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Explique os efeitos do ar sujo em nosso aparelho respiratório

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Revelar como substâncias decorrentes da poluição atmosférica prejudicam o sistema respiratório

Conteúdo(s) 

 

 

Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem da Veja:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

Quem vive em grandes cidades sabe da péssima qualidade do ar que respira. Segundo VEJA, há avanços na medição de certas substâncias nocivas em suspensão na atmosfera. Essa conquista científica expõe a grave situação em que se encontram vários pontos do. Explore a reportagem de VEJA associada a esse roteiro como ponto de partida para reexaminar com os alunos os efeitos dos poluentes no organismo humano.

Introduza o assunto da aula. Estimule os alunos a pensar no caminho que o ar faz dentro do nosso organismo e, depois, analisar as substâncias que eventualmente penetram no sangue e em outros fluidos corporais. Esse percurso envolve narinas, seios nasais, traquéia, brônquios, bronquíolos e alvéolos. Em seguida, componentes do ar podem entrar no sangue e, daí em diante, tomar várias direções e gerar efeitos diversos, sendo o mais importante a associação com a hemoglobina, molécula responsável pelo transporte de gases no sangue. As cavidades nasais de modo geral funcionam como um eficiente ar-condicionado orgânico. Humanos inalam ar cerca de 23.000 vezes por dia. Isso significa milhares de litros passando por esse sistema. O ar é filtrado por milhares de pêlos que recobrem o interior das narinas. Eles retêm bilhões de partículas que incluem poeira, pólen e microorganismos. Então, o ar é aquecido e umidificado nos seios nasais.

Mostre por meio de esquemas que os seios nasais são maiores do que se imagina. Assim fica mais fácil explicar o risco das doenças que afetam essa parte da anatomia. Tanto os seios nasais como a laringe, a traquéia e os brônquios são revestidos por um epitélio mucoso. Ele produz um muco que é lentamente transportado em direção à faringe por intermédio do batimento de cílios. Examine a importância desse muco. Conte que poluentes podem paralisar o movimento ciliar, afetando a capacidade do indivíduo de se livrar do material particulado. Um agente paralisante bem conhecido é a nicotina, presente no cigarro.

Nossas defesas contra os elementos particulados parecem bastante visíveis. Entretanto, não possuímos tantas armas para enfrentar os poluentes voláteis - como o ozônio, o monóxido de carbono e o óxido de nitrogênio. Essas substâncias se dissolvem no muco e passam pelas membranas celulares, chegando ao sangue. Diga que o monóxido de carbono tem uma afinidade bem maior com a hemoglobina que o oxigênio e o gás carbônico. Quem aspira grandes quantidades de CO praticamente bloqueia o transporte de oxigênio e pode morrer.

Descreva os efeitos do ozônio, gás que tem grande capacidade de oxidar substâncias orgânicas dentro e fora das células. Seu efeito é basicamente irritante. Causa uma reação inflamatória no organismo, agravando uma série de males preexistentes - câncer, enfisema, asma e bronquites, por exemplo.
Conte ainda que a área da superfície respiratória, acrescida dos cerca de 300 milhões de alvéolos, equivale a uma quadra de tênis. E tudo isso fica exposto a substâncias nocivas.

Sugira que os estudantes listem aspectos locais que podem agravar a poluição de sua cidade. Lembre que em certos centros urbanos a indústria tem papel importante e em outros os automóveis são o fator preponderante. Em capitais como Santiago e Cidade do México, características climáticas - baixa umidade e calor - facilitam a concentração dos poluentes. Em metrópoles brasileiras, o alto índice de uso do álcool combustível aumenta a poluição por ozônio, pois os aldeídos resultantes são matéria-prima na reação que produz esse gás.

Convide os professores de Geografia e Química a participar de uma discussão multidisciplinar na qual cada um vai ressaltar questões mais ligadas à respectiva área. A atividade pode ter a forma de um simpósio e resultar em relatórios de síntese por parte dos adolescentes.

Examine com a classe os avanços científicos feitos em direção ao controle e à diminuição da emissão de poluentes. Ensine que as previsões na década de 1970 eram extremamente pessimistas e que hoje a pesquisa tecnológica, somada a uma maior vontade política, reverteu a tendência.

Apresente também a chamada poluição interna, aquela que ocorre no interior de casas e escritórios. Muitas vezes, ela é relegada ao segundo plano. No entanto, existem prédios com circulação de ar fechada e dependente de ar-condicionado. Em alguns edifícios com sistemas antigos, foram encontradas quantidades preocupantes de bactérias, fungos e poeira no ar circulante.

Desenvolva trabalhos práticos com plantas consideradas bioindicadoras de poluição. São espécies que apresentam mudanças anatômicas e fisiológicas na presença de poluentes. Duas delas são interessantes para o exercício: o tabaco e o coração-roxo. O primeiro, Nicotiana tabacum, mostra manchas amareladas em suas folhas quando há níveis aumentados de ozônio. Portanto, se presta a projetos simples no laboratório e no jardim da escola. Já o coração-roxo (Tradescantia pallida cv. purpurea) é uma planta ornamental facilmente encontrada em ruas e jardins, mesmo em locais com concentrações elevadas de poluentes atmosféricos. É interessante ter essa espécie na escola, pois também costuma ser usada na observação de fenômenos celulares como a ciclose. Durante a formação de pólen, uma fase sensível a fatores externos, ocorre o rompimento de pedaços de DNA no coração-roxo. O problema de detecção da poluição, claro, só é visível no microscópio. Para isso são utilizados grãos de pólen. Plantas vivendo em áreas poluídas apresentam um número elevado de micronúcleos em células-mães dos grãos de pólen. Para fazer esse experimento são necessários microscópios potentes e professores com experiência em citologia. Uma alternativa é estabelecer convênio com universidades locais. Nesse caso, seus alunos devem levar os materiais para ser examinados nas instituições acadêmicas.

A turma pode monitorar diretamente a quantidade de ozônio do ar por meio de um kit importado chamado Eco Badge, que muda de cor. Equipado com filtros que reagem por quimioluminescência, ele produz uma reação à luz semelhante à que ocorre com a própria formação do ozônio na baixa atmosfera. Após cerca de oito horas de medição, o kit é examinado. A alteração de cor de um papel reagente é comparada com uma escala-padrão para diferentes concentrações de ozônio. Assim, a turma pode desenvolver projetos de monitoração desse gás.

Para saber mais

Ares sul-americanos

O esquema ao lado mostra os níveis de monóxido de carbono no ar a 3.650 metros de altitude sobre a América do Sul, segundo medição da Nasa em setembro de 2000.
As áreas azuis e verdes representam os mais baixos níveis do poluente; as amarelas e laranja, índices intermediários. Conforme avançam do rosa para o vermelho, o branco e o preto, esses valores aumentam progressivamente. A mancha irradiada pela Amazônia é fruto de queimadas.

 

Créditos:
Ricardo Vieira dos Santos Paiva
Formação:
Professor de Biologia do Colégio Santa Cruz, de São Paulo
Autor Nova Escola

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