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Como a Filosofia vê a felicidade?

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Refletir sobre as principais perspectivas de felicidade propostas na História da Filosofia

Conteúdo(s) 

História da Filosofia

Ano(s) 
Tempo estimado 
2 a 3 aulas
Material necessário 

- Cópias da entrevista "Esse turmorzinho pegou o cara errado" (Veja, 4 de setembro de 2013, 2337)
- Outras revistas e materiais ilustrados diversos
- Cartolina para cartaz
- Tesoura
- Cola

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Explique à turma que, nas próximas aulas, vocês trabalharão com o tema felicidade. Para introduzir o assunto, escreva na lousa os termos: felicidade, entusiasmo, alegria, euforia, inspiração, esperança, sucesso e paz. Peça que os alunos diferenciem-nos. Esses termos são importantes para introduzir o debate e serão utilizados na próxima etapa para que os alunos compreendam melhor o pensamento filosófico.

Dirija a discussão, propondo as seguintes perguntas:
- Uma alegria momentânea pode ser considerada felicidade?
- Uma alegria que causa uma dor futura pode ser considerada fonte de felicidade?
- É possível experimentar a felicidade constantemente?
- Pode-se dizer que é feliz uma pessoa que experimenta poucas emoções (controlando o excesso de prazer e de dor)?
- Como as pessoas ao seu redor entendem a palavra sucesso? O que é sucesso para você?

2ª etapa 

Apresente à turma as principais elaborações sobre a noção de felicidade na Filosofia. Faça uma breve apresentação expositiva.

Um pouco de teoria: a noção de felicidade na História da Filosofia

Atualmente, é possível observar uma visão geral de que a felicidade está, via de regra, ligada à possibilidade do prazer ilimitado, quase sempre através do consumo. Somos constantemente confrontados, em propagandas e em outros canais de comunicação, com imagens de pessoas prometendo que podemos ser felizes caso compremos um determinado produto ou nos comportemos de determinada maneira.

A dúvida sobre a relação entre felicidade e prazer é tão antiga quanto a própria Filosofia. As propostas que entendem o prazer como fonte da felicidade são chamadas comumente de hedonismo. O filósofo Aristipo, por exemplo, defendia que o objetivo da vida era o prazer, e que a felicidade era o conjunto destes prazeres no passado, presente e futuro. Mesmo os defensores do ideal hedonista, no entanto, reconheciam certa necessidade de moderação, enxergando os excessos como imprudência.

Filósofos como Platão e Aristóteles opunham-se ao hedonismo, duvidando que os prazeres fossem capazes de oferecer felicidade, já que eram raros e passageiros. Vinculavam-se, então, à ideia de que a felicidade é encontrada, sobretudo, no desenvolvimento pleno das capacidades de cada indivíduo. Este desenvolvimento poderia ser alcançado pelo exercício das virtudes - qualidades desejáveis tais como a coragem (fazer o que é correto, apesar dos perigos), a liberalidade (dar a outros o que lhes pode ser de ajuda) e a justiça (a disposição de tratar os outros imparcialmente). Esta condição de auto-realização pessoal era chamada de Eudaimonia.

Outras escolas do pensamento grego privilegiavam a ausência ou o controle das emoções como ideal de vida. Os maiores representantes deste pensamento são os chamados Estóicos. O ideal de vida estóico, neste sentido, é a vida do sábio, o indivíduo que encontra a felicidade em si mesmo e, por isso, não tem necessidade de outras coisas.

Finalmente, já na Idade Moderna, pensadores como Jeremy Bentham e John Stuart-Mill propõem que a felicidade depende em grande parte de circunstâncias objetivas e externas ao indivíduo. Portanto, ela deve ser buscada e construída por todo o grupo social. Este paradigma, conhecido como Utilitarismo, acredita que a melhor ação é aquela que produz a maior felicidade possível, para o maior número de pessoas simultaneamente.

 

Em seguida, leia com a turma o verbete felicidade no Dicionário de Filosofia (Nicola Abbagnano, 1232 págs., Editora Martins Fontes, 11/3292-2660, 139,80 reais). Conduza a discussão, estimulando os alunos a relacionar os conteúdos expostos com os termos escritos na lousa, buscando entender como eles poderiam ser interpretados em cada uma das tradições filosóficas apresentadas.

3ª etapa 

Distribua aos alunos as cópias da entrevista "Esse tumorzinho pegou o cara errado", com o jogador de basquete Oscar Schmidt. Peça que identifiquem e discutam os momentos de alegria e tristeza relatados pelo atleta e prestem atenção às diferentes intenções e prioridades em cada momento de sua vida. Destaque as respostas dadas às perguntas sobre o medo da morte e experiências passadas em quadra que lhe foram marcantes.

Estimule a discussão: Oscar teve uma vida feliz? E hoje, será que ele pode se dizer feliz? Como as ações por ele tomadas em sua trajetória podem ser relacionadas aos paradigmas de felicidade discutidos anteriormente?

4ª etapa 

Divida a turma em quatro grupos. Cada equipe será responsável por olhar mais atentamente a cada paradigma apresentado em sala, relacionando-o a situações cotidianas. Para isso, reúna-os e solicite que debatam o tema. Atenda-os auxiliando nas discussões e corrigindo possíveis equívocos no entendimento dos conceitos.

 

 

 

Avaliação 

Peça que os grupos apresentem as conclusões a que chegaram durante as discussões. Como apoio, eles devem elaborar cartazes que ilustrem as situações cotidianas escolhidas e pequenos textos que as relacionem aos conceitos estudados.

Avalie o entendimento de cada grupo sobre seu tema. Para isso, observer se a situação apresentada estava relacionada de maneira adequada ao conceito. Observe também se a elaboração dos cartazes foi correspondente às especificidades do gênero: cuidado com o excesso de texto, tamanho das letras e das imagens e legibilidade. Quando necessário, aponte ajustes e mudanças que precisam ser feitas antes que eles sejam colocados em exibição à escola.

 

Quer saber mais?

Dicionário de Filosofia (Nicola Abbagnano, 1232 págs., Editora Martins Fontes, 11/3292-2660, 139,80 reais)

 

 

Créditos:
Márcio Pereira
Formação:
Sociólogo e acadêmico de Filosofia
Autor Nova Escola

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