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Apresente à classe todas as etapas do método científico

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Identificar os elementos que caracterizam a produção científica e suas especificidades

Ano(s) 
Material necessário 

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Reportagem da Veja:

 

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução
Apesar das dificuldades inerentes à função e dos parcos salários oferecidos à pesquisa acadêmica no país, a quantidade de interessados em prosseguir estudos na área científica aumenta dia após dia. O mais surpreendente é que o número de mulheres no setor já ultrapassa o de homens. Junto do balanço das contribuições femininas, a reportagem de VEJA mostra o esforço e o prêmio alcançado por algumas cientistas brasileiras. É um grande estímulo para discutir com a turma questões ligadas ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia.

 

Antes da leitura da reportagem com os alunos, tenha em mente a afirmação inicial do texto de VEJA: as imagens sobre os pesquisadores são bastante viciadas e estereotipadas. Lance as questões abaixo para a turma. Peça que sejam respondidas individualmente e por escrito num prazo de até 15 minutos.

1. O que cada um acha que é necessário para ser um cientista?
2. Quais as qualidades que uma pessoa precisa ter para ingressar na carreira?

Peça que os alunos citem nomes de cientistas famosos, de qualquer época, e de pelo menos um pesquisador brasileiro que conheçam.

Convide-os a enumerar as ciências que conhecem e as etapas que constituem o "método científico".

Se achar conveniente, amplie ou aprofunde as sugestões. Acrescentar novas indagações - como as diferenças entre pesquisa básica e aplicada - também pode enriquecer o resultado final.

Após a aplicação do questionário, as respostas serão tabuladas. Faça um levantamento de quantas ciências foram listadas pelos estudantes. É provável que as mais lembradas sejam Física, Química e Biologia. História, Geografia e Sociologia, entre outras, talvez apareçam menos. Aproveite a chance para explorar o tema dos preconceitos contra as ciências humanas.

2ª etapa 

Na aula seguinte, proponha que a turma leia a reportagem e discuta a questão da maioria masculina que dominou o setor por tanto tempo. As mulheres foram alijadas não apenas da produção científica: a marginalização era generalizada. Isso servirá para demonstrar que essa produção ocorre num contexto social mais amplo. Ela obedece a regras que não se limitam aos objetos da investigação.

Destaque o quadro "Questão de Gosto". Depois, recupere a discussão da listagem feita pelos estudantes sobre as ciências naturais e as humanas e compare o resultado com a questão dos gêneros. A lista elaborada pelas alunas privilegiou as humanidades? E a dos garotos? As conclusões dos debates podem ser muito proveitosas.

Antes de encerrar a aula, proponha que a classe relacione as instituições que desenvolvem pesquisas e as áreas de investigação. Se possível, estimule os alunos a visitar uma universidade ou um centro de pesquisa. Eles devem procurar, segundo os interesses de cada um, pesquisadores que estejam desenvolvendo trabalhos científicos. Antes, oriente-os quanto a duas perguntas fundamentais a serem feitas.

O entrevistado atua em pesquisa básica (erroneamente chamada pura) ou aplicada? Lembre que o termo puro dá a entender que a ciência é neutra, nem boa, nem má. Isso não acontece bem assim. Ela é produzida dentro de um contexto e as pesquisas já nascem impregnadas de ideologia.

Que etapas envolvem o trabalho do pesquisador em questão? (Isso está relacionado à metodologia de pesquisa.) 

Pesquisa

Feras desde os primórdios

A participação feminina no desenvolvimento científico não é um acontecimento recente. Há honrosas menções que datam de 4000 anos de civilização, da Antigüidade chinesa à egípcia. A expressão cientista, no entanto, passou a ser empregada com freqüência somente a partir do século XIX para designar as pessoas dedicadas ao cultivo da ciência. A denotação atual, do profissional ligado às instituições de pesquisa, é mais recente ainda. Marie Curie, primeiro prêmio Nobel feminino, em 1903 e novamente em 1911, é um exemplo notável, seguido por mais nove mulheres que se destacaram na pesquisa científica. Os alunos podem encontrar dados sobre essas e outras personalidades no site www.astr.ua.edu/4000WS. A revista Exame (edição 732, de 24/01/2001) também traz um curioso relato sobre a participação feminina no mercado de trabalho. A tecnologia que usamos hoje para a comunicação multifreqüencial, capaz de operar pagers e celulares, teve como co-criadora uma famosa atriz de cinema dos anos 40, Hedy Lamarr. Foi ela quem pensou em usar freqüências diferentes para impedir que os navios provocassem interferências em torpedos guiados por sinais de rádio.

 

 

3ª etapa 

Na aula seguinte, peça que os alunos produzam um painel relacionando o campo de atuação dos entrevistados e as etapas cumpridas em cada pesquisa. Solicite uma comparação entre as metodologias aplicadas em ciências humanas e as de exatas. 
 

Para saber mais

Os livros didáticos costumam apresentar apenas um método científico. Tudo começa com as observações, que permitem a criação de explicações e hipóteses. Então vêm os testes dessas hipóteses, os quais devem conter previsões. Se elas não derem certo, o investigador deve voltar às etapas anteriores. Somente depois de se confirmarem as previsões, serão feitas generalizações que permitem a criação de leis e o desenvolvimento de teorias, que estarão constantemente sujeitas a mudanças e testes. Pode parecer que as etapas são cumpridas sempre nessa ordem mas, na maior parte das vezes, as coisas não funcionam dessa forma. Estimule os estudantes a confrontar esse modelo geral de método científico com o trabalho real do investigador entrevistado. Isso revelará a existência de vários caminhos possíveis.

 

Lance algumas questões. Observar é a primeira etapa da investigação? Mas observar o quê? É possível observar sem uma noção prévia do objeto visado? O exame de uma lâmina preparada pelo biólogo especializado num tema certamente não é o mesmo de um generalista. Um astrofísico que vê uma imagem de uma estrela que explodiu certamente percebe coisas além da percepção dos leigos. Portanto a observação, tida como primeiro passo na investigação científica, não é neutra ou descomprometida. O observador traz consigo um universo pessoal de experiências que destacam um ou outro aspecto no que é examinado. As observações, portanto, não produzem uma ciência sem conceitos prévios, mas inserida num determinado contexto. Enxergar o que outros não viram depende não apenas de treinamento. É também uma questão de criatividade. Criar o novo a partir do estabelecido é um dos maiores desafios para os pesquisados. Permitir que os alunos aprendam isso pode ser a porta de entrada para estimular mais e mais pesquisadores num país tão necessitado de profissionais de qualidade.

Autor Nova Escola
Créditos:
Walmir Thomazzi Cardoso
Formação:
Professor de História da Ciência da PUC-SP

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