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A evolução histórica do capitalismo

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Acompanhar a evolução histórica do capitalismo e propor aos alunos algumas análises sobre este sistema econômico

Conteúdo(s) 

 

- Evolução histórica do capitalismo
- A análise de Marx e Engels no Manifesto Comunista
- A análise de Max Weber em A ética protestante e o espírito do capitalismo

Reportagem de VEJA:






 

Ano(s) 
Tempo estimado 
Três aulas
Material necessário 
  • Cópias do artigo "O capitalismo vai sobreviver. Mais uma vez", publicado em VEJA (Ed. 2263, 4 de abril de 2012) para todos os alunos
  • Cópias de passagens do Manifesto Comunista para todos os alunos
  • Computador com acesso à internet
  • TV com aparelho de DVD
Desenvolvimento 
1ª etapa 

O artigo de Maílson da Nóbrega discorre sobre a extraordinária capacidade do capitalismo em gerar riquezas e superar crises. Aproveite o ponto de vista dado pelo colunista para discutir esse sistema com os alunos e acompanhar sua evolução histórica.

Na primeira aula, o foco será o capitalismo mercantil, a fase inicial da evolução capitalista.
Para começar, distribua cópias com as passagens do Manifesto Comunista aos alunos. A seguir, chame a atenção para um trecho do artigo de Maílson da Nóbrega: "Marx escreveu com Friedrich Engels (1820-1895) uma das mais brilhantes análises da evolução do sistema de mercado, que é a expressão sinônima de capitalismo". De fato, no manifesto lançado em 1848, Marx e Engels reconhecem que a burguesia - a classe hegemônica no capitalismo - desempenhou na História um papel eminentemente revolucionário.

Coloque em discussão as seguintes passagens encaminhadas aos jovens:

"Onde quer que tenha conquistado o poder, a burguesia destruiu as relações feudais, patriarcais e idílicas. Ela despedaçou sem piedade todos os complexos e variados laços que prendiam o homem feudal a seus 'superiores naturais' (...).
A descoberta da América, a circunavegação da África ofereceram à burguesia ascendente um novo campo de ação. Os mercados da Índia e da China, a colonização da América, o comércio colonial, o incremento dos meios de troca e, em geral, das mercadorias imprimiram um impulso, desconhecido até então, ao comércio, à indústria, à navegação e, por conseguinte, desenvolveram rapidamente o elemento revolucionário da sociedade feudal em decomposição".

A antiga organização feudal da indústria, em que esta era circunscrita a corporações fechadas, já não podia satisfazer às necessidades que cresciam com a abertura de novos mercados. A manufatura a substituiu. A pequena burguesia industrial suplantou os mestres das corporações, a divisão do trabalho entre as diferentes corporações desapareceu diante da divisão do trabalho dentro da própria oficina.

Todavia, os mercados ampliavam-se cada vez mais: a procura de mercadorias aumentava sempre. (...)."

Explique que nessas passagens os dois autores tratam do capitalismo mercantil. Este surgiu na Idade Média europeia, associado à multiplicação das feiras, e entrou em confronto aberto com a ordem feudal. Para os mercadores, era inaceitável que tivessem de pagar tributos em cada feudo; eles desejavam um mercado unificado, assim como os reis queriam um único poder no território: o seu próprio. Devido a essa convergência de interesses, a burguesia mercantil apoiou em muitos países o soberano, que tentava submeter os senhores feudais. Um dos meios para isso foi a criação de exércitos permanentes, pagos pela Coroa utilizando recursos em boa medida fornecidos pelos grandes comerciantes.

Peça para que os estudantes de pesquisem em casa - utilizando a internet ou livros da biblioteca - um caso emblemático da aliança entre o rei e a burguesia mercantil: o de Portugal com a chamada Revolução de Avis (1383-1385). Para orientar o trabalho, ensine que o apoio dos grandes comerciantes - e também da plebe, a "arraia miúda" - foi decisivo para conduzir ao trono D. João, o mestre de Avis, filho natural legitimado do rei D. Pedro I. A aliança entre a burguesia e a Coroa também impulsionou o grande projeto da dinastia de Avis: as explorações marítimas dos séculos XV e XVI.

 

2ª etapa 

Solicite que os alunos compartilhem com a classe os resultados de sua pesquisa. Aproveite para fazer o gancho entre a pesquisa e o capitalismo industrial, tema desta segunda aula. Esclareça que o artigo publicado em VEJA o relaciona o capitalismo ao Iluminismo e à Revolução Industrial. E informa que Adam Smith (1723-1790), pai da Economia Política, "evidenciou o papel do mercado, o qual, guiado por uma mão invisível, coordenava inúmeros interesses em favor do bem comum".

Acrescente que outros pensadores desenvolveram análises brilhantes do capitalismo na modernidade. Entre eles estão Marx e Engels, no Manifesto Comunista, e Max Weber, autor de A ética protestante e o espírito do capitalismo.

Leia para a classe as seguintes passagens Marx e Engels e mostre como eles enfatizam a formação de um mercado mundial, de maneira ainda mais forte que Adam Smith:


"Impelida pela necessidade de mercados sempre novos, a burguesia invade todo o globo. Necessita estabelecer-se em toda parte, explorar em toda parte, criar vínculos em toda parte".

"Pela exploração do mercado mundial, a burguesia imprime um caráter cosmopolita à produção e ao consumo em todos os países. (...) As velhas indústrias nacionais foram destruídas e continuam a sê-lo diariamente. São suplantadas por novas indústrias, cuja introdução se torna uma questão vital para todas as nações civilizadas, indústrias que não empregam mais matérias-primas nacionais, mais sim matérias-primas vindas das regiões mais distantes, cujos produtos se consomem não somente no próprio pais mas em todas as partes do globo. Em lugar das antigas necessidades, satisfeitas pelos produtos nacionais, nascem novas necessidades que reclamam para sua satisfação os produtos das regiões mais longínquas e dos climas mais diversos. Em lugar do antigo isolamento de regiões e nações que se bastavam a si próprias, desenvolve-se um intercâmbio universal, uma universal interdependência das nações. (...)

Devido ao rápido aperfeiçoamento dos instrumentos de produção e ao constante progresso dos meios de comunicação, a burguesia arrasta para a torrente de civilização mesmo as nações mais bárbaras. Os baixos preços de seus produtos são a artilharia pesada que destrói todas as muralhas da China e obriga a capitularem os bárbaros mais tenazmente hostis aos estrangeiros. Sob pena de morte, ela obriga todas as nações a adotarem o modo burguês de produção, constrange-as a abraçar o que ela chama civilização, isto é, a se tornarem burguesas. Em uma palavra, cria um mundo à sua imagem e semelhança. (...)." 


Por meio da leitura, instigue o debate: essa descrição da configuração de um mercado mundial é exclusiva para o século 19 ou também pode ser associada ao processo de globalização, nos séculos 20 e 21?

Conte que o sociólogo alemão Max Weber, por sua vez, destacou outro aspecto que configurou o "espírito do capitalismo": a ética protestante do trabalho e da oração, com o favor divino se manifestando pelo enriquecimento dos devotos neste mundo. O capitalismo estaria associado à Reforma protestante do século XVI, e em especial a denominações como o calvinismo. A prosperidade seria o resultado dos hábitos de vida valorizados por igrejas como a calvinista - e da proteção divina.

Ressalte a seguinte passagem de Weber: "nas igrejas dos huguenotes franceses, monges-industriais (comerciantes, artesãos) constituíam boa parte dos fiéis (...). Até os espanhóis sabiam que a heresia (dos calvinistas da Holanda) ‘promove o comércio’".

O perfil dos monges católicos se aproxima daquele dos monges-industriais calvinistas? Quais estão mais voltados para as coisas deste mundo?

Solicite a contraposição entre a análise do Manifesto e a concepção weberiana. Leve a turma a perceber que, no primeiro caso, a difusão do capitalismo destrói modos tradicionais de produzir e dá origem a novas maneiras de pensar - surge um mundo "à imagem e semelhança" da burguesia industrial. Já em Weber, uma dimensão cultural, o calvinismo, pode ser considerado uma semente da economia capitalista, produzindo efeitos sobre as estruturas econômicas.

 

3ª etapa 

A análise desta vez vai recair sobre o capitalismo contemporâneo.

Proponha a investigação das afirmações do artigo referentes à atual etapa do capitalismo, sob a hegemonia do capital financeiro. Será que algumas são mais polêmicas que outras? Dificilmente haverá contestações à tese de que na Alemanha Ocidental e na Coreia do Sul havia mais riqueza e bem-estar que na Alemanha Oriental e na Coreia do Norte; ou em relação às conquistas sindicais que corrigiram abusos do capitalismo. E tampouco quanto à ideia central, da capacidade de o capitalismo se reinventar e sobreviver. Contudo, o seguinte trecho pode ser questionado, pelo menos em parte: "A crise financeira global (...) nasceu essencialmente de falhas de regulação, da assunção irresponsável de riscos pelo sistema financeiro e de políticas públicas equivocadas".

Mostre que o autor cita dois aspectos da esfera do poder público (regulação falha e políticas equivocadas) e um da esfera particular (os riscos excessivos assumidos pelo sistema financeiro). Eles têm o mesmo peso, ou o período em que irrompeu a crise esteve sob a hegemonia dos endeusadores do mercado? No governo neoliberal de George W. Bush, intensificar controles públicos sobre o livre jogo de capitais era visto como uma heresia merecedora das fogueiras da Inquisição. Mesmo depois de deflagrada a crise, os grandes empresários impuseram condições para aceitar recursos públicos que os salvariam da bancarrota, como mostra o filme Grande demais para quebrar. Vale a pena exibi-lo, no todo ou em parte, na sala de aula.


 

 

 

Avaliação 

Verifique se os alunos conseguiram captar a importância histórica do capitalismo e estabelecer relações entre suas três principais fases. Principalmente, veja se eles conseguiram desenvolver, baseado nas informações dadas em classe, uma posição crítica em relação ao artigo publicado conseguindo questionar se estamos ou não diante de um regime "grande demais para quebrar".

 

Créditos:
Carlos Eduardo Matos
Formação:
Jornalista e editor de livros didáticos e paradidáticos
Autor Nova Escola

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