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Gramática com textos: 6º ano - subjuntivo e imperativo

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Ampliar o conhecimento sobre os verbos; refletir sobre os modos verbais: subjuntivo e imperativo.

Conteúdo(s) 

Modos verbais - subjuntivo e imperativo.

Ano(s) 
Tempo estimado 
8 aulas
Desenvolvimento 
1ª etapa 
Introdução 
O ensino da diferença entre palavras de base, prefixos e sufixos é associado com o ensino da origem das palavras. No terceiro ano, os alunos devem estar familiarizados com as regras básicas e serem aptos a distinguirem a raiz em uma palavra de várias sílabas. Por exemplo, um aluno do terceiro ano deve ser capaz de reconhecer a palavra base "pagar" na palavra "pagamento". Os planos de aula desse assunto ajudam os alunos a aprenderem vocabulários mais avançados, bem como aumentarem suas habilidades de ortografia, leitura e compreensão.
2ª etapa 
Para ensinar essa lição, prepare planilhas de radicais de palavras para o terceiro ano e uma lista de prefixos e sufixos. Passe as listas e um dicionário para cada aluno. Divida a sala em grupos: cada um vai definir as palavras de cada lista. Então, cada grupo faz novas palavras adicionando prefixos e sufixos presentes na lista; os alunos usarão seus dicionários para confirmar se as novas palavras existem. Em seguida, cada grupo vai fazer uma tabela com as categorias: radical, definição do radical, exemplo e figura da nova palavra. Cada grupo vai preencher suas tabelas e desenhar uma figura para ajudá-los a lembrar do radical.

 

3ª etapa 

 JOGO :Kaboom!

Você pode fazer variações deste jogo, mas uma maneira é imprimir palavras de raiz em separado boletos de papel ou cartões de índice pequeno, dobre o papel e colocá-los em uma cesta. Em seguida, encha uma cesta de segunda com papéis/cartões contendo um prefixo ou um sufixo cada. Adicionar à cesta de uma cerca de cinco pequenas tiras de papel que dizem “Kaboom!”

Divida a turma em duas equipes. Ter o primeiro jogador fecha os olhos e tirar um pedaço de papel de cada cesta. O jogador deve então abrir os olhos e colocar a palavra prefixo/sufixo e raiz para formar uma nova palavra em voz alta. Se o prefixo ou sufixo desenhado não coincide com a raiz da palavra para fazer uma palavra real, o aluno deve responder assim. Se ele responde corretamente, que a equipe recebe um ponto.

No entanto, se o aluno desenha um “Kaboom!” pontos do toda sua equipe ficar apagados e eles estão de volta ao zero. Esta é uma maneira divertida e emocionante rever o uso correto das palavras prefixo e sufixo. Variações incluem tendo o aluno dizer se seus documentos Faça uma palavra, mas também dando a definição ou uma frase usando a palavra, a fim de obter o ponto para a equipe.
bjuntivo.

 

4ª etapa 

Inicie a aula apresentando aos alunos a crônica Meu ideal seria escrever, de Rubem Braga. Leia o texto para os alunos.

Meu ideal seria escrever...

Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse - "ai, meu Deus, que história mais engraçada!" E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria - "mas essa história é mesmo muito engraçada!".

Que um casal que estivesse em casa mal humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má-vontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.

Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera a minha história chegasse - e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria; que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aquelas pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse - "por favor, se comportem, que diabo! eu não gosto de prender ninguém!" E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história.

E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, fosse atribuída a um persa, na Nigéria, a um australiano, em Dublin, a um japonês em Chicago - mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: "Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem, foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve ser uma história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento; é divina".

E quando todos me perguntassem - "mas de onde é que você tirou essa história?" - eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: "Ontem ouvi um sujeito contar uma história..."!

E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.

BRAGA, Rubem. As Melhores 200 Crônicas Escolhidas de Rubem Braga. Rio de Janeiro: Record, 1977.

 

Após a leitura do texto, verifique se o compreenderam e se possuem alguma questão sobre ele. Peça que os alunos sublinhem no texto o uso do pretérito imperfeito do subjuntivo. Releia os trechos em que esse uso ocorre. Diga aos alunos que, como no caso do poema de José Paulo Paes, o uso do subjuntivo na crônica é acompanhado de outra forma verbal, o futuro do pretérito do modo indicativo.

Explique a eles que essa correlação - pretérito imperfeito do subjuntivo com o futuro do pretérito do indicativo - é tida pelas gramáticas mais tradicionais como a correta. Muitas gramáticas não aceitam a combinação realizada no poema de Paes - pretérito imperfeito do subjuntivo e pretérito imperfeito do indicativo -, embora na fala do brasileiro ela seja usada com frequência.

Proponha aos alunos duas atividades.

1) A reescrita do primeiro e do terceiro parágrafos da crônica de Rubem Braga, alterando o futuro do pretérito do indicativo pelo presente do mesmo modo e o imperfeito do subjuntivo pelo presente do subjuntivo. Inicie a construção e peça que a continuem.

Exemplo

Texto original 
Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse...

Texto alterado 
Meu ideal é escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta ao ler minha história no jornal ria, ria tanto que chegue a chorar e diga ...

 

2) Após a reescrita desses dois parágrafos, os alunos devem escrever um terceiro parágrafo em que deem continuidade à crônica, expondo qual é o seu ideal. O parágrafo pode começar assim:
Meu ideal é escrever uma história que ...

Os alunos podem começar as atividades em classe e terminá-las em casa.

5ª etapa 

 correção em grupo dos exercicios de fixação.Para indentificar o desenvolvimento dos alunos sobre os temas.

6ª etapa 

Escolha um folheto de ampla divulgação. Um exemplo é este, explicando os modos de evitar a propagação da dengue.

Grática

Antes de iniciar a leitura do folheto, pergunte aos alunos se sabem qual a finalidade dos textos presentes nesse suporte. Ouça as respostas. Caso não tenham conseguido explicitá-la, diga a eles que o folheto procura instruir a população a respeito de um determinado fato. O folheto busca atingir camadas variadas da população, usa linguagem clara e direta e recursos verbais e não verbais. Leia as instruções presentes no folheto.

Solicite aos alunos que leiam novamente o folheto e copiem no caderno os verbos que estão no modo imperativo. Ao copiar o verbo, peça que escrevam a forma do infinitivo correspondente a ele.

Peça que expliquem o motivo do uso do imperativo em folhetos como esse. Pergunte aos alunos qual pessoa do discurso o panfleto utiliza. Temos duas possibilidades: o tu e o você. O que nos permite identificar qual delas é usada é a desinência verbal associada a marcas como pronomes pessoais ou possessivos. No folheto, as desinências verbais indicam o uso da terceira pessoa - você - o que é reforçado pelo uso do se que nesse caso funciona como pronome.

O "tu" no Brasil, explicite, é um pronome pouco utilizado. Seu uso limita-se a localidades das regiões Sul e Nordeste. Ele foi substituído pelo senhor(a), pelo você. Como o folheto possui divulgação nacional e quer atingir de modo direto e claro a população, a forma utilizada - você - parece mais satisfatória.

7ª etapa 

O texto abaixo faz parte do folheto da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Leve-o para os alunos. Explique a eles o significado da palavra "pinacoteca" e afirme a importância do museu que possui obras representativas de vários artistas brasileiros. Dois exemplos são as obras Caipira Picando Fumo de Almeida Junior e Mestiço de Portinari. Caso você possua acesso ao folheto, leve-o para a classe e mostre-o aos alunos. Caso não possua, o texto pode ser colocado no quadro. Antes de apresentar o texto que será discutido, pergunte aos alunos qual a possível finalidade do folheto de um museu. Ouça-os.

Grática

 

Leia o texto do folheto. Veja se a hipótese que tinham sobre a finalidade dele comprovou-se ou não. Observe que, nesse caso, estabelecem-se as regras de comportamento no interior desse espaço e oferece-se uma justificativa para elas. O estabelecimento das regras ocorreu, no caso desse prospecto, pelo advérbio de negação - não - acompanhado do infinitivo. O infinitivo não flexionado coloca uma ordem que é válida para qualquer pessoa e tal como é usado assume características do imperativo.

Proponha aos alunos que reescrevam as ordens do folheto, substituindo o infinitivo pela forma correspondente do verbo no imperativo. Antes do início da realização do exercício, analise com eles a pessoa que deverão escolher - segunda ou terceira do singular. O uso do infinitivo possui como intuito apagar a pessoa do discurso para quem as ordens são dadas, mas pergunte aos alunos se em algum momento do texto há indícios da pessoa utilizada. Peça que releiam o texto e observem se encontram alguma marca dessa pessoa. Peça que discutam com um colega. Analise o texto anterior às regras. Nele encontra-se o pronome sua: esse remete à terceira pessoa do singular. Peça então que reescrevam o texto usando os verbos adequados. Durante a execução do trabalho, é interessante que tenham o caderno e a gramática disponíveis para consulta e resolução de eventuais dúvidas a respeito da conjugação verbal. Faça a correção da atividade.

Como atividade para casa, solicite que pesquisem em revistas ou jornais a presença do modo imperativo em propagandas direcionadas ao público infantil. Peça que copiem no caderno três frases em que esse uso ocorra. Peça também que elaborem uma pequena explicação para esse uso.

Avaliação 

Proponha aos alunos que em trios elaborem um folheto explicitando o comportamento a ser adotado pelos usuários no interior da biblioteca da escola ou do município. A redação das regras deve utilizar o modo imperativo na terceira pessoa do singular - você.

 

Quer saber mais?

BANDEIRA, Rogério Braga. O Imperativo em Segunda Pessoa. Disponível em: http://static.recantodasletras.com.br/arquivos/1613498.doc

BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. Rio de Janeiro: Lucerna, 2001.
BRAGA, Henrique Santos. Desaparecimento da Flexão Verbal Como Marca de Tratamento no Modo Imperativo - um Caso de Variação no Português Brasileiro. Disponível em:
www.teses.usp.br/teses/disponiveis/.../HENRIQUE_SANTOS_BRAGA.pdf  

BRAGA, Rubem. As Melhores 200 Crônicas Escolhidas de Rubem Braga. Rio de Janeiro: Record, 1977.
PAES, José Paulo. Poemas para Brincar. São Paulo: Ática, 2002.
PERINI, Mário A . Gramática do Português Brasileiro. São Paulo: Parábola, 2010.

 

 

Créditos:
Conceição Aparecida Bento
Formação:
Doutora em Letras pela Universidade de São Paulo e professora universitária
Autor Nova Escola

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