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De arquipélago a continente: a constituição do território brasileiro

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 
  • Reconhecer e analisar processos de formação do território brasileiro a partir de diferentes formas de organização social e da produção econômica. 
  • Desenvolver a capacidade de exposição, argumentação e realização de sínteses de idéias, processos e fenômenos. 
  • Observar, identificar e analisar mapas do Brasil para situar no tempo e no espaço diferentes elementos que contribuíram para a organização do território nacional. 


Após as atividades, espera-se que os estudantes possam compreender noções como as de território, formação econômico-social, integração nacional e avaliar perspectivas de desenvolvimento econômico e social para o país. 

Conteúdo(s) 
  • Território brasileiro.
  • Economia e sociedade.
  • Integração nacional.


 

Ano(s) 
Tempo estimado 
4 aulas
Material necessário 

Mapas e box: 

 

Mapa 1 - Um país de dimensões continentais 



Mapa 2 - A economia e o território brasileiro no século XVII 



Mapa 3 - A economia e o território brasileiro no século XVIII 



Mapa 4 - A economia e o território brasileiro no século XIX 



Mapas 5, 6 e 7 - Brasil: de arquipélago a continente 

Fonte: THÉRY, Hervé; MELLO, Neli A. Atlas do Brasil: Disparidades e Dinâmicas do Território. São Paulo: EDUSP: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2005, p. 19, 37-41, 43.

Território
Do latim territorium, o termo indica uma extensão de terra delimitada ou, ainda, a fração de terra sob determinada jurisdição. Nos discursos científicos, ganha amplitude. Trata-se de noção comum em diferentes áreas do conhecimento. Nas Ciências Naturais, figura em estudos de ecologia sobre distribuição ou área de abrangência de espécies.

Em Geografia, podemos compreendê-lo também como a base material sobre a qual se ergue a vida social. Mas ele não se restringe ao arranjo dos objetos no espaço; importa aí também o conjunto dos atores sociais e suas relações. De modo geral, aceita-se a idéia de que as diferentes sociedades humanas, ao se apropriarem de uma dada área para a sua reprodução social, transformam-na em (seu) território. Essa concepção ganha vulto quando se aproxima do sentido político moderno, associada às idéias de controle, poder e domínio, estas referidas fundamentalmente ao espaço do Estado nacional.

Fonte: GIANSANTI, Roberto. Território e práticas educativas. In: Educação & Participação. São Paulo, Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária-Cenpec, n.13, jun./jul. 2005

 

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

Quinto do mundo em extensão, com 8,5 milhões de km2, situado em uma larga faixa da América do Sul, com quatro fusos horários e pouco mais de 183 milhões de habitantes. O país em questão abriga uma grande diversidade natural e sociocultural. O português é a língua predominante, mas ali também se fala cerca de 180 línguas nativas, abrigando um verdadeiro "caldeirão" étnico-cultural, a partir da presença de povos indígenas, da chegada de colonizadores portugueses e de negros africanos trazidos à força para trabalhar como escravos. A eles se somaram inúmeros grupos de imigrantes de outras partes do planeta.

Estamos falando, é claro, do Brasil, o país em que vivemos. Ao examinar num mapa político a magnitude e proeminência do território nacional, os alunos podem se perguntar como tal extensão se constituiu ao longo do tempo. Podem indagar também por que até os dias de hoje o gigantismo do seu território, com suas riquezas e potencial econômico-social, ainda não se traduziram em benefícios e bem-estar social para o conjunto de sua população.

Com efeito, se tomarmos como referência alguns indicadores sociais disponíveis, veremos que isso ainda está longe de acontecer. Em 2007, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) apresentou o relatório anual do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), calculado com base em dados de 2005 de expectativa de vida, alfabetização de adultos, matrículas escolares e PIB per capita.

No novo relatório, o Brasil passa a figurar na 70ª posição, em uma lista de 177 países, ingressando pela primeira vez no bloco dos países considerados como de elevado desenvolvimento humano, mas ainda em posição intermediária. Embora venha apresentando consistência na evolução de diversos indicadores sociais, são conhecidas as desigualdades sociais e regionais do país.

Esta seqüência didática explora alguns elementos-chave do processo de formação territorial do Brasil e oferece indicações para analisar rumos e perspectivas do desenvolvimento econômico e social do país nos próximos anos. A proposta permite, portanto, o trabalho conjunto com outras disciplinas e áreas do conhecimento, em especial a História, e enfoca um tema que deverá ser retomado em outras oportunidades.

 

1ª aula A contextualização de uma seqüência didática é etapa fundamental do processo de ensino e aprendizagem. Em primeiro lugar, faça uma introdução ao tema lançando algumas questões para verificar o que os alunos já sabem sobre o tema: qual é a extensão do território nacional? Que posição o país ocupa, em termos de extensão territorial? O que essa extensão territorial pode representar, em termos de potencial de desenvolvimento? Existem diferenças ou disparidades internas? Quais são elas?


Ouça as respostas e todos e prepare uma primeira síntese coletiva das idéias apresentadas. Em seguida, proponha o exame do mapa 1, que mostra uma projeção do território nacional sobre o continente europeu. A intenção é que os alunos possam ter noção mais clara da ordem de grandeza e medir de modo mais efetivo a extensão territorial nacional, auxiliados por dados de distância e posição.

O país figura entre os maiores do mundo, atrás apenas de Rússia, Canadá, China e Estados Unidos. Entretanto, apenas a dimensão territorial não é capaz de refletir as dinâmicas e a complexidade internas. É importante assinalar algumas de suas peculiaridades do território brasileiro: disposto em grande parte na faixa tropical, com distâncias equivalentes nos sentidos Norte-Sul e Leste-Oeste, conta com uma grande diversidade de sistemas e recursos naturais. Possui um extenso litoral, voltado para a orla do Atlântico, e fronteiras com quase todos os países do sub-continente.

O passo seguinte é reconhecer e analisar alguns processos de exploração e ocupação do território.

2ª etapa 

Como assinala o texto Brasil: 500 anos de povoamento, do IBGE, a configuração territorial que conhecemos hoje resulta de uma "lenta, longa e difícil construção, tecida durante cinco séculos de história." Proponha o exame dos três mapas a seguir (2, 3 e 4), que destaca os processos de expansão econômica, criação de núcleos urbanos e eixos de transporte ao longo dos séculos XVII, XVIII e XIX, em boa parte ocorridos sob domínio colonial português. É importante que destaquem as faixas de ocupação e a organização das bases econômicas do território.

Peça que escrevam pequenas sínteses sobre esses processos, a partir do que observaram. Reforce também alguns procedimentos para a leitura dos mapas, como a identificação do título e dos elementos da legenda, assim como a distribuição espacial das atividades.
A partir dos mapas, destaque a gradativa expansão, articulação interna e integração do território brasileiro, com a concentração de atividades e núcleos urbanos na faixa litorânea.

A expansão da ocupação rumo ao interior se completou no século XX. Entretanto, foi ainda durante o período imperial (1822-1889), no Brasil independente, que boa parte das fronteiras terrestres com outros países foi definida.

A conhecida imagem do arquipélago já foi muito utilizada para assinalar os processos iniciais de constituição do território. Por que a imagem de um arquipélago? As regiões do Brasil colônia que foram palco da produção agroexportadora se mantiveram sob o domínio do poder central da metrópole portuguesa. Seria, antes de tudo, um arquipélago geográfico, já que não existiam ligações entre as regiões, que viviam em relativo isolamento.

Explique também aos estudantes que a conformação do território não se reduz apenas à sucessão de períodos organizados em torno de uma atividade produtiva voltada ao mercado externo, como a cana, a exploração de metais preciosos e o café. Concorreram também as incursões bandeirantes, a pequena produção mercantil, a expansão da pecuária e a decisiva atuação da coroa portuguesa (e, mais tarde, do Império) na garantia da unidade política e territorial. Os limites externos serão definidos essencialmente no século XIX e início do século XX.

A herança dos chamados "ciclos" econômicos vai marcar profundamente a estrutura regional interna do território e o modo como se deu o crescimento econômico em etapas posteriores.

3ª etapa 

Com a turma divida em pequenos grupos, proponha uma análise dos mapas 5, 6 e 7, que mostram a constituição elementos centrais para a passagem de arquipélago geográfico a país-continente, com uma progressiva articulação e integração interna, ao longo do século XX. Destaque aqui o papel do comando das metrópoles do Sudeste - São Paulo e Rio de Janeiro - nesse processo, a implantação de uma extensa rede de transportes, comunicações e informações e a constituição de espaços econômicos baseados na divisão territorial do trabalho. Temos aí, portanto, um processo combinado de integração nacional e diferenciação regional.

Os estudos poderão ser complementados com pesquisas e painéis sobre o peso e importância econômico-social dos complexos regionais brasileiros - Centro-Sul, Nordeste e Amazônia - no cenário nacional. Eles poderão ilustrar os trabalhos com mapas regionais, fotografias e dados sobre produção econômica, setores de atividades, indicadores sociais, redes e fluxos que configuram o território brasileiro na fase contemporânea (veja as Indicações de fontes).

Ter um grande território representa ter acesso a muitos e variados recursos. Ter uma economia em crescimento, além disso, aumenta os recursos humanos. Mas somente isso não garante o sucesso de um país. É preciso que todo o potencial do território e das riquezas geradas beneficie de modo justo todos os seus habitantes, um grande desafio posto para toda a sociedade brasileira no século XXI.

 

Quer saber mais?

BIBLIOGRAFIA
COSTA, Wanderley Messias. O Estado e as políticas territoriais no Brasil. São Paulo: Contexto, 1988.
THÉRY, Hervé; MELLO, Neli A. Atlas do Brasil: Disparidades e Dinâmicas do Território. São Paulo: EDUSP: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2005.

INTERNET
IBGE. Brasil: 500 anos de povoamento. Disponível em: http://www.ibge.gov.br 
Censos Demográficos, Contagem da População 2007. Disponível em: http://www.ibge.gov.br 

 

 

Avaliação 

Para avaliar a aprendizagens dos alunos, leve em conta toda a produção realizada ao longo desta seqüência didática, como os textos produzidos, os trabalhos realizados em grupos e os painéis propostos. Leve em conta os objetivos previstos inicialmente para avaliar a evolução do aluno no que diz respeito a sua capacidade de expressão, escrita, compreensão do tema e da leitura e interpretação de mapas em diferentes escalas.
Observe com especial atenção a participação de todos nos trabalhos individuais e coletivos e nos debates, assim como o modo como dividem as tarefas e expressam oralmente suas idéias. Valorize iniciativas de alunos que trazem novos materiais e informações para serem compartilhadas por todos.

 
 
Autor Nova Escola
Créditos:
Roberto Giansanti
Formação:
Professor de Geografia, autor de livros didáticos para Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos e consultor educacional.

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