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Discuta o comportamento sexual e afetivo dos jovens

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 
  • Discutir o comportamento sexual e afetivo dos jovens
Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem da Veja:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução
Anteontem, um olhar pudico. Ontem, um discreto beijinho em público. Hoje, dividir o quarto com o namorado. Quem acha que os padrões de comportamento amoroso também não são ditados pela história, atire a primeira flecha. Nesta edição, VEJA torna pública uma dúvida que anda tirando o sono dos pais brasileiros: permitir ou não que seus filhos levem as conquistas amorosas para dormir em casa. Independentemente da decisão, a reportagem indica que a situação não deixa os genitores muito à vontade. E seus alunos - vítimas do cupido -, o que pensam dessa polêmica? Use a revista como base para discutir os tabus que já assaltaram os avós da garotada em outros tempos.

Se possível, leve para a classe o CD indicado no final deste roteiro e promova a audição da canção "Já Sei Namorar".

2ª etapa 

Para debater
Oriente a leitura de VEJA e observe os comentários sobre as atitudes dos personagens citados. Que casos chamaram a atenção do grupo? A turma concorda com a tese de que levar o namorado para dormir em casa é motivo de constrangimento entre pais e filhos? Por quê? Peça que todos leiam as justificativas apontadas pela reportagem. Caso os estudantes tenham experimentado alguma situação semelhante às descritas pela revista, sugira que relatem o caso aos colegas - desde que se sintam à vontade para isso. Lembre que todas as mudanças demonstram a influência que a história tem sobre os relacionamentos humanos. Nesse momento, leia para a turma as informações dos seis quadros apresentados nestas páginas. Ensine que muitas atitudes consideradas ousadas em cada época são superadas com o passar do tempo. Afinal, alguém ainda flerta sob o olhar vigilante da vovó ou troca juras de amor no portão de casa somente até as 10 horas da noite?

Ajude os alunos a perceber que a questão do namoro no quarto, mostrada em VEJA, provavelmente será aceita sem reservas por toda a sociedade no futuro. Conte que nos anos 1950, por exemplo, uma mulher desquitada - ainda não existia o divórcio no país - era malfalada, não podia mais se casar "de papel passado" e sofria discriminação. Hoje, a naturalidade do divórcio estabeleceu uma nova visão de mundo. Enfatize que o problema discutido na reportagem é típico da classe média. Pergunte como se comportam os jovens mais pobres - a grande maioria dessa fatia da população brasileira.

 

Linha do tempo

No romantismo, só conversa
Marcado por juras de amor eterno e longas conversas em namoradeiras, a corte do final do século XIX tinha na idealização da mulher sua grande característica. Em vários textos de José de Alencar, tais como A Pata da Gazela, Cinco Minutos e Senhora, a heroína romântica só encontra seu par sob os olhares atentos da família, sem qualquer direito à privacidade.

Uma conquista com regras
Depois da II Guerra, as conquistas femininas permitiram que as jovens namorassem no portão, mas com horário predeterminado - por pais e irmãos - para o encanto acabar. Era a época de popularização das novelas transmitidas pelo rádio e o comportamento amoroso dos amados geralmente não ia além de um leve toque de mãos. Beijo, nem pensar.
 
Namoro no sofá sob a vigilância da vovó
Mais conhecida como vela, a avó ou outro parente que estivesse desocupado se transformou num elemento natural do namoro nos anos 1950. O jovem casal apaixonado ganhou o direito de atravessar o portão e se instalar na sala de estar da família, mas ainda sob os olhares atentos de bastiões da moral e dos bons costumes.

Faça amor, não faça guerra
Uma verdadeira onda de contracultura modificou os valores morais dos anos 1960. Incentivados pela permissividade sexual mostrada para todo o mundo no Festival de Woodstock e confiantes no poder anticoncepcional da pílula, os namorados aceitaram a tese de que é proibido proibir. Beijos, abraços e até mesmo filhos precoces espelhavam a rebeldia da época.

Sexo seguro em tempos de Aids
A Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis exigiram dos namorados da década retrasada comportamentos muito diferentes daquelas praticados pelas gerações anteriores. A camisinha virou item obrigatório para quem pretendia levar uma vida sexualmente ativa. Os jovens, ainda impedidos de transar em casa, podiam recorrer aos motéis.

O novo dilema
Num tempo em que a internet estimula encontros virtuais, os jovens estão a fim de ficar com o maior número possível de parceiros numa só noite. Simultaneamente, os que se decidem pelas relações mais estáveis fazem de casa o ninho de amor. Mas, como informa a reportagem de VEJA, esse hábito ainda vai causar muita polêmica.

 

3ª etapa 

Atividades
Promova a audição de Já Sei Namorar - um hit que fez muito sucesso entre os adolescentes. Explore as posturas sugeridas pela letra e investigue o que seus alunos pensam de versos como "já sei onde ficar" e "eu sou de ninguém". Ressalte também a influência do comportamento amoroso na literatura nacional. Se houver oportunidade, oriente a leitura do romance A Pata da Gazela, de José de Alencar. No livro, cujas ações se passam no século XIX, um jovem se apaixona por uma moça inspirado pela visão de um par de sapatos que ela deixa cair na rua. Isso é plausível nos dias de hoje? E o que dizer dos romances iniciados por meio da internet?

Para ir mais longe
Sugira uma pesquisa sobre as modificações nos relacionamentos amorosos ao longo do tempo. Peça que os alunos conversem com os avós e levante informações sobre como namoravam.

 

Para ler e cantar

Já sei namorar
Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes

Já sei namorar
Já sei beijar de língua
Agora só me resta sonhar
Já sei aonde ir
Já sei onde ficar
Agora só me falta sair
(Refrão)
Não tenho paciência pra televisão
Eu não sou audiência para solidão
Eu sou de ninguém
Eu sou de todo mundo e
Todo mundo me quer bem
Eu sou de ninguém
Eu sou de todo mundo e
Todo mundo é meu também
Já sei namorar
Já sei chutar a bola
Agora só me falta ganhar
Não tenho juiz
Se você quer apito em jogo
Eu quero é ser feliz
(Refrão)
Tô te querendo
Como mingúem
Tô te querendo
Como Deus quiser
Tô te querendo
Como eu te quero
Tô te querendo
Como se quer

 

Veja também:

Bibliografia

  • A Pata da Gazela, José de Alencar, Ed. Ática, tel. (11) 3346-3000

Discografia

  • Tribalistas, Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes, Phonomotor/EMI, tel. (11) 5505-2855

 

 

Créditos:
Marco Antonio Villa
Formação:
Professor de História da Universidade Federal de São Carlos
Autor Nova Escola

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