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Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Conteúdo
Estudo de texto, poesia e letras de música

Habilidade
Analisar a obra de dois dos maiores letristas do rock brasileiro

Tempo estimado
Uma aula

VEJA anuncia o lançamento de uma biografia sobre Renato Russo, que mostra como o líder do grupo Legião Urbana planejou o sucesso na efervescente cena cultural brasileira pós-ditadura militar. A leitura da resenha em sala de aula é um ótimo ponto de partida para apresentar à garotada o lirismo de dois jovens que souberam usar o rock como veículo para expor as preocupações com seu tempo: Renato Russo e Cazuza.

Atividades
1ª aula - Lembre à turma que, embora consolidado no mundo e com grandes bandas entre as mais populares do planeta desde os anos 60 do século passado, o rock and roll, no Brasil, claudicava até meados dos anos 80. Não por coincidência, o fim da ditadura militar, em 1985, coincidiu com uma "explosão" do "rock brazuca". Grupos como Paralamas do Sucesso, Titãs, Barão Vermelho e Legião Urbana, surgiram com força no cenário cultural do país com muito ritmo, atitude e composições de letras vigorosas. Os líderes de duas dessas bandas rapidamente despertaram grande atenção do público pelo lirismo muitas vezes amargo de suas composições: Cazuza, do Barão, e Renato, do Legião.

Ambos tinham muito em comum, como disse o vocalista do Legião Urbana, num show feito no dia 7 de julho de 1990, data da morte de Cazuza: "Eu tenho mais ou menos 30 anos, sou do signo de Áries, nasci no Rio de Janeiro, gosto da Billie Holliday e dos Roling Stones, gosto de beber pra caramba de vez em quando, também gosto de milkshake. Eu gosto de meninas, mas também gosto de meninos. Todo mundo diz que eu sou meio louco. Eu sou cantor numa banda de rock¿n roll. Eu sou letrista e algumas pessoas dizem que eu sou poeta. Agora eu vou falar de um carinha. Ele tem 30 anos, é do signo de Áries, nasceu no Rio de Janeiro, gosta da Billie Holliday e dos Rolling Stones, é meio louco, gosta de beber pra caramba. Gosta de meninas e meninos. Ele é cantor numa banda de rock, é letrista, e eu digo: ele é poeta. Todo mundo da Legião gostaria de dedicar esse show ao Cazuza". O tempo se encarregou de acrescentar mais uma similaridade entre os dois: a Aids, fatal.

Pergunte à turma: sobre o que escreviam o autodenominado "letrista" e o poeta? Conte que, ao contrário das gerações dos anos 60 e 70, que se preocupavam em revolucionar a cultura e os costumes e tomar o poder, os jovens brasileiros dos anos 80, recém saídos de um regime militar, queriam experimentar a liberdade de dizer e de expressar, ao passo que descobriam um país encoberto por anos de censura. O rock, um gênero híbrido por natureza, foi o veículo perfeito para essa juventude, que foi aprendendo consigo mesma a lidar com seu tempo e seus conflitos e dores, registrando, assim, um processo de crescimento e maturação. O amor (ou sua busca e suas consequências), a ética, o sexo, o ritmo da cidade, as dores e frustrações são os sentimentos extravasados. A poética do rock se revela como o registro urgente do agora, com um olhar atento ao momento e ao
espaço, tomando, assim, uma forma literária que se aproxima do diário, ou seja, o registro consoante com o calor dos acontecimentos. Na obra de Cazuza e Renato Russo, o ponto de partida é sempre o autor. Acentua-se, assim, o comentário sobre o presente e a dúvida sobre o futuro próximo, o que confere um caráter peculiar às composições poéticas dessa época.

Na voz dessa geração não se ouviram metáforas e alegorias ao estilo de Chico Buarque - necessárias àquela época para burlar o sistema de censura. O rock dos anos 80 não se engaja politicamente, mas denuncia os problemas do país. Cazuza pede, em Brasil, que a nação "mostre a sua cara", e Renato, em Perfeição, pede para celebrar "o meu país e sua corja de assassinos, covardes, estupradores e ladrões". Ao falarem de si, diante do mundo, Renato Russo e Cazuza se tornaram universais e escreveram músicas que milhares de pessoas achavam que tinham sido feitas sob encomenda para elas.

Divida a turma em grupos e distribua letras de Cazuza e Renato Russo. Há dois exemplos abaixo, mas o trabalho fica mais rico se você agregar outras canções (veja indicações no fim deste plano de aula). O importante é que cada equipe tenha em mãos, pelo menos, uma letra de cada autor. Peça que leiam o material e tentem identificar analogias entre as ideias de um e outro, respondendo a questões como: qual o tom dos textos? Otimista? Amargo? Esperançoso? É possível identificar o tipo de vida que os autores levavam só pelo tipo de temática? Existe a defesa de algum comportamento? Qual? Não sem preocupe em buscar respostas definitivas, o importante é promover a discussão e a avaliação crítica da produção dos dois artistas. Vale um alerta: cuidado se a sexualidade dos roqueiros assumir o centro do debate. Não há problema em falar disso - e, aliás, é um bom momento para lembrar a importância do sexo seguro como defesa contra a Aids e as DSTs - mas o comportamento sexual não deve ser julgado e sim analisado no contexto da obra: se existe citação, se ela é clara, se é feita apologia...

Conclua encomendando uma dissertação individual em que os alunos respondam se as aflições dos autores ainda são parecidas com as dos jovens de hoje. As músicas de Cazuza e Renato Russo, se lançadas hoje, ainda teriam o mesmo impacto? Por quê?

Para seus alunos

Ideologia
Cazuza

Meu partido
É um coração partido
E as ilusões estão todas perdidas
Os meus sonhos foram todos vendidos
Tão barato que eu nem acredito
Que aquele garoto que iria mudar o mundo
(Mudar o mundo)
Frequenta agora as festas do Grand Monde

Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver

O meu prazer
Agora é risco de vida
Meu sex and drugs não tem nenhum rock 'n' roll
Eu vou pagar a conta do analista
Pra nunca mais ter que saber quem eu sou
Pois aquele garoto que ia mudar o mundo
(Mudar o mundo)
Agora assiste a tudo em cima do muro

Tempo Perdido
Renato Russo

Todos os dias quando acordo
Não tenho mais
O tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo...

Todos os dias
Antes de dormir
Lembro e esqueço
Como foi o dia
Sempre em frente
Não temos tempo a perder...

Nosso suor sagrado
É bem mais belo
Que esse sangue amargo
E tão sério
E Selvagem! Selvagem!
Selvagem!...

Veja o Sol
Dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega
É da cor dos teus olhos
Castanhos...

Então me abraça forte
E diz mais uma vez
Que já estamos
Distantes de tudo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo...

Não tenho medo do escuro
Mas deixe as luzes
Acesas agora
O que foi escondido
É o que se escondeu
E o que foi prometido
Ninguém prometeu
Nem foi tempo perdido
Somos tão jovens...

Tão Jovens! Tão Jovens!...

Quer saber mais?

BIBLIOGRAFIA
Renato Russo e Cazuza: A Poética da Travessia - Rock e Poesia nos anos 80, José Roberto Silveira, Ed. Cia. dos Livros, tel. (11) 2681-2080

INTERNET
Letras de músicas de Renato Russo
Letras de músicas de Cazuza

Créditos:
VEJA NA SALA DE AULA
Cargo:
Atividade proposta pela equipe de
Autor Nova Escola

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