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Analisando as letras de músicas de Dorival Caymmi

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

Analisar letras de músicas e perceber a riqueza dos recursos lingüísticos usados.

Conteúdo(s) 

Recursos linguísticos

Ano(s) 
Tempo estimado 
3 aulas
Material necessário 

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução 

A primeira pessoa que Dorival Caymmi conheceu ao chegar ao Rio foi Millôr Fernandes. "Glória de que não abro mão", diz o escritor em sua coluna de VEJA, numa exaltação a essa amizade. Até sua morte, aos 94 anos, no dia 16 de agosto, Caymmi escreveu quase novecentas canções. Estimule a turma a perceber como as letras do mestre baiano são aparentemente simples, mas guardam grandes desafios de linguagem.

Dorival Caymmi conseguiu fazer da preguiça seu meio de vida e esse será um bom motivo para a garotada querer saber mais sobre ele. Comece, no entanto, desmitificando a fama de preguiçoso do compositor. Na verdade, ele era um perfeccionista e "demorava" para fazer os poemas, porque queria dizer o máximo com pouquíssimas palavras. Ele dominava a arte de traduzir uma vasta gama de sentimentos em estrofes curtas. Mostre que o coloquialismo e a malemolência de sua linguagem - sensual e cheia de ginga - servem para exaltar a preguiça baiana como traço da identidade cultural, a marca de um lugar do Brasil onde o trabalho não se opõe ao lazer.

Analise alguns versos, ressaltando que Caymmi escreveu em primeira pessoa, como se estivesse conversando sobre a saudade da terra natal ou sobre o amor. A canção Lá Vem a Baiana é um exemplo. Os temas de Caymmi falam do negro e do mulato pobres, pescadores que se aventuram ao mar sem saber se voltam. Ele destaca as mulheres sempre a esperar pelos homens ou a sofrer a dor da perda. É claro que há também o amor e a sensualidade das brasileiras, reconhecias no mundo todo (veja a indicação de sites no final do plano de aula). Cabe demonstrar que o que a baiana tem, na verdade, não se compra com dinheiro, assim como o amor, as belezas naturais e a morte nos braços de Iemanjá. A ambigüidade sensual e o tempero da vida estão nas canções que falam de comida ¿ até a receita do vatapá ele transformou em música. Note que as palavras repetidas imitam os sons do mar, do vento e dos coqueiros.

 

2ª etapa 

Divida a classe em cinco grupos. Cada um fica com um tema: mar; amor; mulheres; saudade e comidas.

Peça que eles mostrem as figuras de linguagem, as ambigüidades e os sentimentos que estão velados na simplicidade das letras. Estimule uma análise da utópica vida na Bahia, que inspirou o autor. Sugira que os alunos façam um levantamento dos adjetivos e advérbios. Eles notarão que são pouquíssimos. Caymmi relatou seu mundo, principalmente, com substantivos e verbos - isso não é "sem querer"! Todo autor tem uma intenção. Qual é a dele? Quais são as críticas ou os registros sociais ocultos em suas canções?

3ª etapa 

Por fim, cada grupo apresenta seus comentários e análises. Depois dessa atividade, ninguém mais vai continuar achando que Caymmi, formado em direito e jornalismo e fã do poeta espanhol García Lorca, escrevia músicas curtas apenas por pura preguiça.

 

Quer saber mais?

Internet
www.lastfm.com.br/music/Dorival+Caymmi Ouça os grandes sucessos de Caymmi
www.youtube.com/watch?v=ATRYXkvBkKM Caymmi canta e conta como compôs O que É que a Baiana Tem?  

 

Autor Nova Escola
Créditos:
Clemári Ribeiro
Formação:
Professora de Língua Portuguesa do Colégio Anhembi-Morumbi, de São Paulo

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