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Drogas: uma questão de vida

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Esclarecer sobre a abordagem do tema das drogas

Conteúdo(s) 

Debate sobre drogas

Ano(s) 
Material necessário 
Reportagem da Veja:

 

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

A reportagem especial "Passageiros da Agonia" aborda um tema que exige, cada vez com maior eloqüência, a atenção e a atuação do conjunto da sociedade: o assunto das drogas. Na matéria, em depoimentos dramáticos, familiares de usuários das drogas alertam para o desperdício de jovens vidas. Complementando essas informações, o psicólogo Antonio Carlos Egypto, membro do GTPOS (Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual), aponta uma linha de intervenção da escola sobre o assunto, a partir de uma ampla mobilização interdisciplinar e do diálogo aberto e honesto com os jovens.


O que não fazer
Egypto observa que, quando o tema é levantado por iniciativa de educadores isolados, "há o risco de cada professor tratar do assunto com uma visão diferente, gerando mensagens esquizofrênicas que, no mínimo, se anulam". É fundamental, argumenta, que o tema das drogas faça parte do projeto pedagógico da escola e seja discutido com a direção, o corpo docente e a equipe técnica. "Dessa forma, ações complementares das diversas áreas e trabalhos interdisciplinares podem ser empreendidos."

Ele lembra, em seguida, que o leque das drogas é muito mais amplo do que se costuma imaginar. "De que drogas estamos falando? Dos psicotrópicos, que atuam no sistema nervoso central, ativando, deprimindo ou perturbando seu funcionamento? Cocaína, crack, merla (variante do crack)? Heroína, lança-perfume? Maconha, LSD, Ecstasy? Certo. Mas só estamos preocupados com as drogas psicotrópicas ilícitas? E as bebidas alcoólicas, os remédios calmantes, as anfetaminas usadas nos regimes de emagrecimento, a cafeína e a nicotina? Um projeto como o "Diga Não às Drogas" pretende exatamente o quê? Pode-se proibir a fabricação de prosaicos remédios, bebidas, inalantes e solventes como a cola de sapateiro, benzina ou esmalte de unha, todos usados como drogas pela juventude? E aquele colírio que, inalado, provoca 'barato'? Como prevenir o uso indevido? Proibindo o colírio? Alguém em sã consciência pode temer mais os efeitos do uso continuado da maconha do que do abuso do álcool?"
 

A partir dessas questões, ele propõe desenvolver, no âmbito da escola, um trabalho de prevenção ao uso indevido de drogas, que dialogue, faça sentido para os alunos. "Não podemos ser simplistas, moralistas, terroristas nem repressivos, sob pena de não chegarmos a lugar nenhum", observa Egypto. "Saber o que não fazer já ajuda muito." E conclui: "São grandes as possibilidades de atuação. É grande o desafio. Se formos capazes de enfrentá-lo coletivamente no cotidiano escolar, poderemos ajudar os adolescentes a refletir e se posicionar criticamente diante da complexa questão das drogas, fazendo escolhas conscientes e que promovam a vida".

A leitura da matéria de VEJA poderá alimentar o debate em sala de aula, durante o qual será fundamental ouvir os alunos: saber o que eles pensam que é droga, quais as que conhecem, o que acham dos riscos envolvidos. Todos esses elementos podem sugerir uma linha de atuação, apontar o que fazer a partir daí.

A reportagem mostra que os jovens tornaram-se vítimas de drogas diferentes. Isso conduz à questão: o que determina o uso de uma substância psicoativa mais do que de outra? As respostas são conhecidas. Aspectos da personalidade, ambiente propício, curiosidade quanto ao que é mais difundido. Carências sociais. Fome. Desesperança. Sem esquecer os aspectos mercadológicos envolvidos. Afinal, por que se consome crack em São Paulo, merla em Brasília e cocaína no Rio de Janeiro? Mostre aos alunos como o narcotráfico, a segunda mais lucrativa atividade econômica do planeta (só perdendo para a indústria de armas), cria sua própria demanda.

2ª etapa 

Um aspecto fundamental a destacar e discutir é o modo como se instala a dependência de drogas psicotrópicas. Quando alguém procura o prazer que a droga pode proporcionar, geralmente não imagina que corre o risco de se tornar escravo, sem espaço para mais nada em sua vida. A onipotência típica dos jovens faz pensar sempre que "quando eu quiser eu paro", mesmo se todas as evidências de sua dependência já estiverem mais do que instaladas.

Na reportagem de VEJA, os familiares dos "passageiros da agonia" informam que alguns jovens foram vítimas de doses excessivas (overdoses), enquanto outros morreram em acidentes ou foram assassinados. A partir daí, pode-se debater com os alunos como as alterações do estado de consciência produzidas pelas drogas envolvem riscos e podem causar danos que precisam ser conhecidos, evitados ou ao menos reduzidos. Por exemplo, consumir bebidas alcoólicas ou fumar maconha e depois dirigir pode resultar em acidentes fatais. Além disso, sob o efeito das drogas, dificilmente alguém se lembra de usar a camisinha na hora da relação sexual. Também é importante salientar a grande incidência da transmissão do vírus da Aids por agulhas e seringas contaminadas entre os usuários de drogas injetáveis.

3ª etapa 

Um caminho interessante pode ser a exploração do tema das drogas nas diferentes manifestações artísticas no teatro, no cinema, na música e na literatura encontra-se farto material sobre o assunto. 

4ª etapa 

Além disso, professores de diferentes áreas podem contribuir para a discussão. Da química das drogas e sua atuação no cérebro e no sistema nervoso à expansão geográfica do narcotráfico, passando pelos usos históricos drogas na vida das pessoas, um amplo horizonte de trabalhos interdisciplinares se descortina.

Principais Psicotrópicos
A grande quantidade de substâncias consideradas drogas é classificada pelos especialistas em três grupos, conforme sua atuação no sistema nervoso central. Para algumas, o organismo apresenta tolerância: exige doses cada vez maiores para produzir o mesmo efeito.

Depressores do sistema nervoso
- Calmantes e sedativos (barbitúricos), como Optalidon e Fiorinal
- Tranqüilizantes ou ansiolíticos (Dienpax, Valium, Lorax, Lexotan)
- Opiáceos (morfina, heroína, codeína) - derivados da papoula, de cuja planta se extrai o suco que origina o ópio
- Inalantes e solventes (colas, tintas, removedores, esmalte, lança-perfume, cheirinho da Loló)
- Álcool

Estimulantes do sistema nervoso
- Anfetaminas (bolinhas, remédios que tiram o sono ou são usados para emagrecimento, como Perventin, Hipofagin, Moderex)
- Cocaína - alcalóide encontrado nas folhas da coca. A droga consiste num pó branco produzido a partir das folhas da coca
- Cafeína - alcalóide encontrado em algumas plantas (café, mate, guaraná)
- Crack - Merla - oferecidos em pedaços (pedras), são produzidos a partir da pasta da cocaína

Perturbadores do sistema nervoso
- Maconha, haxixe, Skunk - obtidas das folhas das plantas do grupo Cannabis
- Mescalina (peiote) - obtida de um cacto do México
- Ayahuasca (Santo Daime) - bebida preparada a partir de ramos e folhas de um cipó da Amazônia, o caapi
- LSD (ácido lisérgico) - é obtido de certos alcalóides vegetais
- Ecstasy
- Anticolinérgicos (alguns tipos de cogumelos, lírios, trombeteira, zabumba ou saia branca)

Veja também:

BIBLIOGRAFIA
Drogas - Subsídios para uma Discussão
, Jandira Masur e Elisaldo Carlini, Ed. Brasiliense, fone: (11) 3611.3055
Doces Venenos, Lídia Aratangy, Ed. Olho D´Água, fone: (11) 3673-1287
Narcotráfico, José Arbex, Ed. Moderna, fone: (11) 2790-1500

FILMOGRAFIA
Trainspotting
, Escócia, 1996
Despedida em Las Vegas, EUA, 1996
Diário de um Adolescente, EUA, 1995
Drugstore Cowboy, EUA, 1989

 

Autor Nova Escola
Créditos:
Antonio Carlos Egypto
Formação:
Psicólogo e membro do GTPOS (Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual)

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