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Era proibido proibir

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novaescola
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Objetivos
Entender as mudanças sociais e políticas da década de 1960 e articular aquele momento histórico com a realidade de hoje.

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Reportagem da Veja:

Reportagem:

Introdução
Até certo ponto, essa diluição das fronteiras entre o prazer e outras esferas da atividade se incorporou ao cotidiano dos jovens da sociedade ocidental. Mesmo dos que se consideram alheios à política. Mesmo daqueles que estão prontos a vaiar todas as vanguardas artísticas, como fizeram os jovens brasileiros com É Proibido Proibir, de Caetano Veloso, no IV Festival da Record, em nome da preferência por músicas de protesto que embalassem suas passeatas contra a ditadura. Se é verdade que as revoluções envelhecem, essa dimensão de prazer permanece viva e alimenta a aura revolucionária de 1968, símbolo e síntese das transformações dos anos 1960.

Atividades
1. O Brasil conheceu passeatas estudantis contra a ditadura nos anos 60 e nos anos 90, com os caras-pintadas, decisivas para o afastamento do presidente Collor. Discuta, com os alunos, as semelhanças e as diferenças entre os dois movimentos. Por que os estudantes fracassaram em 1968 e triunfaram em 1992? Que setores sociais se mobilizaram junto aos estudantes? Qual o papel da imprensa nos dois processos? Alguns dos seus alunos conhecem algum cara-pintada? Peça a eles para registrar os depoimentos desses militantes.

2. Em 1968, os estudantes que vaiaram É Proibido Proibir aplaudiram apaixonadamente Para Não Dizer que Não Falei das Flores, de Geraldo Vandré. Faça, com os alunos, um levantamento das músicas de protesto do período. Essas canções eram musicalmente ricas, ou o que importava era o "recado" que transmitiam? Discuta essas questões.

3. No Brasil, a fase mais repressiva do regime militar ocorreu após 1968. Para que seus alunos percebam o que representou a luta política nesse período, leve para a sala de aula artigos de revistas ou periódicos atuais que discutam a questão da abertura dos arquivos da polícia para a identificação dos presos e mortos políticos.

4. A aura revolucionária presente em 1968 revestiu outros momentos históricos, entre eles a onda de revoluções liberais na Europa de 1848, conhecida como "Primavera dos Povos", a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e as mobilizações de estudantes chineses nos anos 80. Peça aos alunos para pesquisar e discutir esses episódios. Assista com eles aos filmes Terra e Liberdade - sobre a luta antifranquista na Espanha - e Tempos de Viver, que mostra a trajetória da China contra o autoritarismo "socialista".

É importante destacar que as mudanças de comportamento entre os jovens na década de 60 tinham como idéias-chave "comunidade" e "tribo", servindo de base a um novo estilo de vida. Uma parte fundamental dessas mudanças se manifestou na esfera do prazer. A difusão da pílula anticoncepcional permitiu o sexo sem o risco de uma gravidez indesejada. O tabu da virgindade foi questionado, na teoria e na prática; as mulheres ganharam maior liberdade pessoal e profissional. Ter múltiplos parceiros no âmbito da tribo - da escola às comunidades hippies - tornou-se prática não condenada. O slogan "Paz e Amor" sintetizava a oposição à guerra e o direito à sexualidade livre.

Esse movimento, início de uma profunda revolução de costumes, deu aos jovens a oportunidade para negociar regras, transgredir leis e modificá-las, ultrapassar limites e, em especial, experimentar novas formas de relacionamento. Mas o que acontece hoje? Até que ponto a Aids vem tolhendo a sexualidade dos jovens? São reflexões que o professor pode estimular entre os alunos.

Estratégias de trabalho
Peça que seus alunos leiam a reportagem de VEJA e marquem os trechos sobre comportamento, do tipo "mudou-se para sempre a relação dos pais e dos filhos". Destaque também a frase de Daniel Cohn-Bendit: "...queríamos mudar a linguagem e o estilo de vida, queríamos uma liberação dos costumes, o entusiasmo da solidariedade, a alegria de superar o egoísmo".

Em seguida, assista com seus alunos a filmes como Hair, Woodstock, Apocalypse Now e O Que É Isso, Companheiro?, que ilustram o comportamento dos jovens dos anos 1960 - dos hippies à esquerda brasileira. Depois, faça o mesmo com filmes representativos da atual década: Meu Nome Não é Johnny, Alpha Dog, Querida Wendy e Tiros em Columbine.

Divida a classe em grupos e proponha um tema diferente para cada um deles. Alguns exemplos de temas que podem encaminhar as discussões:
principais anseios e características dos personagens;
diferenças de relacionamento entre homens e mulheres;
quais drogas são referidas nos filmes, em quais situações são usadas e o que provocam;
que tipos de comportamento violento os filmes evidenciam;
quais comportamentos podem significar solidariedade? E egoísmo?

Após as discussões, cada grupo deverá apresentar suas conclusões ao conjunto da classe. Para finalizar a tarefa, peça que os alunos avaliem as palavras de Cohn-Bendit e levantem as principais mudanças comportamentais ocorridas nos últimos 40 anos.

Uma década explosiva
1959 - Fidel Castro e seus companheiros tomam o poder em Cuba.
1961 - Fracassa o desembarque dos exilados anticastristas na baía dos Porcos (Cuba). Jânio Quadros renuncia à presidência do Brasil. A "campanha da legalidade" assegura a posse do vice-presidente João Goulart, embora com poderes presidenciais diminuídos devido à adoção do regime parlamentarista.
1963 - Os Estados Unidos se envolvem na guerra do Vietnã. O pastor Martin Luther King lidera 250 mil pessoas numa marcha sobre Washington, exigindo igualdade racial e direitos civis para os negros. São assassinados os presidentes John Kennedy, dos Estados Unidos, e Ngo Dinh Diem, do Vietnã do Sul. Um plebiscito restabelece o presidencialismo no Brasil e estimula o confronto em torno da questão da terra e de outras "reformas de base" apoiadas por organizações como as Ligas Camponesas.
1964 - O presidente João Goulart é derrubado por forças militares. É aprovada a Lei dos Direitos Civis nos Estados Unidos. Luther King recebe o Prêmio Nobel da Paz. Os americanos começam a bombardear o Vietnã do Norte.
1967 - Che Guevara é preso e executado na Bolívia, por soldados do Exército. Na Tchecoslováquia, o líder comunista Alexander Dubcek impulsiona reformas democratizantes do regime: a chamada "Primavera de Praga".
1968 - Vietnã - em fevereiro, a ofensiva do Tet (o Ano-Novo) realizada por guerrilheiros e tropas norte-vietnamitas, afasta qualquer perspectiva de vitória puramente militar norte-americana na Guerra do Vietnã, mostrando que o conflito só poderá ter uma solução política.
Estados Unidos - em junho, é assassinado Robert Kennedy, irmão do presidente John Kennedy e candidato à presidência; em outubro, Martin Luther King é morto a tiros.
Tchecoslováquia - tropas soviéticas e de outros membros do Pacto de Varsóvia invadem o país em agosto, esmagando a "Primavera de Praga".
França - manifestações estudantis na faculdade de Nanterre em 22 de março desdobram-se, em maio, em confrontos com a polícia e em greves operárias. No dia 9, Paris cobre-se de barricadas e os paralelepípedos arrancados das ruas tornam-se projéteis para deter a investida policial. A essa altura, operários participam das passeatas ao lado dos estudantes. No dia 13 é decretada a greve geral; no dia 16, os operários ocupam a Renault; no dia 21, há 10 milhões de franceses em greve. No dia 25, o governo negocia com as centrais sindicais, atendendo a algumas reivindicações econômicas e minando desse modo a aproximação entre operários e estudantes. No dia 29, o presidente De Gaulle viaja secretamente para a Alemanha e assegura o apoio das tropas francesas ali sediadas. De volta no dia 30, dissolve a Assembléia. Uma passeata de um milhão de franceses em seu apoio mostra que o "partido da ordem" está pronto para a contra-ofensiva.

Brasil
Março
- no dia 28, a morte do secundarista Édson Luís de Lima Souto, abatido pela polícia no Rio de Janeiro, causa indignação; 50 mil pessoas protestam no seu enterro.
Abril - no dia 16 têm início os 9 dias de greve dos metalúrgicos de Contagem (MG).
Junho - no dia 26 realiza-se no Rio de Janeiro a Passeata dos 100 Mil; representantes do movimento se reúnem com o presidente Costa e Silva.
Julho - nos dias 16, 17 e 18, operários em greve paralisam seis das onze empresas metalúrgicas de Osasco (SP). Na capital paulista, militantes do CCC (Comando de Caça aos Comunistas) agridem os artistas do espetáculo Roda Viva, no Teatro Ruth Escobar.
Outubro - no dia 2, alunos da "Maria Antônia", sede da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP e pólo revolucionário do movimento estudantil, enfrentam os do Mackenzie, reduto conservador no qual atuavam núcleos anticomunistas. No confronto é morto a tiros o secundarista José Guimarães, que apoiava a "Maria Antônia". No dia 12, em Ibiúna (SP), são presos os delegados do Congresso da UNE, clandestino.
Dezembro - a decretação do AI-5 inaugura uma nova fase, ainda mais repressora, do regime militar. Setores radicais de oposição à ditadura voltam-se para as ações armadas.

Ano(s) 
Autor Nova Escola
Créditos:
Patrícia Braick
Formação:
Professora de História do Colégio Loyola, de Belo Horizonte
Créditos:
Rosely Sayão
Formação:
Psicóloga e Consultora Educacional

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