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Crônica na sala de aula

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Identificar a estrutura da crônica em diferentes formas e espaços de comunicação e desenvolver o hábito da leitura 

Conteúdo(s) 

Literatura, estudo de texto e gêneros textuais

 

Ano(s) 
Material necessário 
Desenvolvimento 
1ª etapa 

A crônica é o gênero mais confessional do mundo, pois o cronista tira os seus temas do próprio cotidiano e fala de tudo, de política a sentimentos pessoais, aberta ou disfarçadamente, deixando ao leitor o prazer do desvendar. Talvez por isso seja um texto dos mais agradáveis de ler e uma forma extremamente eficaz de seduzir o aluno para a leitura. Você pode aproveitar o texto de Lya Luft publicado em VEJA, para fazer um estudo desse gênero textual, colocando os alunos no papel de autores.

Apresente à classe uma lista com as características da crônica:

  • é publicada geralmente em jornais ou revistas;
  • relata de forma artística e pessoal fatos colhidos no noticiário jornalístico e no cotidiano;
  • consiste em um texto curto e leve, que tem por objetivo divertir e/ou fazer refletir criticamente sobre a vida e os comportamentos humanos;
  • pode apresentar elementos básicos da narrativa - fatos, tempo, personagens e lugar - com tempo e espaço não limitados;
  • o narrador pode ser observador ou se constituir em personagem;
  • emprega a variedade informal da língua;
  • pode apresentar discurso direto, indireto e indireto livre.


Comente que o cronista expõe seu ponto de vista, seus comentários e deduções, suas ironias e interpretações a respeito de fatos (notícias ou dia-a-dia pessoal). Ele não tem, no entanto, por finalidade apenas a informação, mas sua universalização para que as pessoas aprendam alguma coisa com o que é, aparentemente, corriqueiro. Por isso, Lya Luft diz que esse é o melhor gênero para trabalhar em sala de aula.

Lendo alguns trechos de crônicas extraídas de jornais e revistas, mostre que os cronistas transformam o cotidiano em literatura,. Depois disso, faça uma leitura coletiva do texto de Lya Luft, ressaltando algumas características citadas anteriormente. Complete mostrando que a crônica nem sempre apresenta uma narrativa. Como neste caso, ela pode comentar, analisar, descrever, sugerir, exemplificar, de maneira leve e curta, o cotidiano. Certifique-se de que a moçada percebeu que Lya não apenas informa sobre o problema da leitura nas escolas brasileiras, mas nos faz refletir e sugere saídas para melhorar.

2ª etapa 

De acordo com a disponibilidade da escola, leve os alunos à sala de informática e peça que, em pequenos grupos, pesquisem os autores citados em VEJA e alguns outros que o professor pode sugerir (de preferência, autores locais). Os jovens devem procurar uma crônica que fale sobre um tema que eles considerem interessante. Esta busca pode ser feita também em livros de Literatura, na biblioteca, ou em jornais e revistas.

Depois da escolha feita, eles devem identificar as características gerais da crônica escolhida para apresentar aos colegas, por meio de leitura e comentários. Para não ficar muito longo, pode-se pedir que cada grupo identifique uma das características, lendo apenas o trecho referente a ela. Podem ser lidas por inteiro aquelas que despertarem maior envolvimento da turma.

Vá destacando, durante as apresentações, a importância da coesão no desenvolvimento deste tipo de narrativa breve. As idéias e os fatos devem ser muito bem "costurados" para que o texto atinja seu objetivo.

Finalmente, para a aula seguinte, encomende a produção individual de uma crônica com tema livre, usando os textos pesquisados como referência.
 

3ª etapa 

Cada um lê e comenta sua crônica, explicando por que escolheu aquele assunto. Vale a pena fazer uma rápida avaliação oral coletiva. Pode levar umas duas aulas, mas você poderá ver o crescimento do interesse em ler as próprias produções e confirmar, a partir disso, a teoria de Lya Luft de que as crônicas são um ótimo instrumento a ser usado para estimular a leitura e a escrita. Dê um tempo para a exposição de opiniões e um breve debate sobre a tese do autor.

Você pode também desenvolver mais a ideia, fazendo um projeto para um mês ou mesmo um bimestre. De qualquer forma, vale a pena fazer uma sessão do filme Crônica de uma Morte Anunciada - baseado no clássico de Gabriel Garcia Márquez (veja indicação abaixo) e indicar a leitura de paradidáticos da série Para Gostar de Ler, cinco volumes com crônicas selecionadas que são uma ótima porta de entrada para o mundo da leitura. O ideal é que as escolhas sejam feitas de acordo com a faixa etária e a familiaridade do grupo com a leitura.

Outra atividade complementar que pode servir de conclusão é a transposição dos textos produzidos para o teatro ou mesmo para filmes de curta metragem - filmados com telefones celulares. É uma boa maneira de deixar bem claro que a crônica representa o cotidiano.

Quer saber mais?

BIBLIOGRAFIA
A Laranja da Crônica, Carlos Eduardo Novaes, em A Cadeira do Dentista e Outras Crônicas, Ed. Ática.
As Crônicas Revelam Minha Biografia, Raquel de Queiroz, em Cenas Brasileiras, Ed. Ática

FILMOGRAFIA
Crônica de Uma Morte Anunciada, de Francesco Rossi, 1987.

 

 

Créditos:
Clemári Ribeiro
Formação:
Professora de Língua Portuguesa do Colégio Anhembi-Morumbi, em São Paulo.
Autor Nova Escola

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