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Dê uma lição sobre os valores e projetos de cada etapa da vida

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Perceber a influência do consumo e de aspectos culturais, como o culto à juventude, na adoção de padrões de comportamento

Ano(s) 
Material necessário 
Desenvolvimento 
1ª etapa 
 

Introdução 
Que imagens você tem da infância? Um tempo de travessuras e brincadeiras de rua, em que você "era feliz e não sabia"? Se o cenário imaginado for parecido com esse, descrito em Meus Tempos de Criança, do sambista Ataulfo Alves, está na hora de rever a relação com seus alunos. A reportagem "Criança Pensando Como Gente Grande" mostra que hoje, nas grandes cidades, os jogos de botões sobre a calçada foram substituídos pelas visitas ao shopping, o templo de consumo de patricinhas e mauricinhos (e aspirantes a) pré-adolescentes. Mas essa não é a única mudança. Se as crianças descobrem a adolescência antes mesmo de passar pelas transformações biológicas da puberdade, muitos jovens relutam em abandonar a proteção dos pais para assumir as responsabilidades dos adultos. Paralelamente, certos casais adotam padrões de comportamento juvenis, tornando-se gatões e gatonas de meia-idade. E os avós, com uma renda razoável e boas condições de saúde, são cortejados pelas agências de publicidade, como informa o texto "O Poder Grisalho".

Por que tudo isso vem acontecendo? Devido ao canto de sereia do consumo? Ou esse é apenas um dos aspectos que colocam em xeque, nas sociedade contemporânea, os papéis desempenhados em cada etapa da vida? Por que os limites biológicos e culturais das diferentes idades estão sendo desafiados ou redesenhados? Examine essas questões com os estudantes.
 


Peça que cada um dos adolescentes recorde sua infância e procura descrevê-la levando em consideração os aspectos mencionados a seguir. Como eles podem caracterizar essa fase (tempo de brincadeiras, de descompromisso etc.)? Como era a vida cotidiana? E as relações com o universo do consumo? Que tipo de roupa, brinquedo e outros objetos os pais habitualmente adquiriam? A televisão fazia parte de seus hábitos? Quais eram os programas preferidos? Sugira que depois, em grupos, anotem as características comuns à maioria das respostas.

 

 

2ª etapa 

Após a leitura de "Criança Pensando Como Gente Grande", peça que todos destaquem os trechos relacionados a consumo, atitudes no cotidiano e expectativas das crianças ouvidas pela pesquisa do canal Cartoon Network. Essas passagens podem ser comparadas aos aspectos já levantados sobre a infância de seus alunos. Então, proponha a montagem de um painel sobre as modificações no comportamento infantil nos últimos anos. Divulgue entre os alunos alguns dados de uma pesquisa feita pela MTV com jovens urbanos (veja o quadro) e peça que os estudantes comparem esses traços de comportamento com os das crianças apresentadas por VEJA.

Examine com a turma os anúncios publicitários reproduzidos nestas páginas. Mostre que eles destinam-se a um público urbano de bom poder aquisitivo, semelhante ao consultado pela pesquisa da MTV. Leve os estudantes a perceber como o texto e a imagem da publicidade convidam as crianças a consumir e a agir como "gente grande", isto é, como adolescentes preocupados em seduzir o sexo oposto, namorar etc. Chame a atenção para o apelo sensual presente nas campanhas: isso pode ser associado à afirmação, feita por um diretor do grupo a que pertence o canal Cartoon Network, de que "os brasileiros exprimem sua sexualidade mais do que outros povos"? Ou trata-se basicamente do interesse do mercado pela ampliação do seu público consumidor?

Para a segunda aula, encarregue os alunos de examinar, na televisão, na publicidade e na imprensa, o tipo de anúncio, de programa e de reportagem dirigidos a crianças e adolescentes. Sugira que comparem e identifiquem as semelhanças entre as propagandas deste plano de aula e o levantamento feito por eles. Que modelos e estereótipos a mídia veicula?

Para saber mais 

Crianças e jovens do novo milênio
Como serão, em poucos anos, as crianças descritas na reportagem de VEJA? A resposta pode ser dada por uma pesquisa de 1999, encomendada pela MTV. O trabalho forneceu algumas surpresas interessantes sobre o brasileiro de 12 a 30 anos pertencente às classes A, B e C dos grandes centros urbanos. A preocupação exagerada com a aparência é um dos pontos em comum entre os jovens da pesquisa e as crianças apresentadas no texto de VEJA. Além disso, os dois grupos priorizam a independência financeira e a aquisição de bens e demonstram avidez pelo consumo de produtos e marcas, tanto de tecnologia como de lazer. Os novos papéis atribuídos a crianças e jovens e incorporados por eles ainda são muito recentes. Por isso, não é possível saber que tipo de adulto eles serão: cidadãos com alguma consciência de seus direitos ou indivíduos que vêem a si mesmos como meros consumidores. 


Peça que os alunos procurem explicar a adoção precoce dos padrões da adolescência e mesmo do estado adulto pelas crianças urbanas. Mostre que os aspectos dominantes desse comportamento são culturais, veiculados diariamente pela publicidade e pela mídia, e contribuem para reforçar expectativas e atitudes. Explique que a própria condição de ser criança, com o direito de brincar e usufruir o tempo de infância, é uma conquista cultural. Isso porque, até o final do século XIX, os pequenos vestiam-se como adultos em miniatura e ingressavam bem cedo no mundo do trabalho. Portanto, deviam adotar uma postura "séria", como se fossem crescidos. Chame a atenção para o fato de que, hoje, a criança volta a se vestir e a atuar como "gente grande". Mas os trajes e o comportamento se aproximam daqueles dos irmãos mais velhos, que relutam em ficar adultos, e mesmo dos pais, que muitas vezes não querem envelhecer. Por que tendem a se diluir as fronteiras comportamentais entre as várias gerações? Qual a importância do consumo para esse fenômeno? Por que os idosos repartem atualmente com as crianças a condição de "meninas-dos-olhos das agências de publicidade", como observa a autora da reportagem "O Poder Grisalho"?

 

 
Autor Nova Escola
Créditos:
Teresa Rego
Formação:
consultora pedagógica de VEJA NA SALA DE AULA

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