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Consciência Negra ontem e hoje

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

- Discutir a desigualdade racial no nosso país
- Compreender a origem do Dia da Consciência Negra e sua importância hoje
- Analisar a situação atual do negro no Brasil com base em dados do Censo 2010

Conteúdo(s) 

- Desigualdade social e racial
- Escravidão e quilombos

Ano(s) 
Tempo estimado 
Duas aulas
Material necessário 

- Computadores com acesso à internet
- Projetor multimídia para exibir o vídeo sobre Zumbi dos Palmares
- Acesso à biblioteca ou revistas e livros disponíveis para a pesquisa dos alunos

Conteúdo relacionado

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

 

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução
A Lei 10.639 de 2003 estabelece que no dia 20 de novembro seja comemorado o Dia da Consciência Negra. A data é feriado em boa parte do Brasil e foi criada para discutir a História dos negros no país, sua cultura e sua colaboração para a nação que temos hoje. Além disso, é também uma oportunidade para lembrar e evidenciar os problemas sociais que ainda afligem essa parcela da população.

Antes de iniciar as aulas, procure se informar sobre o Dia da Consciência Negra na sua cidade e na sua escola. Onde você mora é feriado no dia 20 de novembro? No bairro da escola há algum evento especial? Essas informações são importantes para entender como a sua comunidade aborda as condições do negro na sociedade e como valoriza a cultura afro-brasileira. Assim, você pode preparar uma aula ainda mais direcionada à sua realidade.

Comece analisando se os estudantes estão familiarizados com o Dia da Consciência Negra e se já participaram de alguma atividade especial nessa data, em qualquer ano. Para conduzir a discussão, faça perguntas como:

- Por que dia 20 de novembro foi escolhido para comemorar o Dia da Consciência Negra?
- Quem foi Zumbi dos Palmares e porque ele é um símbolo tão importante para o povo negro?
- O que foram os quilombos?


Use o texto abaixo como referência para esclarecer as dúvidas que surgirem durante a conversa:

Como surgiu o Dia da Consciência Negra?

As origens do Dia da Consciência Negra estão relacionadas aos esforços dos movimentos sociais para evidenciar as desigualdades históricas que afligem as populações negra e parda no Brasil. A data é comemorada em 20 de novembro para coincidir com o aniversário da morte de Zumbi dos Palmares (1655-1695), líder do Quilombo dos Palmares, no período colonial brasileiro.

Os quilombos eram agrupamentos populacionais formados por escravos foragidos de fazendas coloniais. Nesses locais, muitas vezes escondidos em meio à mata, os ex-escravos se organizavam para garantir sua subsistência e a reprodução da cultura de seus ancestrais africanos. No entanto, esses lugares eram frequentemente alvo da violência dos senhores de escravos brancos, que procuravam retomar o controle dos seus escravos foragidos.

Quilombo dos Palmares, localizado no atual estado de Alagoas, é uma das mais famosas comunidades de escravos foragidos da nossa história.  Seu último líder foi Zumbi dos Palmares, nascido no quilombo, mas capturado por colonos portugueses quando ainda era criança.  Seu retorno aconteceu quando o governo da Capitania de Pernambuco negociava com as lideranças quilombolas sua submissão à Coroa Portuguesa. Por não concordar com essa proposta, Zumbi desafiou Ganga Zumba, então líder dos negros. Ganga Zumba acabaria envenenado por um aliado de Zumbi, que se tornou assim o governante da comunidade. No final do século17, o Quilombo foi alvo de diversos ataques de bandeirantes. Acabou sucumbindo aos poder bélico superior das tropas. Nesse período, Zumbi foi caçado e morto. Sua cabeça foi exibida em praça pública para desencorajar os outros escravos.

Desde a década de 70, a data do falecimento de Zumbi tem sido utilizada para relembrar as condições desumanas da escravidão no Brasil e as formas de resistência dos povos escravizados. Mais recentemente, leis estaduais e municipais criaram o feriado no dia 20 de novembro com o objetivo de valorizar a cultura negra e reconhecer a contribuição de ex-escravos e seus descendentes para a história . ( Maiko Rafael Spiess)

Ao final da discussão, para ampliar a compreensão da turma sobre as razões históricas do Dia da Consciência Negra, apresente o vídeo "Zumbi dos Palmares" produzido pela TV Câmara. Com subsídio do vídeo - que traz uma biografia de Zumbi -, você pode provocar a classe a fornecer respostas ainda mais completas sobre a importância de Zumbi como símbolo da consciência negra.

2ª etapa 

Informe à turma que, para aprofundar o assunto e fazer uma conexão do passado com os dias de hoje, você propõe a organização de um painel sobre o tema. Organize os alunos em grupos e peça que façam uma pesquisa sobre um dos tópicos abaixo. A sugestão é que pesquisem na biblioteca da escola, em revistas e livros que você trouxer ou na internet.

1. Aspectos econômicos e sociais da escravidão no Brasil;
2. O  movimento abolicionista;
3. Importância da cultura negra no Brasil atual;
4. Personalidades negras ou mestiças na História do Brasil;
5. Populações descendentes dos quilombos (quilombolas)


Conforme a realidade da sua comunidade, proponha outros temas que julgue interessantes ou adequados. Apenas lembre-se que o objetivo principal é entender tanto as dificuldades históricas impostas pelo período escravagista no Brasil, quanto as contribuições dos povos afrodescendentes para a riqueza cultural do país.

3ª etapa 

Finalizada a pesquisa, peça que os adolescentes exponham o que encontraram - vale indagar quais elementos mais chamaram a atenção durante a investigação. Registre no quadro as informações mais relevantes, de modo a compor uma síntese. Aproveite que os estudantes estão familiarizados com o assunto para introduzir a análise das consequências da escravidão (e da resistência a ela) no nosso presente. Inicie debatendo as dificuldades impostas aos negros no Brasil. Algumas perguntas possíveis:

- Negros e brancos têm as mesmas oportunidades de educação e trabalho? 
- Em geral, negros são mais atingidos por mazelas sociais como pobreza e violência? 
- Qual é a relação entre os povos negros e mestiços e o restante da sociedade brasileira? 
- Existe racismo no Brasil? É possível apontar situações em que ele ocorre?
- Há relações entre a escravidão e as desigualdades de hoje? Quais? 


Em seguida, encaminhe a discussão para situações que apontam transformações nesse panorama, como a visibilidade do ministro Joaquim Barbosa, o primeiro negro a se tornar presidente do Supremo Tribunal Federal brasileiro, e a recente aprovação das cotas raciais para o ingresso nas universidades públicas - medida defendida pelo movimento negro como uma forma de reparar o desequilíbrio social e histórico em relação ao acesso às oportunidades educacionais no Brasil. Pergunte à turma como essas mudanças se tornaram possíveis. Para se aprofundar na questão, você pode consultar o plano de aula Para entender as cotas nas universidades e o artigo da seção Educação em Debate, Cotas em universidades: um tema polêmico. Ressalte que a importância das lutas dos movimentos sociais para tornar efetiva a adoção desse tipo de medida. 

Para complementar a conversa, leia com os estudantes o texto abaixo:

Condições atuais do negro no Brasil

De acordo com o IBGE, no ano de 2010"o Brasil contava com uma população de quase 191 milhões de habitantes, dos quais cerca de 15 milhões se declararam como pretos (7,6% do total) e 82 milhões como pardos (43,1% do total)". Somadas, essas duas parcelas da população representam aproximadamente metade do total dos brasileiros. Ou seja, não é exagero afirmar que metade dos habitantes do Brasil são, em alguma medida, descendentes de etnias africanas e possivelmente de antigos escravos.

No entanto, a necessidade atual de cotas raciais e outras ações afirmativas pode indicar que os melhores empregos, cargos públicos e oportunidades de formação ainda não são distribuídas de forma proporcional entre a população branca e negra. Por exemplo, ainda de acordo com dados do Censo 2010, os brancos dominam o mercado de trabalho qualificado e o acesso ao ensino superior: aproximadamente 31% da população branca frequentava a universidade; para pardos e negros, os percentuais são de apenas 13,4% e 12,8%, respectivamente.

De certa forma, ainda que a escravidão já tenha sido abolida há muito tempo, seus reflexos ainda podem ser percebidos pelas diferenças sociais significativas em um país absolutamente miscigenado. (Maiko Rafael Spiess)

Avaliação 

Para a atividade final, peça que os grupos se reúnam mais uma vez e elaborem um texto que aponte as raízes do Dia da Consciência Negra e o que a data representa nos dias de hoje. O texto deve conter a fundamentação histórica para a data e indicar que ela está relacionada à necessidade de valorizar a cultura afro-brasileira e de debater a desigualdade racial no Brasil. Peça, ainda, que a turma comente propostas de outras medidas (como as cotas raciais) para reverter esse quadro. Com este exercício e também levando em conta as discussões feitas em sala, observe se os alunos concluíram a sequência didática com uma compreensão mais clara sobre a condição dos negros em nossa sociedade.

Flexibilização 

Qual é a importância da cor para o deficiente visual, já que ele não pode identificá-la? A resposta está nas relações psicossociais associadas às cores. Afinal de contas, as cores têm representações na linguagem, no comportamento e nas culturas. Deste modo, mesmo sem ver, as pessoas constroem imagens de representação.

Partindo desse princípio, antes de iniciar a proposta da sequência didática, você pode discutir com os estudantes a representação das cores. Por exemplo, se alguém está faminto, diz  que está "verde de fome". Ou se sente raiva, "ficou vermelho de raiva" e assim com outros exemplos. Você também pode interpretar o uso das cores na perspectiva de serem chamativas ou apagadas, conforme a situação.

Deficiências 
Visual
Créditos:
Maiko Rafael Spiess
Formação:
Sociológo e pesquisador visitante do Departamento de História da Ciência da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos
Autor Nova Escola

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