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Direção defensiva e um debate sobre a legislação de trânsito no Brasil

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Debater sobre a legislação de trânsito no Brasil e estimular a direção defensiva

Conteúdo(s) 

 

 









 

 
 

 

Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem da Veja:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

Cento e trinta e sete mortos em desastres de carro e três em acidentes envolvendo motocicletas. Essa estatística é brasileira e equivale ao saldo do mais violento ataque suicida no Iraque. E o pior: os números nacionais contabilizam perdas diárias. Por que nosso trânsito é tão violento? Existem medidas para reduzir tais índices? Uma das tentativas é a resolução do Conselho Nacional de Trânsito que condiciona a renovação das carteiras de habilitação à freqüência nos cursos de direção defensiva. A medida, no entanto, corre o risco de facilitar o surgimento de mais um canal de corrupção. É fundamental que os pedestres e os futuros motoristas recebam educação prévia para o trânsito - para que tudo não caia no simples cumprimento de uma obrigação legal. A relevância do tema justifica um amplo trabalho envolvendo diversas disciplinas. Convoque os jovens para essa atividade de conscientização, antes que eles se "armem" com veículos automotores.

Após a leitura de VEJA, detenha-se no quadro "Como Dirigir com Conforto" (na reportagem de VEJA associada a esse plano). Certifique-se de que todos compreendem a importância de cada item e os riscos que correm se esses não forem observados.

2ª etapa 

Pergunte se os estudantes estão de acordo com a medida. Vá um pouco além e questione-os sobre as razões que levaram as autoridades a anunciá-la. Ela traz benefícios? Pode ajudar a melhorar a vida dos indivíduos e da coletividade? Como e por que o automóvel tornou-se parte integrante da vida das pessoas no mundo contemporâneo?

Destaque, em primeiro lugar, que o Código Brasileiro de Trânsito sinaliza - por meio dos representantes eleitos pela população - a vontade da sociedade de normatizar e regular a vida social, no que toca ao papel do trânsito e do transporte terrestre de qualquer natureza no território nacional. Entre outros pontos, esse conjunto de leis define o que é trânsito, desenha as regras de funcionamento dos sistemas de trânsito no Brasil, estipula situações que configuram infrações e institui penalidades.

3ª etapa 

Retorne a questão aos alunos: por que uma lei como a atual foi aprovada? Havia demandas sociais nessa direção? Quais? Mostre que houve no Brasil uma opção pela edificação de um modelo de transporte essencialmente baseado nos veículos movidos a derivados do petróleo. Isso se evidencia com a instalação de várias montadoras de automóveis e caminhões no país desde o final dos anos 1950. Nesse momento, tem início a construção das grandes rodovias nacionais. O mesmo ocorre nas cidades, onde meios de transporte como bondes e ônibus elétricos começaram a ser substituídos por carros e ônibus movidos a combustíveis fósseis. Praticamente todas as cidades brasileiras (a exemplo de países como os Estados Unidos) sofreram verdadeiras cirurgias urbanas para abrir uma malha viária que pudesse receber os veículos já citados. A todo momento vemos brotar novas avenidas, vias expressas, semáforos, túneis, pontes e viadutos. Assim, a vida passa a acontecer "sobre quatro rodas" para a maioria das pessoas. Segundo o Ministério dos Transportes, a frota nacional de veículos atingiu quase 35 milhões de unidades em 2002. Só na cidade de São Paulo, circulam 5 milhões desses meios de transporte. O que os novos cursos de direção defensiva têm a ver com isso? Explique que eles reforçam ainda mais a necessidade de reagir à violência no trânsito, oferecendo aos motoristas instrumentos para lidar com os desafios diários de quem circula de carro.

É interessante salientar também que algumas determinações do Contran muitas vezes se convertem em facas de dois gumes. A utilização do extintor, por exemplo, pode ser mais prejudicial do que benéfica em certas ocasiões - e o mesmo vale para os cursos de primeiros socorros.

Avaliação 

Encomende dissertações individuais que tenham o trânsito como tema. Peça que todos reflitam sobre o papel do automóvel na sociedade moderna. Provoque a turma: até que ponto os carros deixaram de ser meros meios de transporte para virar símbolos de status social e desejo de consumo de grande parte da população? Sugira que os alunos escrevam a respeito de transportes alternativos ou da organização dos sistemas de circulação em cidades que contribuem para diminuir a incidência de acidentes e reduzir a presença ostensiva dos veículos.

A violência no trânsito está presente tanto nas estradas como nas ruas. O quadro "Perigo à vista" (abaixo) pode servir de ponto de partida para os estudantes levantarem diversas situações envolvendo veículos (e também pedestres). Esses casos, se não resultam em acidentes, no mínimo aumentam o estresse dos que freqüentam as vias públicas. Vale ressaltar que a neurose provocada já é considerada uma doença, chamada Fúria no Trânsito pela Associação Americana de Psiquiatria. Lembre que uma pessoa estressada, de acordo com estatísticas sérias, quadruplica as possibilidades de provocar desastres automobilísticos.

Perigo à vista

1. Ocupar duas faixas - na ânsia de pegar um lugar melhor e passar à frente, o condutor acaba atrapalhando o fluxo normal dos veículos, exasperando quem está atrás e impedindo a passagem dos motociclistas

2. Avançar a faixa de pedestres - além de atrapalhar o fluxo das pessoas, expondo-as a risco, o veículo reduz o espaço para manobra dos motoristas que pretendem fazer a conversão no cruzamento

3. Parar em fila dupla - o motorista só quer pedir uma informação. Mas não considera os demais automóveis trafegando atrás dele, obrigando-os a parar e desviar. Alguns engavetamentos ocorrem por causa disso

4. Parar fora da calçada - esta é para pedestres. Ao esperar o ônibus ou sinal verde no meio-fio, a pessoa está sujeita a atropelamento e força os condutores dos veículos a desviar ou mesmo parar

5. Estacionar em local proibido - poucos se importam com as placas se não houver fiscalização para multar. Desrespeito total aos que transitam, que muitas vezes têm de desviar, passando sobre obstáculos

6. Não parar em cruzamentos - o motorista imprudente não respeita a placa de sinalização e corta a frente dos automóveis no cruzamento. Além de irritar os que trafegam, obriga-os a reduzir a velocidade

 

 

 

Créditos:
Roberto Giansanti
Formação:
Autor de livros didáticos
Autor Nova Escola

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