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Evolução histórica das profissões

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Discutir as transformações econômicas, tecnológicas e sociais que levaram à crise, desaparecimento ou transformação de inúmeras profissões tradicionais ao longo do século 20

Conteúdo(s) 
  • Industrialização
  • Consumo de massa
  • Ofícios tradicionais
  • Transformações do mundo do trabalho
Ano(s) 
Tempo estimado 
3 aulas
Material necessário 
  • Computador com acesso à internet
  • aparelho de data-show

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Desenvolvimento 
1ª etapa 
Introdução 

O avanço da industrialização no século 20, especialmente no período posterior ao fim da Segunda Guerra Mundial, fez com que a grande oferta de produtos manufaturados e as inovações tecnológicas, aliadas a mudanças sociais e culturais, passassem a ameaçar antigos ofícios manuais que antes eram os responsáveis por atender as mais variadas necessidades das pessoas, do alfaiate até o amolador de facas. Este plano de aula apresenta uma oportunidade para se discutir em sala algumas das transformações pelas quais o mundo do trabalho passou e ainda passa, assistindo o desaparecimento, a adaptação e o surgimento de novas profissões.

Para ampliação desse plano, sugere-se que se discuta com os alunos suas vocações, perguntando a cada um com que gostaria de trabalhar para o resto da vida. No segundo momento, pode-se fazer um rol de profissões que permaneceram as que desapareceram ao longo da história da humanidade. Pode-se também, por meio de imagens, mostrar que muitas profissões modificaram apenas os nomes, os instrumentos de uso, a forma de fazer, mas que permanecem com a mesma função na sociedade. Outra questão, é perguntar aos alunos se no lugar em que vivem poderiam optar por determinados tipos de trabalho. Ou que diferença há entre o mercado de trabalho da cidade e do campo?

Inicie a aula perguntando aos alunos se, por acaso, eles têm conhecimento de quais eram as profissões de seus avós. Procure observar se entre as respostas figuram profissões hoje pouco usuais, como sapateiro, relojoeiro, ferreiro, funileiro, entre outras.

Indague os alunos se eles sabem do que consistia a atividade das profissões citadas informando, em seguida, que o objetivo da aula será discutir a razão delas terem perdido espaço e como outros ofícios também têm passado por mudanças, impulsionadas por mudanças econômicas, sociais e tecnológicas.

Conte à turma que, antes do avanço decisivo do processo de industrialização ocorrido de forma decisiva no século 20, uma enormidade profissões, hoje em desuso, era responsável por atender às demandas de produtos e serviços da sociedade, desde a área de transportes até o vestuário.

No Brasil dos tempos de colônia e Império, por exemplo, apesar do desprezo que recebiam da aristocracia, os chamados "ofícios mecânicos" eram imprescindíveis mesmo nas menores aglomerações urbanas, oferecendo uma ampla variedade de serviços ligados à construção civil (mestres canteiros e pedreiros), à metalurgia (funileiros e ferreiros), ao vestuário (alfaiates e modistas), aos transportes (tropeiros), entre tantos outros.

Explique que, naquele tempo bens manufaturados eram artigos raros, e, por isso, uma pessoa que necessitasse de ferramentas e utensílios de ferro, por exemplo, teria mais facilidade em encomendá-las a um ferreiro do que comprá-las. Da mesma forma com que era mais fácil encomendar roupas ou artigos de couro com artesãos especializados.

Já em relação aos transportes (de toda sorte de produtos), as trilhas e estradas precárias do passado eram vencidas pelos tropeiros e suas comitivas de mulas e cavalos, possibilitando que os produtos pudessem ir de uma vila à outra. Entre os séculos 17 e 19 (em algumas regiões resistiram até o 20), os tropeiros foram os únicos responsáveis pelo transporte, além da comercialização de produtos, tendo se adaptado às difíceis condições dos caminhos e preparado os animais para cumprir duras jornadas de viagem, atividade essencial para o abastecimento de regiões onde se desenvolveu a mineração no século 18, por exemplo. Primeiro com a instalação das primeiras ferrovias, em fins do século 19, e depois com a chegada dos automóveis e as rodovias, os tropeiros acabaram perdendo espaço até o desaparecimento do ofício.

As construções brasileiras prescindiram, pelo menos entre os séculos 18 e19, da atuação de profissionais capazes de trabalhar as rochas brutas utilizadas, por exemplo, na construção de pontes, igrejas, fortalezas, palácios e outras edificações. A técnica de utilização de pedras na construção civil, existente desde o Egito Antigo, foi aperfeiçoada ao longo do tempo tendo recebido o nome de cantaria, sendo o responsável por sua aplicação o mestre canteiro.

A cantaria se fez presente em várias regiões do Brasil, tendo ganhado destaque nas edificações erguidas em Minas Gerais a partir do século 18, onde mestres canteiros portugueses e africanos uniram suas técnicas em obras variadas, como templos católicos ou nos chafarizes que abasteciam as antigas vilas do ouro.

Com as mudanças das técnicas da construção civil e mesmo das tendências arquitetônicas, também os canteiros se viram ameaçados do completo desaparecimento.

Comente com a turma a forma como o desaparecimento de um ofício como o dos canteiros ameaçaria hoje a conservação de alguns dos mais fantásticos patrimônios culturais do país, como as cidades de Ouro Preto. A ausência desses profissionais tornaria impossível, por exemplo, reconstituir monumentos danificados. Explique então que as demandas de conservação do patrimônio atuais têm, felizmente, feito com que o ofício fosse resgatado, sendo hoje oferecido em um curso de extensão oferecido pelo Departamento de Engenharia de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto.

Outros ofícios suportaram um pouco mais às turbulências causadas pela industrialização, podendo ser encontrados em muitas cidades, apesar de seu número escasso. Os alfaiates e modistas, por exemplo, foram os principais fornecedores de vestuário até que a produção em massa ameaçou sua atividade. A oferta de roupas industrializadas, com um custo relativamente mais baixo, fez com que a população deixasse de encomendar aquelas feitas sob medida.

Ainda pensando na expansão dos produtos industrializados, conte aos alunos que, profissionais como relojoeiros, sapateiros e marceneiros, se viram diante da invasão de produtos prontos e descartáveis que praticamente anularam seu trabalho. Diga que, também a pressão de consumo exercido pelo próprio capitalismo fez com que as pessoas, além de adquirirem os produtos industrializados, passassem a descartá-los assim que o primeiro defeito se apresentasse, adquirindo outro novo, vendido como mais moderno e eficiente que o descartado.

A fabricação de produtos destinados ao descarte, com um tempo de vida útil limitado, não só pelos materiais, mas também pela pressão exercida pelo lançamento do "mais moderno e eficiente", fizeram com que profissionais especializados no conserto perdessem seus clientes. Os relojoeiros são um bom exemplo disso, já que a indústria se pôs a fabricar relógios descartáveis, consumidos pela maior parte da população, ao contrário dos antigos relógios de corda, onde o conserto era sempre uma possibilidade viável.

Também o sapateiro enfrenta problema semelhante. Antes responsável pela própria fabricação dos calçados, os sapateiros passaram a apenas operar consertos nos calçados industrializados, tendo hoje diminuído sua presença diante da política de descarte e substituição dos produtos.

Durante bastante tempo, praças de várias cidades foram marcadas pela presença do chamado fotógrafo "lambe-lambe". O "lambe-lambe" fornecia fotos instantâneas produzidas a partir de uma câmera formada por uma caixa dotada de lente objetiva apoiada em um tripé, contendo em si um pequeno laboratório onde as fotografias eram reveladas.

A explicação para o apelido "lambe-lambe" tem entre tantas possíveis explicações, o fato de os fotógrafos darem uma lambida na chapa de vidro que era utilizada para revelação, a fim de saber qual era o lado da emulsão ou mesmo para fixá-la.

Com o advento das câmeras portáteis os "lambe-lambe" perderam seu espaço, dando espaço para o fotógrafo de estúdio. Chame atenção dos alunos para a forma como as câmeras portáteis de filme hoje também caíram em desuso, tendo sido substituídas pelas digitais, amplamente difundidas.

Explique para a classe que nem sempre a indústria e as inovações tecnológicas são os responsáveis pelo desaparecimento ou mesmo nascimento de uma profissão.

Mudanças sociais ou culturais também podem ter influência sobre os ofícios, criando novas demandas, como foi o caso da necessidade da formação de novos canteiros, comentada anteriormente, que surgiu diante da necessidade de se preservar o patrimônio cultural.

Mudanças urbanas também podem dar origem a novas profissões, por exemplo, o ofício de moto-boy, hoje regulamentado por lei e que atende a uma grande demanda de trabalho nas principais cidades do país. Com o adensamento urbano e número cada vez maior de automóveis nas ruas de cidades como São Paulo, os moto-boys surgiram como opção de deslocamento rápido.

Comente como nesse caso o componente tecnológico, a moto, já existia antes da profissão, que surgiu diante de uma demanda das grandes (e mesmo médias) aglomerações urbanas. Como explica a socióloga Márcia de Paula Leite, "apesar de a tecnologia ser o principal fator para criação e extinção de algumas profissões, ele não é o único".

 

2ª etapa 

Inicie a aula lembrando a turma das discussões tecidas na aula anterior e informe que farão uma visita virtual a um local que preserva a memória de muitos ofícios hoje desaparecidos.

Com o auxílio de um computador ligado à internet e um aparelho de data-show leve a turma para um passeio virtual ao Museu de Artes e Ofícios, localizado em Belo Horizonte, e abrigado no prédio da antiga estação central da cidade.

Através do tour virtual será possível ter contato com o rico acervo do MAO, cujas peças remetem ao exercício de uma ampla gama de profissões ligadas, por exemplo, aos transportes e à mineração, cuja história e usos sociais são explicados por meio de links e mesmo fragmentos de textos de viajantes estrangeiros que visitaram o Brasil no século 19.

Utilize a segunda aula apenas para a "visita", chamando atenção da turma para as imagens e informações disponibilizadas, solicitando ainda que eles tomem nota daquilo que mais lhes chamou atenção, além de tentarem identificar as peças presentes no acervo do Museu com as discussões anteriormente realizadas em sala.

Ao fim da visita virtual, divida a turma em grupos e solicite que eles procurem identificar na cidade alguns dos ofícios considerados em vias de desaparecimentos, como sapateiro, alfaiate, ferreiro, entre outros.

Peça que realizem entrevistas com os profissionais, indagando-os em relação à natureza de suas atividades, além dos desafios que têm enfrentado para se manterem ativos. Além das entrevistas, solicite que os grupos pesquisem a respeito de profissões que tem surgido hoje e que procurem imaginar quais outras poderiam surgir daqui a um século. O resultado das pesquisas deverá ser apresentado na forma de seminário e trabalho escrito na próxima aula.

 

3ª etapa 

Apresentação de seminários e discussão dos resultados.

Avaliação 

Com base nas discussões construídas em sala, nos textos e seminários apresentados, observe se a turma conseguiu compreender a dinâmica das transformações do mundo trabalho e as mudanças sofridas pelas profissões ao longo do tempo. Veja se eles conseguiram perceber que essas novas profissões atendem a pressões econômicas, tecnológicas e sociais.

Créditos:
Luiz Gustavo Cota
Formação:
Doutorando em História Social pela Universidade Federal Fluminense
Autor Nova Escola

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