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Cubismo: A arte da simultaneidade

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Conhecer, compreender e analisar a produção artística; estabelecer relações entre a produção artística e o contexto em que foi criada; utilizar as linguagens como meios de expressão; desenvolver a percepção e o potencial criativo em projetos coletivos.

Conteúdo(s) 

Picasso; o Cubismo e a Arte Moderna

 

Ano(s) 
Tempo estimado 
Duas aulas
Material necessário 

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Material necessário
Transparências ou envelopes plásticos transparentes
Materiais para pintar e desenhar - tintas, pincéis, giz de cera etc
Caneta para transparência ou para retroprojetor
Folhas de papel craft ou cartolina branca
Retroprojetor

Introdução

VEJA desta semana nos coloca em contato com a obra de Pablo Picasso, um dos grandes mestres da pintura moderna. Aproveite a oportunidade para introduzir os alunos no universo das grandes mudanças que ocorreram na arte do último século e como elas estão diretamente relacionadas às transformações ocorridas no mundo.
Reserve a primeira aula para contar à turma sobre a Arte do início do século 20 e o nascimento do Cubismo (utilize como base o texto abaixo).

Texto de apoio ao professor - Cubismo

No início do século 20, muitos inventos estavam surgindo e revolucionando o mundo: os carros, por exemplo, nasceram por volta de 1908. Associadas às mudanças políticas e sociais, as transformações alteraram a ordem das coisas e, como consequência, o olhar dos artistas a respeito da realidade.

A fotografia - grande inovação no século 19 - já havia promovido várias mudanças, fazendo com que a Arte começasse a se libertar da necessidade de representar os objetos de uma forma realista. Os trabalhos de povos de outras culturas, diferentes da europeia, ganhavam destaque. Objetos como as máscaras de madeira criadas pelas diferentes etnias africanas despertavam em alguns artistas um especial interesse: elas tinham um desenho mais sintético e ornamentos geométricos que encantavam os europeus.

É nesse contexto que entra em ação o artista-tema da reportagem de VEJA: Pablo Picasso. Nos primeiros anos do século, o jovem pintor espanhol estava morando em Paris e foi profundamente influenciado por esse cenário e pelas obras de Paul Cézanne e Paul Gauguin. Os elementos presentes no trabalho dos dois artistas o impulsionaram a fazer uma verdadeira revolução em sua pintura, iniciada com a criação de "Les demoiselles d¿Avignon" (As senhoritas de Avignon).
O quadro retratava um grupo de cinco moças com uma certa selvageria. Picasso torceu seus corpos, tornou-os angulosos e deformou os rostos. Na verdade o pintor não estava preocupado em realizar nenhum retrato realístico, mas sim, mostrar o seu próprio modo de olhar o grupo de senhoritas.

A obra se tornou um marco e, pouco depois, Picasso se reuniu com outro grande artista, com quem daria início ao movimento cubista: Georges Braque. O Cubismo foi uma das grandes transformações da Arte no século passado, rompendo com a perspectiva tradicional. O nome Cubismo surgiu de um comentário feito pelo crítico Louis Vouxcelles a respeito das obras de Braque; para ele o pintor estava desprezando as formas e reduzindo paisagens, figuras e casas a padrões geométricos, a cubos.

A ideia dos cubistas era sintetizar as formas - como Cézanne já havia começado no século 19. O mais importante, porém, era mostrar as diversas vistas do objeto, na sua integralidade. Os cubistas acreditavam que a pintura estava muito limitada, ao mostrar somente uma vista de cada vez. A proposta era a simultaneidade.

Em um primeiro momento Picasso e Braque trabalharam a ideia da multifacetação do objeto usando somente a pintura. Essa fase ficou conhecida como Cubismo Analítico. Em seguida, partiram para outras experiências: passaram a trabalhar com recortes de papéis com as formas dos objetos, realizando colagens ou interferindo com outros materiais nas pinturas, como tecidos, embalagens de cigarros, criando assim o quadro-objeto. Era a fase do Cubismo Sintético.

Picasso e Braque trabalharam juntos por alguns anos até a Primeira Guerra Mundial, quando este foi convocado para servir o exército francês. Quando retornou, os dois artistas seguiram direções diferentes, mas as lições cubistas foram tão importantes que encontraram adeptos em diversos locais da Europa e até da Rússia. O movimento está presente na obra de artistas como Fernand Leger, Juan Gris, Marc Chagal, Kasimir Maliévitch e muitos outros.

Terminada a exposição, proponha que os alunos tragam, na próxima aula, os seguintes materiais:

- Transparências ou envelopes plásticos transparentes - desses utilizados para guardar documentos
- Materiais para pintar e desenhar - tintas, pincéis, giz de cera etc
- Caneta para transparência ou para retroprojetor
- Folhas de papel craft ou cartolina branca

2ª etapa 

Para esta aula, você precisará de um retroprojetor. Retome os conceitos trabalhados na aula anterior em relação ao movimento cubista e às propostas de Picasso e Braque para esse novo modo de olhar o mundo.

Proponha que a turma monte uma composição simples no meio da sala, utilizando objetos dos próprios alunos - mochilas, cadernos etc. Terminada a montagem, peça que os alunos sentem-se ao redor do conjunto, observem a composição e, com a caneta de retroprojetor, desenhem o que veem nas folhas de transparência ou nos envelopes plásticos. Oriente-os para que se preocupem apenas com os contornos das formas dos objetos.

Conte à classe que eles vão criar uma pintura cubista coletiva. Explique que pode ser feito um único trabalho ou vários, separando os alunos em pequenos grupos. Veja o que a turma prefere e comece a composição.

Monte na parede um painel com folhas de papel craft ou cartolina. Oriente os alunos para que, utilizando o retroprojetor, ampliem as imagens das transparências projetando-as sobre este painel, que estará fixo na parede. Misture os desenhos de pessoas que estavam sentadas em locais diferentes, sobrepondo as transparências, unindo diferentes vistas da composição em um único trabalho, lembrando que a proposta dos cubistas era a de mostrar simultaneamente várias faces de um mesmo objeto.

Em seguida peça que os alunos interfiram nos espaços surgidos entre as linhas, utilizando tintas, grafites coloridos, giz de cera e até mesmo colagem (como no cubismo sintético).

Avaliação 

Ao término do trabalho reúna a turma, peça para que comentem a experiência. Retome algumas das imagens de obras do cubismo e procurem juntos estabelecer as convergências entre a proposta realizada e a dos cubistas.

Créditos:
Maria José Spiteri Tavolar Passos
Formação:
mestre em Artes pela UNESP - SP, professora de Estética e História da Arte e Linguagem Visual na Universidade Cruzeiro do Sul e Escultura na Universidade São Judas Tadeu.
Autor Nova Escola

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