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Adaptação de textos literários para o cinema

Publicado por 
novaescola
Objetivo(s) 

- Apontar as diferenças entre a linguagem do texto teatral, do romance e do roteiro de cinema.
- Apresentar trechos de filmes adaptados, fazendo comparações com as peças de teatro ou romances originais.
- Demonstrar as características do texto teatral e do roteiro adaptado, destacando a linguagem diferenciada em cada um desses dois gêneros.
- Produzir um trabalho sobre a adaptação de uma peça de teatro/ romance/ conto para o cinema.

Conteúdo(s) 

- Texto teatral e roteiro cinematográfico.
- Adaptação fílmica de peças de teatro e obras literárias.
- Cinema, teatro e literatura.

Ano(s) 
Tempo estimado 
De duas ou três aulas
Material necessário 

- Cópias da reportagem "Barril de Pólvora", de Isabela Boscov (VEJA, edição 2270, 23 de maio de 2012).
- Trechos selecionados de filmes adaptados de peças de teatro/ romances/ contos. Sugestões:
"Romeu e Julieta" (1996), de Baz Luhrmann, adaptado da obra de William Shakespeare; "O homem nu" (1997), de Hugo Carvana, adaptado da obra de Fernando Sabino; "Macunaíma" (1968), de Joaquim Pedro de Andrade, adaptado da obra de Mário de Andrade.
- DVD’s dos filmes "Macunaíma", "Romeu e Julieta" e "O homem nu".
- Computador com leitor de DVD, acesso à internet. Data-Show. Aparelho de TV e DVD.

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Desenvolvimento 
1ª etapa 

 

O QUE EXPLICAR PARA TURMA

A adaptação de obras literárias ou teatrais para o cinema sempre fez parte da produção cinematográfica e televisiva. Entretanto, ainda que guardem muitas semelhanças estruturais, uma peça de teatro, um romance e um roteiro de cinema são gêneros literários diferentes, que possuem linguagem, objetivos e formatos diferenciados.

O trabalho de adaptação de obras literárias e teatrais para o cinema deve levar em conta essa diferenciação, pois um filme possui uma dinâmica própria, que não deve ser confundida com a dinâmica de outros gêneros. De fato, há certas particularidades na adaptação de obras literárias e teatrais para o cinema, que devem ser consideradas a partir da consciência de que se trata de textos muito distintos, e que, portanto, tem objetivos, formatos e expressões distintas.

Raramente um roteiro adaptado vai ser totalmente fiel à obra original. A própria palavra "adaptação" tem o sentido de transportar um gênero para outro, deixando claro que se devem fazer ajustes, através de correspondências ou transformações necessárias, para que o roteiro seja eficiente. Deve ser compreendido que um filme adaptado não é um romance ou uma peça de teatro filmados, mas uma forma totalmente diferenciada, com características próprias, de narrar a história a partir de uma referência externa.

Quando assistimos a um filme adaptado de uma peça de teatro ou uma obra literária, ainda que se guardem semelhanças evidentes, é preciso compreender que não há sobreposição de um gênero a outro. Um roteiro adaptado deve sempre ser considerado um roteiro original, criado a partir de uma obra de referência, mas quase nunca totalmente fiel a esta obra.

A história de adaptações cinematográficas é longa, e teve momentos consagradores. A obra do dramaturgo Tennessee Williams foi adaptada com grande sucesso por Hollywood nos anos 1950. A partir de sua obra teatral, foram rodados filmes consagrados, como "Um bonde chamado desejo", "Gata em teto de zinco quente", que contaram com atores como Paul Newman, Elizabeth Taylor, Marlon Brando e Vivien Leight nos papéis principais.

As peças de William Shakespeare também sempre foram base para inúmeras adaptações cinematográficas. "Romeu e Julieta", talvez sua obra mais popular, teve adaptações de sucesso que procuraram ser fiéis à ambientação da época, e também outros filmes ambientadas na contemporaneidade, como a adaptação dirigida por Baz Luhrmann, que contou com Leonardo di Caprio e Claire Dannes nos papéis principais.

O cinema brasileiro também é rico em adaptações. Obras consagradas da nossa literatura sempre foram fonte inspiradora para o cinema. Autores de todas as épocas tiveram suas obras adaptadas. Algumas adaptações se tornaram tão ou mais célebres quanto os próprios livros, como "Gabriela, Cravo e Canela", dirigido por Bruno Barreto, a partir da obra de Jorge Amado; "Macunaíma", dirigido por Joaquim Pedro de Andrade, tendo como base o romance de Mário de Andrade; "Inocência", dirigido por Walter Lima Jr., a partir da obra de Visconde de Taunay; "Cidade de Deus", dirigido por Fernando Meirelles, a partir da obra de Paulo Lins.

Mas, sem dúvidas, é a obra do dramaturgo Nelson Rodrigues que figura como a mais adaptada ao cinema nacional. O dramaturgo teve pelo menos 20 de suas peças teatrais transpostas para a película. Entre os filmes, destacam-se "Boca de Ouro", de Nelson Pereira dos Santos, considerado um dos mais importantes filmes da história do cinema brasileiro, com a memorável interpretação de Jesse Valadão do gângster arrogante que substitui uma dentição perfeita por uma dentadura de ouro; ou a polêmica e erótica adaptação de "Bonitinha, mas ordinária", dirigida por Braz Chediak, e que conta com uma lasciva Lucélia Santos no papel principal.

Algo que deve ser notado no trabalho de adaptação de uma peça de tetro ou obra literária para o cinema é a diferença entre as linguagens. Um romance, por sua própria estrutura, é uma narrativa que envolve aspectos psicológicos, em que a ação acontece em um cenário imaginado, a partir de descrições detalhadas expostas no enredo pelos personagens, e que encontram seu sentido principal a partir da interpretação subjetiva do leitor.

Uma peça de teatro, por sua vez, é narrada a partir de eventos e acontecimentos cuja força está na articulação dos diálogos, que ocorrem em um palco limitado ao palco e ao cenário sempre limitados. Já uma narrativa cinematográfica está ligada a detalhes meticulosos, expostos a partir de imagens coladas, editadas e concatenadas em função da estrutura narrativa que o roteiro oferece. Num filme, todos os detalhes da ação e do desenvolvimento da narrativa estão ligados intimamente à qualidade e ao sentido adquirido pelas imagens na tela, montadas para favorecer a construção de sentidos e expressividade, a partir dos recursos técnicos a disposição da equipe.

Na reportagem de Veja indicada neste plano de aula é destacada a adaptação para o cinema da obra "Coriolano", de Shakespeare, dirigido e estrelado por Ralph Fiennes. A reportagem oferece um bom exemplo de como uma adaptação pode transitar entre referências históricas e narrativas nem sempre fiéis à obra original, mas nem por isso inferior em qualidade artística.

Em geral, adaptações para o cinema procuram manter apenas a essência da obra original - ou nem isso, muitas vezes atendo-se apenas aspectos ou personagens específicos - fazendo referências a dados e informações contemporâneas como parte da ambientação da obra filmada.

 

Antes de chegar na sala de aula, o ideal é que você, professor, pesquise e selecione roteiros de filmes adaptados de obras literárias e teatrais, e faça comparações com as obras originais. Elabore um quadro comparativo completo entre os filmes e as obras selecionadas, para apresentar aos alunos. Esquematize um paralelo entre as cenas pré-selecionadas que serão destacadas e a narrativa do livro/peça de teatro originais utilizadas na adaptação.

Observe que a reportagem "Barril de pólvora", de Isabela Boscov, destaca que o enredo e os diálogos originais da obra de Shakespeare foram preservados, mas o filme tem uma ambientação contemporânea, que remete à acontecimentos da década de 1990, quando a guerra na ex-Iugoslávia trouxe a barbárie de volta à Europa, e como nos tempos de Roma, um general forte e com senso militar absolutamente irrefreável é um personagem ambíguo, forte e poderoso, que tensiona as relações entre o povo, o exército e a democracia.

Já em classe, pergunte aos alunos se eles conhecem filmes que tiveram origem em obras literárias e/ou teatrais. A partir disso, faça a exposição das diferenças entre a linguagem do roteiro de cinema, a peça teatral e as obras literárias, de acordo com a tabela preparada em casa.

Apresente o quadro comparativo e dê destaque para o fato das formas narrativas do cinema, do teatro e da literatura se distinguirem pela forma: no cinema, toda ação narrativa está centrada nas conexões entre as imagens entrelaçadas, que podem ser amplas e complexas. No teatro, a narrativa se encontra principalmente no diálogo, que acontece no espaço delimitado pelo palco. Já nas obras literárias, o foco narrativo está na descrição rica de detalhes físicos e psicológicos, e também no estímulo aos pensamentos, emoções, associações e memórias despertadas pela complexidade dos personagens.

Distribua cópias do texto "Barril de pólvora" e faça uma leitura conjunta com a turma. Peça que os alunos destaquem o que o texto aponta como sendo as diferenças entre o enredo original da peça de Shakespeare e a adaptação cinematográfica, realizada em 2012. A partir das informações encontradas na reportagem, faça uma explanação sobre as obras literárias adaptadas para o cinema.

Demonstre que a principal característica de uma adaptação não é necessariamente levar para as telas tudo o que se encontra em um livro. O objetivo maior de uma adaptação é transpor para o filme o essencial de uma obra literária, seu sentido maior. Demonstre que isso acontece porque a linguagem do teatro, da literatura e do cinema é distinta. Uma adaptação, ainda que não contenha os detalhes e pormenores encontrados nos diálogos da peça ou na narrativa do romance em que teve origem, é considerada também uma obra original. É o caso, por exemplo, de filmes como "Macunaíma", ou mesmo o "Romeu e Julieta" de Baz Luhrman.

Demonstre aos alunos que a adaptação de um romance muito longo pode ser desastrosa: o excesso de detalhes, as descrições, as narrativas e a profundidade psicológica de personagens, características de uma obra literária, nem sempre cabem num filme. A adaptação exige conhecimento e intimidade com a obra a ser adaptada, pois será necessária a elaboração de síntese, bem como de escolhas do que será reforçado e o que será descartado no filme.

Contextualize a aula exibindo aos alunos trechos de filmes adaptados, e a seguir, compare-os com os textos originais de onde veio a adaptação.

O roteiro de "O homem nu", de Hugo Carvana, por exemplo, culminou num filme de 80 minutos, mas foi adaptado a partir de um conto de duas páginas. Apresente aos alunos o conto de Fernando Sabino e exiba a cena em que o personagem do filme acaba protagonizando a situação inusitada de ter que fugir nu pelas ruas da cidade. No conto, o motivo de o homem ter ficado nu é um pouco diferente do filme, assim como o desenrolar da narrativa, que no filme, por razões da própria adaptação e da narrativa do filme, é muito mais detalhada e cheia de nuances, que no conto não aparecem.

Mostre a abertura e as cenas iniciais do filme "Macunaíma", e compare com o trecho inicial do livro de Mário de Andrade. Neste caso, fica bastante claro que o livro é descritivo, pela necessidade de ser meticuloso e inspirar ao leitor uma ideia do nascimento e da infância do herói, rica em detalhes narrativos. No filme, o narrador usa de poucas frases para introduzir a cena inicial, mas as imagens são suficientemente claras e impactantes para passar ao espectador o humor/ironia, que é a essência do livro de Mário de Andrade.

Ao final da aula, divida a turma em grupos, com no máximo 4 componentes. Oriente-os a pesquisar sobre um filme adaptado de uma obra literária, a sua escolha. Peça que façam comparações entre cenas do filme selecionado e da obra adaptada, indicando o que existe de semelhante e de diferente entre as duas obras. O professor poderá indicar, a título de sugestão, algumas obras que foram adaptadas para o cinema. Não tenha preconceitos: "Harry Potter", "Crepúsculo" ou "As crônicas de Nárnia" podem ser tão interessantes para o trabalho quanto "Cidade de Deus", "Carandiru" ou "A laranja mecânica".

2ª etapa 

Inicie a aula retomando os conteúdos da aula anterior. Peça que os grupos apresentem os resultados do trabalho. O objetivo é que fique claro que a produção de um filme adaptado de uma obra literária obedece a uma lógica própria: mesmo que seja fidedigno à obra original, o roteiro de um filme sofre alterações para se adaptar à linguagem cinematográfica, por conta da dinâmica do roteiro estar centrada na atribuição de sentido às imagens.

Explique e demonstre que a criação de uma adaptação de uma obra cinematográfica ocorre, primeiramente, com a escolha da obra, e depois com a criação de um argumento baseado em aspectos específicos da obra adaptada. A adaptação é uma criação: o roteirista tem toda liberdade para incluir fatos, cenários, acontecimentos que não estejam necessariamente presentes na obra original, mas que podem fazer sentido no filme adaptado.

O desenvolvimento meticuloso e detalhado de uma história inicial, exposta no argumento, é que vai culminar no roteiro. O roteiro contém detalhes importantes sobre aquilo que será utilizado da obra original, além de indicar detalhadamente as ideias, técnicas e narrativas - em suma, o foco daquilo que será mais importante na adaptação fílmica.

Exiba uma cena pré-selecionada do filme "Romeu e Julieta", com Leonardo di Caprio e Claire Dannes. No filme, rodado em 1996, o diretor Baz Luhrmann adaptou a obra clássica de William Shakespeare, cuja ação na peça de teatro ocorre entre castelos e em um ambiente medieval, ao mundo contemporâneo: o filme desenrola-se numa cidade americana do século 20, chamada Verona Beach, Flórida (que faz referência à cidade de Verona, Itália, onde se passa a versão original) e tem todos os efeitos que um bom filme hollywoodiano possui: ação, aventura, rivais se enfrentando com pistolas semi-automáticas, em meio automóveis, no subúrbio de uma grande cidade.
Entretanto, a obra preserva toda a força dramática e emotiva da tragédia do autor inglês.

Apresente o trecho equivalente na peça teatral e peça que os alunos leiam. Faça uma comparação entre as cenas e aponte as semelhanças e diferenças da linguagem, das descrições do cenário e dos personagens, no filme e no livro.

Ao final da aula, oriente as equipes para a produção de um trabalho contemple as seguintes reflexões: o roteiro do filme é fiel à obra original? Quais são as semelhanças e diferenças encontradas. Há personagens que se destacam mais (ou menos) no filme do que no livro? A ambientação do filme é similar à da obra adaptada? O que é diferente? Os diálogos são semelhantes? A história termina de maneira semelhante no filme e no livro?

As conclusões dos alunos devem ser expostas e comentadas com toda a turma.
Para finalizar, você pode exibir um dos filmes que ilustraram a aula em sua íntegra, e também indicar aos alunos que façam a leitura da obra literária correspondente.

Avaliação 

Após a finalização das produções, avalie se seus alunos conseguiram: 1) compreender as diferenças entre a linguagem do texto teatral, o cinema e os textos literários; 2) perceber que o processo de adaptação consiste na utilização da essência de uma obra literária, sem necessariamente ser completamente fiel à narrativa original; 3) comparar o roteiro de filmes adaptados à peças de teatro ou romances originais.

Flexibilização 

O plano trata de um assunto abstrato que é a adaptação de um gênero (tipo) para outro. Contudo, a dinâmica da apresentação de imagens (vídeos, filmes) torna-o acessível ao deficiente auditivo. Se possível o professor deve ter os dois suportes – livro e filme (vídeo) – para mostrar aos alunos e, sobretudo, evidenciar o título em ambos como uma forma de mostrar que se trata do mesmo enredo (história). O trabalho, de preferência, deve ser feito em duplas para que um colega possa auxiliar o deficiente auditivo, indicando pontos comuns e diferentes na observação no processo de adaptação. Por exemplo, conforme os personagens forem aparecendo na tela, mostrar seu nome escrito no livro. Em toda sala de aula há sempre alguém disposto a essa tarefa.

 

Quer saber mais?

BIBLIOGRAFIA:
Manual do roteiro. Syd Field. Editora Objetiva, 1995.
O roteirista profissional - televisão e cinema. Marcos Rey. Editora Ática, 2003.
Romeu e Julieta. William Shakespeare. Tradução de Beatriz Viégas-Faria. L&PM pocket, 2002.
Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. Mário de Andrade. Editora Villa Rica, 2004.
O homem nu. Fernando Sabino. Editora Record, 2005.

FILMOGRAFIA:
O homem nu. Hugo Carvana. Cor. Brasil, 1997. 78 minutos.
Macunaíma. Joaquim Pedro de Andrade. Cor. Brasil, 1969. 108 minutos.
Romeu e Julieta. Baz Luhrmann. EUA, 1996. 120 minutos.

 

Deficiências 
Auditiva
Créditos:
André Luis Rosa e Silva
Formação:
Professor de Literatura e Mestre em Educação.
Autor Nova Escola

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