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Esclareça de que maneira um coágulo pode provocar paralisia

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novaescola
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Objetivos
Explicar a composição do sangue e como os coágulos podem causar lesões corporais

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Reportagem da Veja:

Introdução
Os professores de Biologia tendem a ensinar os conteúdos conceituais de forma linear, seguindo a organização dos livros didáticos, teoricamente para garantir que os jovens tenham onde estudar. Essa lógica, no entanto, nem sempre garante aos alunos o entendimento de alguns fenômenos observáveis com suas respectivas causas, geralmente internas. O texto de VEJA se presta especialmente para esse exercício de identificação. Após a leitura, todos devem saber que o acidente vascular cerebral (AVC) resulta da coagulação do sangue e provoca seqüelas e morte. Mas como e por que se forma um coágulo? Qual a causa da paralisia de face, membros, visão ou fala? Por que esses problemas ocorrem? Com a palavra, sua turma.

Para dar início à aula, consiga alguns resultados de exame de sangue, principalmente aqueles que trazem contagens das células sangüíneas (série vermelha e série branca). Isso pode ser pedido com antecedência aos estudantes ou obtido em laboratórios de análises clínicas. Se não for possível, utilize os valores considerados normais e crie números fictícios apenas para interpretação.
Se a classe já estudou o sangue e suas células e os mecanismos de coagulação, proponha uma revisão. Do contrário, use VEJA para introduzir o tema.

Depois de apresentar os resultados dos exames (hemogramas), mostre à classe que nosso sangue é composto por uma parte líquida, o plasma, responsável por cerca de 55% do seu volume. Essa porção contém água, na qual estão dissolvidos diversos íons, além de glicose, gases oxigênio e carbônico, hormônios e proteínas - entre elas, anticorpos e o fibrinogênio, que vai nos interessar.

Os restantes 45% do volume correspondem aos elementos figurados: as hemácias (glóbulos vermelhos ou eritrócitos), os leucócitos (glóbulos brancos) e as plaquetas (trombócitos).

Cabe às hemácias transportar o gás oxigênio do pulmão para os tecidos. O gás carbônico volta principalmente dissolvido no plasma.

Os leucócitos estão ligados à imunidade e defesa do organismo e são de diferentes tipos. Entre eles estão os linfócitos B, responsáveis pela produção de anticorpos, dissolvidos no plasma.

As plaquetas estão relacionadas à coagulação do sangue. Aqui começam os problemas. Os mecanismos de coagulação não são totalmente entendidos, mas sabemos da importância da vitamina K, dos íons cálcio, das plaquetas e do fibrinogênio, aquela proteína dissolvida no plasma sangüíneo.

Já foram identificadas mais de 30 substâncias que atuam na coagulação do sangue, tanto promovendo - os procoagulantes - como inibindo - os anticoagulantes. A coagulação depende do equilíbrio entre esses dois grupos.

Apresente um esquema simplificado da coagulação. Quando o tecido é destruído por um corte, por exemplo, as células lesadas e as plaquetas presentes na região atingida liberam fatores de coagulação. São eles que agem na protrombina, uma proteína dissolvida no plasma, transformando-a em trombina (proteína com função enzimática).

A trombina, por sua vez, atua sobre o fibrinogênio e o converte em fibrina, uma proteína capaz de se polimerizar e formar redes de fibras. As plaquetas parecem agir ajudando a ligar essas fibras. Como redes de pesca, esse emaranhado de fibras retém os elementos figurados, principalmente as hemácias, criando um tampão: o coágulo.

Além de lesões, outros fatores contribuem para a formação de coágulos. Lesões internas na parede interna e lisa dos vasos sangüíneos, traumas (pancadas), circulação mais lenta, estreitamento de vasos (causa potencial de uma maior lentidão da circulação) e até alguns tipos de infecções bacterianas podem desencadear o mecanismo de coagulação do sangue.

Funções cerebrais

 

Diagrama da metade do cérebro que indica as áreas de movimento (tronco e membros) e as sensitivas. Em geral, as funções motoras e dos sentidos são cruzadas: o lado direito do cérebro comanda o lado esquerdo do corpo. Por isso, coágulos ou hemorragias na parte direita podem afetar os membros esquerdos - como ocorreu com o diretor italiano Federico Fellini, que foi vítima de um derrame em agosto de 1993 e sofreu paralisia na perna e no braço esquerdos. Dois meses depois, morreu devido a seqüelas da doença.

 

Atividades
Com base nas informações dadas, peça que cada um apresente hipóteses para explicar algum desses quadros de formação de coágulos - desde que não seja a ocorrência de lesões. Forneça algumas pistas: por exemplo, a nicotina é um vasoconstritor, isto é, causa a contração dos vasos sangüíneos; a obesidade e o sedentarismo dificultam o retorno do sangue das partes inferiores do corpo através das veias.

Não será tarefa fácil, mas os alunos podem chegar a algumas conclusões sobre hábitos de vida: fumo, obesidade e sedentarismo aumentam o risco da formação de trombos, como são chamados os coágulos. A existência de placas ateromatosas, formadas por acúmulo de gordura, podem facilitar a alteração da parede lisa dos vasos e diminuir a velocidade de circulação do sangue.

É importante dizer que o corpo tem mecanismos de quebra e reabsorção dos coágulos - sem eles, o número de acidentes vasculares seria ainda maior.
Dessa forma explicamos a causa de coágulos. Mas o que origina as lesões cerebrais? Examinadas as funções dos componentes sangüíneos, convide a classe a aventar hipóteses que esclareçam por que partes do cérebro deixam de funcionar. Lembre que o coágulo é arrastado pela corrente sangüínea e acaba obstruindo algum vaso. Essa atividade pode ser ainda mais interessante se desenvolvida em grupos de três ou quatro alunos, para que haja debates. Não esqueça de avaliar a argumentação dada pelos estudantes.

Use o quadro acima para mostrar que conforme o local onde o coágulo está alojado, certa região do cérebro deixa de receber oxigênio (as hemácias não podem mais levá-lo), nem receberá nutrientes, em especial a glicose, que chega até os neurônios dissolvida no plasma.

Com uma boa prancha do sistema circulatório é possível ampliar a atividade, propondo o entupimento de vasos específicos, como as artérias coronárias e as femorais (vaso muito largo, o que torna essa possibilidade improvável). Discuta também que tipo de vaso seria obstruído. A resposta deve trazer alento aos adolescentes: os vasos afetados são geralmente os capilares, dado o seu diâmetro reduzido.

Créditos:
Marcos Engelstein
Cargo:
Consultoria
Formação:
Professor de Biologia do Colégio Santa Cruz, de São Paulo
Autor Nova Escola

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