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Biomas brasileiros: Parte 5 - Caatinga

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Identificar e compreender a distribuição e a configuração natural da caatinga. Relacionar coberturas vegetais, fauna, clima, relevo, solos e recursos hídricos no bioma. Correlacionar distribuição e biodiversidade. Identificar e avaliar processos de ocupação e perda de coberturas vegetais originais. Reconhecer e avaliar unidades e políticas de conservação e usos sustentáveis do bioma, assim como programas para contenção de sua devastação. Desenvolver pesquisa, coleta, seleção e organização de dados, textos e imagens. Ler e interpretar mapas em diferentes escalas.

Conteúdo(s) 

Bioma Caatinga: caracterização, distribuição, configuração natural, usos, riscos e ameaças; Caracterização do Sertão nordestino; Biodiversidade; Bacias hidrográficas e recursos hídricos; Unidades de conservação.

Ano(s) 
Tempo estimado 
Quatro aulas
Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução 

Esta é a quinta sequência didática de uma série de oito propostas sobre os biomas brasileiros para Ensino Fundamental II. A primeira delas teve como objetivo fazer com os alunos um mapeamento dos biomas brasileiros, acompanhado de discussões sobre as classificações das unidades naturais presentes no território brasileiro. A segunda trouxe o detalhamento do bioma Amazônia, a terceira destacou as matas atlânticas brasileiras e a quarta sequência abordou a situação atual dos cerrados. (Confira as demais sequências da série ao lado).

Este plano tem como objetivos discutir a configuração natural da caatinga, sua composição e diversidade de espécies e sua relação com as condições climáticas. Bioma exclusivamente brasileiro, ela abrange frações de todos os estados do Nordeste, além do norte de MG, numa área de 826,4 mil km² - cerca de 11% do território nacional, maior que Espanha e Portugal somados. Dados recentes, publicados em 2010 pelo Ministério do Meio Ambiente, indicam um aumento da devastação do bioma, que tem baixos percentuais de áreas protegidas.

Texto de apoio ao professor- Caatinga

As tradicionais imagens da caatinga e do semiárido nordestino, com solos secos e rachados e plantas de pequeno porte, muitas vezes deixam de revelar a extrema complexidade e diversidade do bioma. Suas paisagens refletem um clima de forte insolação, temperaturas elevadas na maior parte do ano, solos pedregosos, chuvas escassas e irregulares, com secas periódicas. Parte dos rios é intermitente e sazonal; as exceções são os caudalosos Parnaíba e São Francisco.

Como salienta o professor Aziz AbSaber, cerca de 85% do espaço total do Nordeste seco se estende por depressões interplanálticas, situadas entre antigos maciços cristalinos e chapadas eventuais, sob a forma de incontáveis colinas sertanejas. Essas colinas são sulcadas por rios e riachos intermitentes, em climas quentes e relativamente secos. Mas a diversidade de solos e a presença de serras e brejos denotam também a presença de áreas mais úmidas. O inverno seco dura de cinco a oito meses, com maior precipitação no verão, mas irregulares no tempo e no espaço.

Na região, massas de ar descendentes, mais secas e orientadas para a superfície, impedem a ascensão de ar indispensável à formação de nuvens e ocorrência de chuvas. Completa esse quadro natural a cobertura com vegetação arbustivo-arbórea e, mais raramente, arbórea. De origem tupi-guarani, caatinga significa mata branca. São pelo menos 12 tipos de coberturas, desde matas secas (caatinga arbórea) até caatingas abertas, capoeiras e extensões de arbustos baixos. As folhas miúdas, as cascas grossas e as hastes espinhentas são adaptadas à evapotranspiração intensa, tendo algumas plantas sistemas para armazenamento de água, como o mandacaru, xique-xique, barriguda e umbuzeiro. São pelo menos 930 espécies de plantas, sendo 380 endêmicas. Na região existem pelo menos 510 espécies de aves, das quais 470 se reproduzem localmente - dependem da vegetação para sobreviver. Há também ali grande variedade de cobras e lagartos.

Estudo recente lançado pelo Ministério do Meio Ambiente indica que o total de caatinga devastada saltou de 43,3% em 2002 para 45,3% em 2008 - crescimento de área equivalente à do município de São Paulo. Entre as principais causas apontadas para esse avanço estão o uso da cobertura para lenha e carvão e o avanço de frentes agrícolas e de pecuária. Como se sabe, há novas frentes de expansão da moderna cultura de grãos pelo oeste da Bahia e sul do Maranhão e Piauí. Entre os municípios que registraram maior perda de caatinga estão Acopiara e Tauá (CE), Bom Jesus da Lapa e Campo Formoso (BA) e Serra Talhada (PE). O avanço preocupa porque apenas 7% da cobertura está protegida por unidades de conservação federais ou estaduais, com os habituais problemas de controle e fiscalização. Desse total, apenas 1% é de unidades de proteção integral.

Com isso, podem estar em risco espécies de flora e fauna e a rica "farmácia a céu aberto" representada por diferentes plantas de uso medicinal, como a catingueira, o jerico e o angico.

Diversos estudos e programas indicam, pelo menos, 80 áreas prioritárias para conservação da caatinga e definição de políticas articuladas entre União, estados e municípios de combate à devastação do bioma. Uma unidade de conservação a ser destacada é o Parque Nacional da Serra da Capivara, declarado patrimônio cultural pela Unesco em 1991, em função de seus mais de 500 sítios de pinturas rupestres, e abrigo de espécies ameaçadas como jaguatirica e tamanduá-bandeira.
Mesmo diante das dificuldades do homem sertanejo - quase 1 milhão de famílias vivem em situação de penúria, num quadro de grande concentração fundiária - o Nordeste seco é o semi-árido mais povoado do planeta.

(Para saber mais, consulte as matérias MMA, ICMBIO e TNC lançam mapa da CaatingaPlano pretende frear destruição da Caatinga e , disponíveis no portal Planeta Sustentável).

Peça que os alunos se dividam em pequenos grupos e pesquisem informações sobre configuração natural do bioma caatinga (distribuição das coberturas vegetais, aspectos climáticos, formas de relevo, bolsões de umidade, rede de drenagem) e processos de constituição dos espaços no Nordeste seco. É fundamental que recolham fotos e mapas sobre a região em questão. Solicite que organizem os dados e examinem o mapa a seguir, com a escala de devastação do bioma nos últimos anos. Com base no mapa, peça que identifiquem as áreas mais afetadas pela retirada das coberturas vegetais originais.

Mapa - Distribuição do desmatamento da caatinga - 2008

Mapa - Distribuição do desmatamento da caatinga. Fonte: Ibama. Ministério do Meio Ambiente.
Mapa - Distribuição do desmatamento da caatinga. Fonte: Ibama. Ministério do Meio Ambiente.

Em verde, a cobertura vegetal original; em bege, o desmatamento ocorrido antes de 2002; e em marrom, os novos pontos de desmate (entre 2002 e 2008).

 

2ª etapa 

O avanço da devastação da caatinga coloca os holofotes sobre as políticas de conservação na região. Proponha que os estudantes recolham dados sobre as unidades de conservação - entre elas, o Parque Nacional da Serra da Capivara e da Chapada do Araripe e o Raso da Catarina - identificando espécies e ambientes protegidos. Do mesmo modo, o potencial da vegetação em termos de fármacos e produção de medicamentos e o desenvolvimento de novas tecnologias para atenuar os rigores do clima, como os sistemas de cisternas em comunidades rurais para armazenamento de água. Um histórico do combate às secas na região - que muitas vezes beneficiou somente as elites agrárias - é fundamental para contextualizar o quadro político e econômico-social regional.

Os dados recolhidos devem compor relatórios de pesquisa sobre o bioma. Oriente a turma para incluir informações sobre a situação atual e as perspectivas futuras a caatinga e o homem sertanejo. Os trabalhos serão utilizados nas últimas aulas desta série, em que será feito um balanço dos desafios para a conservação dos biomas brasileiros.
 

 

Avaliação 

Avalie a participação de cada estudante nos momentos individuais e coletivos. Verifique também o domínio de conceitos, processos e habilidades em jogo sobre a caatinga. Examine organização dos relatórios. Se necessário, crie uma ficha de registros de atividades para facilitar a avaliação. Reserve tempo para a turma avaliar a experiência.

Quer saber mais?

Bibliografia
INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL. Almanaque Brasil Socioambiental. São Paulo: ISA, 2004.
AbSABER, Aziz N. Sertões e sertanejos: uma geografia humana sofrida. Estudos Avançados-USP, v. 13, n. 36, maio-agosto 1999 (Dossiê Nordeste Seco), p. 7-59.
THÉRY, Hervé; MELLO, Neli. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território. São Paulo: Edusp, 2005.

Internet
IBGE. Mapas da vegetação brasileira.
IBAMA. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis.
Parque nacional da Serra da Capivara. Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham)

 

Autor Nova Escola
Créditos:
Roberto Giansanti
Formação:
geógrafo e autor de livros didáticos

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