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Barroco: uma arquitetura extraída do ouro

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Estabelecer relações entre o barroco brasileiro e a situação político-econômica das várias regiões no período colonial.

Ano(s) 
Material necessário 

Reportagem da Veja:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução

Diamantes são eternos e, espera-se, as construções associadas a eles também: Diamantina vai se tornar patrimônio cultural da humanidade. O antigo arraial de Xica da Silva conservou intactos igrejas e casarões do século XVIII, quando era o trecho mais rico do Brasil. Mas, observa a reportagem de VEJA, as jóias arquitetônicas da terra dos diamantes têm menos brilho que as das cidades do ouro, criadas por Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e outros artífices do barroco mineiro. O plano de aula vai ajudá-lo a mostrar a seus alunos a razão dessas diferenças. A partir do exame de três igrejas dedicadas a São Francisco, erguidas em Salvador, Ouro Preto e Diamantina, a aula focaliza as diferentes características do estilo barroco nas três cidades e as associa às condições sociais, econômicas e políticas dessas regiões.

Leia com os alunos a reportagem e encarregue-os de levantar imagens das construções barrocas de Salvador, Ouro Preto e Diamantina. Lembre-os de que imagens são recortes subjetivos, e analisá-las significa trabalhar com fontes históricas que podem ajudar a compreender determinado período. Peça-lhes para observarem as formas, as cores, todos os detalhes e depois compararem as imagens.

2ª etapa 

Proponha a leitura dos textos referentes às três cidades. Por fim, retome a análise e a discussão das imagens, ressaltando as diferenças entre as várias expressões do barroco.

3ª etapa 

Encomende pesquisas sobre a mineração colonial, a produção da arte barroca e os primeiros ensaios de uma identidade brasileira. Essas manifestações se interligam? Existem laços, nas cidades do ouro, entre os artesãos e os Inconfidentes?

Salvador: o barroco importado
O barroco nasceu na Roma dos Papas no século XVII, disposto a envolver os sentidos do mundo católico, a ser uma ponte entre a emoção religiosa medieval e a razão renascentista. As linhas retas das igrejas de estilo maneirista do Renascimento deram lugar a curvas, e seu interior explodiu numa profusão de imagens esculpidas e pintadas de enorme impacto. Em Portugal, enriquecido com o açúcar e o ouro do Brasil, essas imagens cobriram-se de dourado. Salvador, o próspero porto do açúcar e sede administrativa da colônia, de forte presença metropolitana, herdou esse barroco bem português, "oficial". Por exemplo, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia foi construída com pedras trazidas de Portugal.

Na Igreja de São Francisco, o exterior evidencia a transição de estilos que ocorreu na Europa: duas torres maneiristas, de linhas retas, ladeiam uma portada curva e decorada, tipicamente barroca. O interior magnífico, por sua vez, leva a extremos o ideal lusitano de recobrir minuciosamente todo o interior da igreja com ouro.

Diamantina: o barroco reprimido
Na região de Vila do Príncipe, explorou-se o ouro até 1729. Nessa data, contudo, ela foi proibida, pois dois anos antes haviam sido descobertas jazidas de diamantes muito mais valiosas. Declarou-se que a extração de diamantes seria monopólio da Coroa e todas as concessões de garimpo do ouro estavam canceladas. A região foi separada de Minas Gerais: em 1731 criou-se o distrito diamantino com sede no Arraial do Tejuco, origem de Diamantina. A área reservada à extração de diamantes foi cercada. Só poderiam habitar ali os diretamente envolvidos com a exploração dos diamantes, que eram os escravos, seus feitores e os donos das lavras. Para evitar o contrabando das pedras preciosas havia várias proibições. As tabernas não abriam durante a noite, quem pedisse esmolas não podia entrar no distrito, ali não existiam irmandades religiosas. Nunca houve uma dose igual de repressão na vida brasileira.

Entre 1740 e 1771, a exploração de diamantes foi realizada por contratadores, que pagavam à Coroa uma quantia predeterminada. Foi o período de maior crescimento da região. Os contratadores ergueram igrejas como a de São Francisco (acima à dir.), mais singela que a de Vila Rica. Além disso, nos tetos e altares, os pintores locais não ousavam explorar grandes espaços. Segundo alguns analistas, sua pintura contida, quase asfixiada, reflete o cerceamento físico e especialmente psíquico a que estava submetida a população do Tejuco.

Ouro Preto: o barroco mulato
No final do século XVII, a descoberta de ouro arrastou multidões à "região das minas". Os arraiais se multiplicavam. Um deles, fundado em 1698, tornou-se uma vila em 1711 - Vila Rica, hoje a cidade de Ouro Preto. Em 1734, a população livre era de 4304 habitantes. Já em 1776, ali viviam cerca de 30 mil homens livres e 50 mil escravos. Mas mesmo os filhos de escravos tinham possibilidades de ascensão social nas vilas do ouro, tornando-se artífices respeitados. O mais famoso foi o mulato Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

Executando serviços encomendados pelas irmandades religiosas - específicas para brancos, negros e mulatos - esses artesãos criaram um barroco bem diferente do europeu. O barroco mineiro privilegiava a liberdade de expressão - um sonho de autonomia artística em ressonância com os projetos dos inconfidentes.
Obra-prima de Aleijadinho, a Igreja de São Francisco de Ouro Preto (acima à dir.) mostra como o barroco local já era profundamente brasileiro. Na pintura do teto, executada por Manuel da Costa Ataíde, anjinhos mulatos rodeiam uma Nossa Senhora também mulata, cujas feições retratam a companheira do pintor.

 

Veja também:

Bibliografia
Do Barroco
, A. Coutinho, UFRJ, tel.: (21) 560-0191
O Universo Mágico do Barroco Brasileiro, Emanoel Araújo (curador), SESI, tel.: (11) 253-5877

 

Créditos:
Roberto Catelli Junior
Formação:
Professor de História do Colégio Santa Maria, de São Paulo
Autor Nova Escola

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