de ferro.

A imperatriz Catarina da Rússia (1729-1796) dizia-se amiga de Diderot, Voltaire e Montesquieu (1689-1755), mas nem por isso emancipou os mujiques de seus domínios. Já Frederico II da Prússia (1712-1781), que se correspondia com Voltaire e outros filósofos, aboliu a tortura e as corveias (trabalho gratuito dos camponeses nas terras dos senhores feudais) e promulgou um Código Civil e outro de Processo Civil, melhorando a vida de seus súditos; no fundamental, porém, suas reformas fortaleceram o Estado prussiano.

Proponha que os grupos analisem as propostas políticas dos pensadores iluministas Montesquieu e Rousseau. A moçada vai perceber que o primeiro, autor do livro O Espírito das Leis, propôs o estabelecimento de três poderes separados no Estado: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Esse princípio está consagrado por muitas constituições da atualidade, entre as quais a brasileira. Rousseau, por sua vez, defendeu o estabelecimento de um governo democrático, no qual os representantes dos cidadãos fossem obrigados a executar a sua vontade, expressa em eleições, plebiscitos e outras manifestações de democracia direta. A essa noção se opôs à ideia de representação desvinculada, segundo a qual um representante eleito não precisa defender necessariamente os interesses dos que o escolheram.

Instigue o debate: por que, historicamente, as propostas de Rousseau ganharam força nos momentos de comoção social - a Revolução Francesa, o movimento francês de Maio de 1968 etc. -, enquanto a separação de poderes defendida por Montesquieu e a representação desvinculada parecem mais compatíveis com o funcionamento rotineiro do aparelho de Estado?

Para finalizar, explique à turma que as constituições da França revolucionária e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão podem ser vistas como manifestações das propostas dos philosophes. Peça a investigação de quais princípios iluministas estão presentes nas Declarações dos Direitos proclamadas em 1789 e 1793 e quais as diferenças entre elas. Sugira também o exame da influência dos textos iluministas sobre movimentos revolucionários americanos, como a Inconfidência Mineira (1789) e a Conjuração Baiana (1798). Será possível perceber que o segundo movimento tem um caráter democrático mais radical, que se aproxima das concepções de Rousseau e dos jacobinos.

Avaliação 

Converse com a turma, ao final de atividade, e peça que relatem os conteúdos aprendidos, mostrando as principais características do iluminismo, sua relação com o humanismo e as influências políticas do pensamento iluminista na história recente. Certifique-se de que os conteúdos ficaram claros e, caso seja necessário, retome alguns pontos na aula seguinte.

Quer saber mais?

Internet 
O que É Esclarecimento, de Immanuel Kant 

 

 

Autor Nova Escola
Créditos:
Carlos Eduardo Matos
Formação:
jornalista e editor de livros didáticos e paradidáticos

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